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Mulher Segura

Operação prende 11 suspeitos por violência doméstica na região de Sorocaba

Ação estadual "Mulher Segura" intensificou o combate à violência contra a mulher e mobilizou forças policiais em diversas cidades da região

06 de Março de 2026 às 14:20
João Frizo [email protected]
Operação estadual prende 11 suspeitos de violência doméstica na região de Sorocaba
Operação estadual prende 11 suspeitos de violência doméstica na região de Sorocaba (Crédito: João Frizo)

A Polícia Civil apresentou na manhã desta sexta-feira (6) os resultados parciais da Operação Mulher Segura, realizada em todo o Estado de São Paulo para intensificar o combate à violência contra a mulher. Na região da Seccional de Sorocaba, foram cumpridos 11 mandados de prisão durante o chamado “Dia D” da operação, realizado na quinta-feira (5).

Segundo a delegada Renata Zanin, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, a ação mobilizou equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar para o cumprimento de 43 mandados de prisão expedidos pela Justiça em cidades da região. “Foi um recorte de 12 horas de trabalho intenso. Dos 43 mandados, conseguimos efetuar 11 prisões apenas no Dia D”, explicou.

Durante a operação também houve apreensão de uma arma de fogo e verificação de 120 denúncias anônimas, que foram apuradas pelas equipes policiais ao longo do dia.

Os dados foram divulgados durante coletiva de imprensa na sede da Delegacia Seccional de Sorocaba.

Prisões e atendimentos na semana

Além das ações concentradas na quinta-feira, a operação, que começou na segunda-feira (2), segue até a meia-noite desta sexta-feira (6). Desde o início da semana, 22 prisões relacionadas à violência doméstica foram realizadas na região.

Em Sorocaba, os atendimentos registrados pela Delegacia de Defesa da Mulher e pelo plantão policial apontam: 87 atendimentos a vítimas de violência doméstica; 60 ocorrências que resultaram em medidas protetivas; 19 registros eletrônicos relacionados a esse tipo de crime e 11 prisões por violência doméstica.

Para a delegada, a intensificação das operações reforça o trabalho permanente de combate à violência contra a mulher. “Independentemente de estarmos em operação ou não, esse trabalho é realizado durante todo o ano. O cumprimento dos mandados continua até que todos sejam localizados”, afirmou.

Reincidência é comum nos casos

De acordo com Renata Zanin, os casos que resultam em prisão geralmente envolvem reincidência ou descumprimento de medidas protetivas. “Normalmente não é a primeira ocorrência. Muitas vezes é a segunda, terceira ou até quarta vez que há violência ou descumprimento de medida judicial”, disse.

A delegada reforçou a importância de que vítimas denunciem as agressões logo no primeiro episódio. “É importante que haja uma postura a partir da primeira denúncia para evitar que essa vítima se torne alvo de crimes mais graves”, alertou.

Debate sobre violência cresce na sociedade

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (8), a delegada destacou que o aumento de registros está relacionado também ao maior debate sobre o tema na sociedade. “Eu não acredito que antes não existia violência doméstica. O que existe hoje é mais discussão e mais espaço para que as mulheres denunciem”, afirmou.

Segundo ela, a divulgação dos casos e o debate público são importantes para conscientizar a sociedade. “É preciso que os agressores entendam que isso é crime e que serão responsabilizados.”

Caso de importunação sexual

Durante a coletiva, a delegada também comentou um caso recente investigado pela Polícia Civil em Sorocaba. Um homem de 47 anos foi indiciado por importunação sexual contra uma adolescente de 14 anos, após um episódio ocorrido no dia 24 de fevereiro, em um minimercado localizado dentro de um condomínio no bairro Vila Fiori, em Sorocaba.

De acordo com o boletim de ocorrência, a jovem foi ao estabelecimento comprar um refrigerante, quando o homem entrou no local e encostou as partes íntimas na adolescente.

Segundo o relato da mãe à polícia, a vítima retornou para casa em estado de choque, pálida e trêmula, conseguindo contar o ocorrido apenas algum tempo depois.

A identificação do suspeito foi possível após a família obter imagens das câmeras de monitoramento do comércio. O caso foi inicialmente registrado no 1º Distrito Policial e posteriormente encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher.

O suspeito foi indiciado pelo crime de importunação sexual, cuja pena prevista é de um a cinco anos de reclusão. Ele foi interrogado e negou os fatos. Segundo a investigação, o homem não possui antecedentes criminais. A vítima foi encaminhada para escuta especializada no Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) e recebe acompanhamento do Conselho Tutelar.