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Desafios Urbanos

Impermeabilização e urbanização ampliam risco de alagamentos

Para especialistas, episódios como esse ajudam a explicar por que cidades em expansão enfrentam cada vez mais episódios de alagamentos durante temporais

09 de Março de 2026 às 22:39
João Frizo [email protected]
Alagamento em Sorocaba
Alagamento em Sorocaba (Crédito: Cortesia)

Sorocaba registrou mais de 114 milímetros de chuva em apenas três horas no sábado (7), volume superior ao acumulado de todo o mês de março de 2025. Para especialistas, episódios como esse ajudam a explicar por que cidades em expansão enfrentam cada vez mais episódios de alagamentos durante temporais.

De acordo com o meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado, William Minhoto, a impermeabilização do solo altera o comportamento da água da chuva nas áreas urbanas e aumenta o volume que chega rapidamente aos sistemas de drenagem. Além disso, o crescimento urbano pode influenciar no aumento de alagamentos, especialmente com a impermeabilização do solo.

Segundo William, quando áreas naturais são substituídas por pavimentação, concreto e edificações, a água da chuva deixa de infiltrar-se no solo e passa a escoar rapidamente pela superfície. “Em ambientes urbanos altamente impermeabilizados, a água que antes seria absorvida pelo solo passa a escoar rapidamente sobre superfícies impermeáveis, se concentrando em ruas, avenidas e sistemas de drenagem urbana”, explica.

Esse processo aumenta o volume de água que chega aos sistemas de drenagem e aos cursos d’água urbanos. Quando não há capacidade para suportar grandes volumes em curto intervalo, pode ocorrer extravasamento e alagamentos.

Crescimento urbano

O arquiteto e urbanista Tiago da Guia, professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), afirma que o crescimento das cidades também influencia no aumento de enchentes urbanas, principalmente quando envolve alterações no curso natural de rios e córregos.

Segundo ele, modelos de urbanização baseados na retificação de rios e canalização de córregos ampliaram áreas destinadas à construção e circulação de veículos. “Em momentos de grande vazão pluvial, os cursos d’água tendem a retornar ao seu estágio natural, anterior às intervenções realizadas ao longo do processo de urbanização”, explica.

O urbanista afirma que a impermeabilização do solo aumenta o volume de água direcionado às galerias pluviais e aos rios. Como exemplo, ele cita áreas mais baixas da cidade, mais suscetíveis a enchentes.

VOLUME DE CHUVA

Região do Cerrado
114,8 milímetros
Brigadeiro Tobias
91,9 milímetros
Jardim Saira
91,8 milímetros
Bairro dos Morros
67,2 milímetros
Éden
57,8 milímetros
Aparecidinha
42,8 milímetros

* Dados coletados dos pluviômetros instalados em diferentes regiões
de Sorocaba