Fé
Quaresma mobiliza fiéis para a Páscoa
A Quaresma é um dos períodos mais significativos do calendário cristão. Vivida ao longo de 40 dias que antecedem a Páscoa, a tradição propõe um tempo de reflexão, penitência e preparação espiritual para a celebração da ressurreição de Cristo.
Segundo o padre Fernando Giuli, pároco da Paróquia São Francisco de Assis, o período pode ser compreendido como um retiro espiritual. “Para nós, cristãos, o sentido verdadeiro da Quaresma é um deserto de 40 dias, com foco na conversão, na mudança de vida e na renovação da fé, além da preparação para a Páscoa da Ressurreição”, afirma.
O sacerdote explica que o número 40 possui forte simbolismo na tradição bíblica, representando preparação para um acontecimento importante. “Na Bíblia, o quarenta simboliza preparação. No caso da Quaresma, prepara para a grande Páscoa da Ressurreição.”
Durante esse tempo, a Igreja Católica orienta os fiéis a intensificarem três práticas consideradas pilares da vivência quaresmal: oração, jejum e caridade.
“A oração é a intimidade maior com Deus, não apenas falar, mas também escutá-lo. O jejum e a penitência são exercícios de autocontrole — não são as coisas que dominam sobre nós, mas nós que dominamos sobre elas. E a esmola é a prática do amor ao próximo. A Palavra de Deus deve ser traduzida na prática”, explica o padre.
Conversão como eixo central
Para o sacerdote, o centro da Quaresma é a conversão. “Conversão significa mudança de rota, mudança de caminho. É olhar para a própria vida e perceber aquilo que não vai bem, o que nos afasta de Deus.”
Ele acrescenta que o pecado, na tradição bíblica, é entendido como “errar o alvo”. “Quando erramos a direção, afastamo-nos de Deus. A conversão é voltar-se para Ele e deixar fora da nossa vida aquilo que não vem de Deus. É um tempo forte de purificação.”
De acordo com o padre Giuli, nos últimos anos tem havido participação mais intensa dos fiéis, especialmente na busca pelo sacramento da confissão e pela celebração da missa, com destaque para a Quarta-feira de Cinzas. “Percebemos uma procura maior pela reconciliação e pela prática da caridade. Há um desejo maior de mudança de atitudes”, afirma.
Vivência dos fiéis
Entre os fiéis, o período assume significados diversos. A coordenadora Marina Martinez, 35 anos, afirma que a Quaresma marcou sua retomada na vida religiosa. “É muita oração, muita conversão. É um momento de muito contato com Deus. A gente se sente mais próximo d’Ele e percebe o quanto precisa aumentar a fé”, diz. Ela conta que voltou a frequentar a igreja durante a Quaresma, há cerca de dois anos, quando retomou a confissão e a participação nas missas dominicais.
Já a auxiliar administrativa Bárbara Luísa Salles Ferreira Brito, 37 anos, mantém uma prática pessoal de fé, mesmo sem frequência regular às celebrações. “Sou católica, mas não frequento como deveria. Mesmo assim, todos os dias eu passo para agradecer e pedir pelos meus parentes”, relata.
Em anos anteriores, Bárbara adotou gestos de renúncia durante o período. “Sempre retiro alguma coisa que me faz falta. Não como recompensa, mas como um gesto de gratidão”, afirma. Entre as mudanças já assumidas, deixou o cabelo crescer e evitou maquiagem, seguindo ensinamentos familiares.
Caminho até a Páscoa
Para o padre Giuli, todo o percurso da Quaresma conduz às celebrações da Semana Santa, quando os cristãos recordam a paixão, morte e ressurreição de Cristo. “A Quaresma nos prepara para viver intensamente esses momentos. É deixar a vida velha para trás e começar uma vida nova”, explica.
Ele acrescenta que a liturgia atualiza o mistério central da fé cristã. “Fazemos memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Não é algo diferente, mas a atualização desse mistério em nossa vida.”
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