Mobilidade
Limpeza em boa parte do trecho da SP-75 deixa a desejar e coloca em risco condutores de carros e motos
Rodovia, que é pedagiada, liga Sorocaba a Campinas, passando por Itu, Salto e Indaiatuba; são pouco mais de 77 quilômetros com tráfego intenso de veículos
A SP-75 faz a ligação entre duas importantes Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo: Sorocaba e Campinas, sem contar o acesso ao Aeroporto Internacional de Viracopos. No total, são 77,6 quilômetros que recebem várias denominações, como rodovia Senador José Ermírio de Moraes, no trecho de Sorocaba; rodovia Deputado Archimedes Lammoglia, em Itu; rodovia Prefeito Hélio Steffen, em Salto; rodovia Engenheiro Ermênio de Oliveira Penteado, em Indaiatuba; e, por fim, em Campinas, rodovia Santos Dumont. Nem todo mundo conhece todos os nomes, outros também chamam apenas de Castelinho, numa referência à rodovia Castello Branco que faz a ligação entre a capital e o interior.
O movimento é intenso todos os dias, inclusive com pontos de congestionamento no início da manhã e fim da tarde em alguns pontos. A rodovia é pedagiada. Motoristas que circulam com frequência entre Sorocaba e Itu, (12,5 - Sul) pagam R$ 6,74 em um sentido; já em Indaiatuba, antes do acesso ao aeroporto (60,8 - Norte) o valor é de R$ 19,40 tanto na ida quanto na volta. Duas concessionárias são responsáveis pela SP - 75. Do km 0 ao km15, entre Sorocaba e Itu, é a Sorocabana. Já entre o km15 ao km 77+600, entre Itu e Campinas, é a Via Appia, antiga Colinas.
O que mais chama a atenção é que se tornou comum ver lixo, como papéis, copos plásticos e sacolas, além de pedaços de latarias de veículos, calotas partidas, pneus estourados, partes de carrocerias de caminhões e até sacos de lixo que se espalham ao longo do trajeto da SP-75, principalmente, no trajeto que faz parte da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Usuários frequentes inclusive notaram que isso se intensificou nos últimos meses, oferencendo riscos em caso de uma parada emergencial no acostamento ou quando esses materais se deslocam para a pista.
Limpeza demorada
No canteiro central do quilômetro 29, SP-75, em Itu, o que restou de um caminhão prova que a limpeza está mais demorada que o normal. O acidente ocorreu no dia 29 de janeiro deste ano. As imagens que estão nesta reportagem foram feitas praticamente um mês depois, mostrando que o prazo previsto de limpeza não foi respeitado.
A ocorrência envolveu um caminhão que transportava esterco e capotou após o motorista perder o controle da direção e parou no canteiro central da via, segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O motorista e o passageiro ficaram feridos, um deles de forma leve e o outro, em estado grave. Equipes da concessionária, do Corpo de Bombeiros, além do helicóptero Águia, da Polícia Militar, atuaram nesse atendimento. Por conta da gravidade, o acidente provocou cerca de seis quilômetros de congestionamento nos dois sentidos da rodovia.
Basta olhar para as marcas de frenagem na pista e na grama, para infelizmente, perceber que os acidentes são comuns nesse trecho da rodovia. Muitos caminhões de grande porte, carros de passeio, ônibus e motocicletas circulam na região, que também dá acesso a outras importantes estradas que ligam a várias regiões do País.
Ou seja, é real o risco desse tipo de material, deixado no acostamento ou no canteiro central, agravar ainda mais a situação em caso de um veículo avançar sobre o local, onde há resíduos, ou ainda em caso de chuva, quando esses pedaços de madeira e pneus podem ser levados pela água para o asfalto.
Este trecho da SP-75 que passa em Itu, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), registrou aumento de 4% no número de acidentes em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo a concessionária Via Colinas. Os números absolutos não foram detalhados.
