TJ-SP
Justiça triplica multa contra prefeitura após caso de criança trancada em creche
Desde que uma criança foi trancada dentro de uma “jaula” no Centro de Educação Infantil (CEI) 07, no bairro Santa Rosália, o Ministério Público (MP) e a Prefeitura de Sorocaba travam uma disputa na Justiça. O capítulo mais recente é a decisão que aumentou a multa diária, que antes era de R$ 50 mil, para R$ 150 mil. As informações são do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Anteriormente, uma liminar havia sido deferida em setembro de 2024. Diante do não cumprimento por parte da Prefeitura, o MP instituiu a multa, que agora, em decisão de fevereiro de 2026, foi triplicada.
A vizinha da creche, que flagrou a criança chorando dentro da “jaula”, registrou fotos do ocorrido e tentou conversar com a diretora da unidade no mesmo dia, sem sucesso. Ela então procurou o Conselho Tutelar, e o MP-SP ingressou com uma Ação Civil Pública, apresentada pela Promotoria da Infância e Juventude de Sorocaba, sob responsabilidade da promotora Cristina Palma. Desde então, o processo tramita na Vara da Infância e Juventude da Comarca de Sorocaba.
A ação é movida contra o poder público municipal e busca que a Justiça obrigue a prefeitura a corrigir irregularidades na unidade escolar, adotar medidas de proteção às crianças e cumprir deveres legais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No histórico do processo, a Secretaria de Educação argumentou que a ausência de professores do ensino fundamental fez com que auxiliares de educação precisassem assumir algumas funções das professoras, o que teria ocasionado o episódio. Na época, a pasta informou que havia déficit de 283 profissionais para suprir a demanda. O MP ressaltou que é obrigação do Executivo oferecer professores para a educação infantil. “Como ter escola sem professor? É SOBRE ISSO QUE SE TRATA A PRESENTE AÇÃO”, afirma um trecho da documentação (caixa alta do original).
O processo é administrativo/civil — não criminal —, mas pode determinar mudanças estruturais na escola, contratação de profissionais, adequações de segurança e atendimento, além do cumprimento de normas educacionais. O descumprimento de decisões judiciais pode gerar multas diárias e obrigação de fazer, sob pena de sanção.
No dia 3 de fevereiro, a prefeitura publicou em seu portal que 30 cargos de orientador pedagógico seriam desmembrados. A atribuição inicial das vagas será feita para profissionais já designados, enquanto o preenchimento definitivo ocorrerá após a homologação de concurso público da área. O desmembramento consiste na separação de funções que antes estavam agrupadas, destinando cada cargo especificamente às creches municipais.
A Prefeitura de Sorocaba foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto. (Da Redação)