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Queda no preço dos recicláveis paralisa coleta seletiva e afeta bairros de Sorocaba

Coreso perdeu quase metade dos cooperados e suspendeu coleta em regiões como Wanel Ville, Central Parque e zona leste

28 de Fevereiro de 2026 às 20:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
Por causa de dificuldades, cooperados pedem que materiais sejam levados ao Ecoponto, na Vila Colorau
Por causa de dificuldades, cooperados pedem que materiais sejam levados ao Ecoponto, na Vila Colorau (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)


A forte queda no preço dos materiais recicláveis tem provocado uma crise na Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) e já impacta a coleta seletiva em muitos bairros da cidade. Segundo a secretária e membro da diretoria da cooperativa, Cláudia Maria Rodrigues Machado, a redução superior a 30% nos valores pagos pela indústria inviabilizou a manutenção da equipe e obrigou a suspensão parcial dos serviços.

De acordo com ela, o plástico do tipo PET (um dos principais materiais comercializados) caiu cerca de R$ 5,20 para R$ 2,90 o quilo em algumas semanas. “O que a gente tirava na quinzena, R$ 1.000, R$ 1.200, agora está em R$ 500. Não está pagando nem o vale-transporte”, afirmou.

A cooperativa, que chegou a contar com mais de 55 cooperados, atualmente opera com cerca de 30 trabalhadores. “Em um dia tinha dois cooperados para ir à rua. Para sair com os caminhões, preciso de pelo menos 16 pessoas”, relata Cláudia.

Com a redução do quadro, quatro caminhões ficaram parados durante a semana e bairros como Central Parque, Jardim Bandeirantes, Wanel Ville, Jardim Simus e Cidade Jardim estão há quase um mês sem coleta regular. A situação também afeta condomínios de grande porte, que garantem volume significativo de material para triagem.

A Coreso mantém acordo de cooperação com a Prefeitura de Sorocaba, renovado anualmente. No entanto, não há subsídio financeiro direto. A renda dos cooperados depende exclusivamente da venda dos recicláveis. “Sem auxílio, sem um contrato emergencial, não conseguimos manter os cooperados”, lamenta Cláudia.

A diretoria da Coreso protocolou ofícios ao prefeito, à Secretaria de Governo, à Secretaria do Meio Ambiente e aos vereadores solicitando apoio emergencial. Segundo Cláudia, a assessoria do prefeito informou que o pedido foi encaminhado para análise da Secretaria de Governo e aguarda despacho.

Moradores

No Wanel Ville, onde a coleta seletiva foi implantada em 2019 após mobilização da comunidade, a interrupção tem gerado reclamações. O presidente da associação de bairro, Célio Nascimento, afirma que a prática estava consolidada entre os moradores.

“Hoje estamos passando grande dificuldade. A falta da coleta desmotiva quem separa o material. Alguns levam ao Ecoponto, mas a maioria acaba descartando junto ao lixo orgânico”, diz Célio. Segundo ele, houve aumento do volume de resíduos nos contêineres, que já são insuficientes para atender a demanda, deixando pontos de acúmulo nas ruas.

A associação tem mobilizado moradores a fim de sensibilizar o poder público sobre a necessidade de investimentos nas cooperativas. “Entendemos que a única forma é a prefeitura contratar de forma emergencial os serviços da cooperativa para manter os cooperados na ativa”, considera Célio.

Posicionamento

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba reconheceu o papel das cooperativas na proteção ambiental e geração de renda, mas enfatizou que a queda no preço dos recicláveis ocorre em âmbito nacional.

A administração municipal esclareceu que não há repasse financeiro às cooperativas, apenas acordo de cooperação para a realização da coleta seletiva porta a porta, triagem e comercialização. A prefeitura afirma que investe na concessão de barracão, caminhões com insumos e motoristas, além de equipamentos de triagem, sendo a mão de obra de responsabilidade das cooperativas.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), as cooperativas recolhem cerca de 300 toneladas de recicláveis por mês em Sorocaba.

A administração municipal informou ainda que participa do programa Integra Resíduos, do governo estadual, que estuda um novo modelo regional para a gestão de resíduos sólidos, incluindo a integração de catadores. Desta maneira, a prefeitura aguarda a definição dos próximos passos do programa estadual.

Enquanto isso, a Coreso orienta que moradores levem os materiais recicláveis diretamente ao Ecoponto da cooperativa, que fica na rua Encarnação Rando Castelucci, 70, Vila Colorau. “Se a esteira parar, não temos mais o que fazer. A gente precisa de ajuda para não parar de vez”, conclui Cláudia. (Caroline Mendes)

 

 

 

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