Durante a viagem realizada pela reportagem do Cruzeiro do Sul para verificar as condições, foram identificados, em alguns pontos, às margens da rodovia, resíduos e partes de veículos. A pista, no entanto, naquele momento, estava limpa, sem objetos que atrapalhassem a circulação dos veículos.
O que dizem os motoristas
Um motorista ouvido pela reportagem relatou ter encontrado restos de acidentes em outras ocasiões ao longo do trecho. O ajudante de motorista Vinícius Constantino Vilela, de 20 anos, passa pela rodovia semanalmente no trajeto entre Campinas e Sorocaba. Segundo ele, em uma das viagens, encontrou peças espalhadas pela via provenientes de um veículo, após um acidente.
“Era pneu, para-choque, tudo batido na rodovia”, disse. Ele afirmou que, ao retornar pelo mesmo local cerca de duas semanas depois, os destroços ainda permaneciam no local. O motorista também relatou ter passado por uma situação de risco ao atingir um objeto na pista. “Passei por cima de um para-choque e o carro perdeu tração. Quase rodei”, contou.
A auxiliar administrativa Carla Mendes, de 34 anos, que também utiliza a rodovia com frequência, afirmou já ter visto restos de acidentes no acostamento em diferentes ocasiões. Segundo ela, a presença desses materiais causa insegurança para quem trafega pelo local.
“Às vezes a gente passa e vê pedaços de carro, pedaços de pneu. Dá a sensação de que o acidente aconteceu faz tempo e ainda não limparam”, relatou.
O caminhoneiro José Roberto da Silva, de 47 anos, disse que trafega diariamente pelo trecho e considera que a retirada deveria ser mais rápida. “Tem vez que fica bastante tempo no acostamento. Para quem dirige direto, isso preocupa, porque qualquer peça que vai para a pista pode causar outro acidente”, afirmou.
Protocolo de remoção
Em nota, a Concessionária Appia, antiga Via Colinas, informou que adota protocolo para remoção de veículos e componentes durante o atendimento das ocorrências. Segundo a concessionária, após o socorro às vítimas, equipes de inspeção e guincho leve ou pesado realizam a retirada dos materiais, que são encaminhados à base do Policiamento Militar Rodoviário ou ao local indicado pelo proprietário.
Caso algum objeto seja identificado posteriormente, as equipes de conservação, responsáveis pela limpeza diária da rodovia, efetuam a remoção. Contudo, a concessionária não explicou o porquê isso não ocorreu no caso do material que sobrou do caminhão, após o acidente, no final de janeiro, no km 29, em Itu.
Já a concessionária Sorocabana também disse em nota que a remoção de objetos na pista, como madeira, resíduos diversos e ressolagem (restos de pneus), integra a rotina permanente de inspeção e conservação da rodovia sob concessão no interior paulista. Por força contratual, a concessionária deve realizar ciclos de inspeção a cada 90 minutos em todo o trecho administrado. Na segunda-feira (2), teriam sido recolhidas mais de duas toneladas de materiais ao longo do trecho administrado pela concessionária.
Fiscalização e prazo para limpeza
A Artesp afirma que realiza fiscalização diária nas rodovias concedidas e que eventuais não conformidades são registradas para que a concessionária responsável faça as correções necessárias. Segundo o órgão, os prazos para remoção de resíduos e limpeza são de até uma semana após a ocorrência.
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que a fiscalização do trecho é de responsabilidade da Artesp, por se tratar de rodovia concedida.
Sobre o trecho da SP-75, na Região Metropolitana de Sorocaba, que apresenta maior quantidade de materiais no acostamento, a Artesp informa que acompanha a programação de serviços da concessionária e que fará nova verificação no local ainda nesta semana para avaliar as condições de limpeza. Caso seja constatado o descumprimento de prazos ou obrigações contratuais, poderá ser instaurado processo administrativo sancionatório, com possibilidade de aplicação de multa. (Da Redação)
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