SAÚDE PÚBLICA
Estoques de sangue caem 20% e Colsan reforça apelo por doadores
Mesmo após campanhas no período do carnaval, número diário de doações está abaixo da meta necessária para abastecer hospitais
Os estoques de sangue registraram queda de cerca de 20% nos últimos dias, segundo a Colsan - Associação Beneficente de Coleta de Sangue. A redução preocupa porque pode impactar diretamente o abastecimento de hospitais da região.
De acordo com o médico Frederico Brandão, a instituição vinha mantendo os níveis estáveis após campanhas realizadas antes e durante o carnaval, mas houve diminuição recente na adesão dos doadores.
“Nós fizemos várias campanhas para cobrir o período do carnaval e tivemos uma boa participação da população. Porém, nos últimos dias observamos uma redução em torno de 20% nas doações. Isso pode impactar os estoques e eventualmente prejudicar o abastecimento”, afirma.
A meta da instituição é alcançar 120 doações por dia para manter o estoque em nível seguro. Em dias de menor movimento __ principalmente de segunda a quinta-feira __ o número chega a cair para cerca de 90 doadores diários.
“Precisamos desse número todos os dias para garantir sangue suficiente para atender todos os hospitais”, reforça Brandão.
Tipos mais necessários
Entre os tipos sanguíneos mais estratégicos estão o O positivo e o O negativo. O primeiro é o mais comum na população, enquanto o segundo é considerado doador universal e amplamente utilizado em situações de emergência.
“O O positivo e o O negativo são os que mais precisamos. O O negativo, especialmente, é fundamental em emergências. Mas todos os tipos são importantes”, destaca o médico.
A professora Lilian Souza descobriu que é O negativo e passou a doar com mais frequência. “Fiquei super feliz quando vi que meu sangue era negativo. Sei que posso ajudar qualquer pessoa. Já doei três ou quatro vezes e isso me motiva ainda mais”, conta. Ela lembra que o gesto ganhou ainda mais significado quando um tio precisou de transfusão durante internação.
Validade curta exige doação constante
Uma bolsa de sangue tem validade média de 35 dias. Já o concentrado de plaquetas dura apenas cinco dias, enquanto o plasma pode ser armazenado por até dois anos. Por isso, a renovação constante é indispensável.
“Como alguns componentes têm validade muito curta, precisamos manter a regularidade nas doações para não comprometer o atendimento”, explica Brandão.
Quem pode doar
Podem doar pessoas com boa saúde, peso acima de 50 quilos e idade entre 16 e 69 anos. Antes da coleta, o candidato passa por triagem com profissional de saúde.
Homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes por ano. Mulheres, a cada três meses, até três vezes por ano.
O pedreiro Vicente Ramon da Costa Neto segue esse intervalo à risca. Doador há muitos anos, ele comparece a cada três meses. “A gente vê muitos acidentes acontecendo. Eu já sofri acidente e precisei de sangue. Então eu sei como é importante”, relata.
Superar o medo
Entre os obstáculos mais comuns está o receio do procedimento. Para a professora Jéssica Iara de Menezes, que doa há cerca de dois anos, a decisão veio após campanhas de conscientização. “A gente vê muitas propagandas falando que está faltando sangue. Sempre que dá, eu venho doar”, diz. Sua última doação foi há seis meses.
Laurina Cristina de Aguiar, atualmente desempregada, também é doadora regular e reforça que o medo é a principal barreira. “Muita gente não doa por receio, mas não dói, é super tranquilo e o pessoal é muito atencioso. É um gesto bonito”, afirma. Ela explica que, por ser O negativo, pode ajudar qualquer pessoa e, desta vez, compareceu para auxiliar alguém próximo que precisava.
Segundo Brandão, ainda circulam mitos sobre a doação. “Algumas pessoas perguntam se, ao doar uma vez, precisam doar sempre, ou se o sangue afina ou engrossa. Isso não acontece. Respeitando os intervalos corretos, não há prejuízo à saúde. É um ato de cidadania”, esclarece.