Longevidade
Atividade física garante autonomia, saúde e bem-estar para idosos
Segundo o Seade, 52% da população idosa do Estado de São Paulo pratica algum tipo de exercício
A prática regular de atividade física tem se consolidado como uma das principais aliadas da qualidade de vida na terceira idade. No Estado de São Paulo, mais da metade da população pratica algum tipo de exercício, segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade). Entre os idosos, o crescimento é ainda mais expressivo: em 2019, 39% das pessoas com mais de 60 anos praticavam atividade física. Em 2025, esse número chegou a 52%, indicando maior conscientização sobre autocuidado e preservação da funcionalidade.
Os dados também mostram que a adesão é maior entre homens e cresce conforme aumentam a escolaridade e a renda familiar. Oito em cada dez praticantes afirmam se exercitar duas ou mais vezes por semana, e três a cada dez dedicam mais de uma hora diária às atividades.
Especialistas apontam que manter o corpo em movimento não fortalece apenas os músculos, mas também preserva a autonomia, melhora o humor e contribui para o controle de doenças crônicas. A profissional de educação física, Aline Barbosa Lima, especialista em envelhecimento e doenças crônicas, explica que a força muscular é um dos pilares do envelhecimento saudável. “Sem músculo não tem como ficar de pé. A força é fundamental para sentar, levantar, andar, tomar banho e manter a independência”, afirma.
Segundo ela, a atividade física funciona como um “medicamento natural”, auxiliando no controle de doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto, além de reduzir dores causadas por artrite, artrose e outras condições comuns com o avanço da idade.
No Clube do Idoso, onde atividades físicas são combinadas com ações de convivência, a proposta vai além do exercício. Mariana Borges Felipe, professora de educação física, que atua há 14 anos com o público da terceira idade, destaca que saúde física e mental caminham juntas. “A gente vive um momento em que a atividade física está em alta, mas para os idosos ela é vital. Depois dos 30 anos começamos a perder massa magra e velocidade do metabolismo. Isso impacta diretamente como vamos envelhecer”, explica.
Ela também reforça que nunca é tarde para começar. “Eu fico triste quando ouço alguém dizer que a pessoa já tem 60 anos e não adianta mais. Sempre é tempo. O corpo ganha e se beneficia em qualquer idade.”
Entre as modalidades indicadas, a musculação é considerada essencial. “Não dá para pensar em uma boa velhice sem trabalhar força. Sentar e levantar, carregar uma sacola, ir ao banheiro sozinho, tudo depende disso”, pontua Mariana.
O sedentarismo, por outro lado, pode acelerar perdas funcionais importantes. Além de contribuir para o agravamento de doenças como hipertensão e diabetes, também afeta a socialização e a saúde mental. “Se a pessoa depende apenas de medicação e não se movimenta, isso é pouco para o que o corpo precisa. O sedentarismo é uma das principais causas de morte no mundo”, alerta a profissional.
Os benefícios são percebidos na prática por quem adotou uma rotina ativa. Carmen Cecília Augusto Silva, de 83 anos, pratica exercícios há três anos e relata mudanças significativas. “Quando a gente para, fica travada. Ajuda demais. A gente tem limitações, mas melhora muito.”
Geraldo Silva, de 80 anos, começou há cinco meses após orientação de um fisioterapeuta, devido a um problema no ombro. “Eu tinha praticamente 100% de limitação no ombro esquerdo. Hoje estou com 50% ou 60%. Fora isso, melhora o ânimo, a disposição e o sono”, afirma. “Você pensa melhor e se sente melhor durante o dia.”
Salvador Miranda, de 78 anos, pratica atividades há dois anos e meio, desde que ingressou no Clube do Idoso. Além da academia, começou aulas de violão. Ele diz que a principal mudança foi na disposição e na convivência. “É outra coisa. A gente conhece pessoas, faz amizade. É excelente.” Após uma queda em casa, percebeu que a recuperação foi mais rápida por estar ativo. “Fiquei um tempo sem fazer por causa da queda, depois fui melhorando e agora já voltei ao normal.”
Sueli Caleja, de 66 anos, frequenta o espaço há cinco anos, desde que se aposentou. Participa de academia, alongamento, dança e até apresentações teatrais em datas comemorativas. “É uma delícia, a gente é acolhido. Eu emagreci, durmo melhor, tenho mais disposição para fazer as coisas em casa.” Ela também destaca o apoio da família. “Meus filhos falam que hoje sou outra pessoa.” (Lavínia Carvalho - programa de estágio)