Internacionalização
Espanha como porta de entrada para empresariado sorocabano
Encontro na Acso reúne representantes empresariais e diplomáticos para debater expansão de empresas brasileiras
A internacionalização ainda não é um movimento consolidado entre empresas de Sorocaba, mas o tema começa a ganhar espaço nas discussões do setor produtivo local. A possibilidade de acessar o mercado europeu por meio da Espanha foi debatida, na manhã de ontem (25), durante o evento “Negócios com a Espanha: Um Horizonte de Oportunidades”, realizado na sede da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), no Centro da cidade.
Promovido em parceria com o Fórum Empresarial Hispano-Brasileiro (FEHB), Casa de España Don Felipe II e entidades como Agem, Ciesp e Sebrae, o encontro reuniu empresários, representantes de instituições regionais e o Consulado Geral da Espanha em São Paulo. A programação incluiu palestras sobre oportunidades regionais na Espanha, aspectos legais para abertura de empresas e espaço para networking entre participantes.
A proposta, segundo o presidente da Acso, Hygor Duarte, é ampliar a visão dos empresários locais sobre possibilidades de atuação fora do país. Ele afirmou que o Brasil representa parcela reduzida da economia global, o que indica espaço para expansão. “O Brasil faz parte de 2% da economia mundial e temos 98% à nossa disposição. Se o brasileiro consegue empreender aqui, ele consegue empreender em qualquer lugar”, declarou.
Duarte reconheceu que ainda não existe uma procura consolidada por expansão internacional na cidade. Segundo ele, o objetivo do encontro foi justamente estimular esse movimento. “Não existe essa procura, mas estamos provocando essa demanda para que o empresário sorocabano comece a olhar para outros cenários.”
De acordo com o presidente da associação, a escolha da Espanha levou em consideração fatores práticos, como a proximidade linguística, e também elementos históricos, como a presença de descendentes espanhóis em Sorocaba. A cidade também mantém vínculos culturais com a comunidade espanhola, especialmente em bairros como a Vila Hortência.
Estratégia de acesso à União Europeia
Para o presidente do Fórum Empresarial Hispano-Brasileiro, Felipe Pousada Prado, a Espanha reúne condições que a colocam como alternativa viável para empresas brasileiras interessadas em acessar o mercado europeu.
“A Espanha hoje é a porta de entrada da União Europeia. É a economia que mais cresce na zona do euro e tem uma relação histórica muito forte com a América Latina”, afirmou.
Segundo ele, essa combinação de crescimento econômico, integração ao bloco europeu e proximidade cultural cria um ambiente que pode facilitar o processo de internacionalização. Ao se estabelecer na Espanha, a empresa brasileira não atua apenas no mercado interno do país, mas passa a integrar um espaço econômico mais amplo, com circulação de bens e serviços entre os países membros da União Europeia.
Prado destacou que o debate sobre internacionalização precisa considerar planejamento e conhecimento das estruturas regionais espanholas. Durante o evento, foram apresentadas informações sobre comunidades autônomas como Andaluzia, Catalunha, País Basco e Galícia (Ourense), cada uma com políticas próprias de incentivo, apoio institucional e estratégias de atração de investimentos.
O cônsul-geral da Espanha em São Paulo, Pablo Montesino-Espartero, ressaltou que a relação econômica entre os dois países já possui base consolidada e histórico de investimentos relevantes. “A Espanha é o investidor número dois no Brasil, depois dos Estados Unidos”, afirmou.
Segundo ele, essa presença empresarial espanhola no país foi resultado de um movimento de internacionalização ocorrido nos anos 1990, quando companhias da Espanha passaram a buscar novos mercados e encontraram no Brasil oportunidades de expansão. Esse processo, de acordo com o diplomata, ajudou a fortalecer os laços econômicos bilaterais ao longo das últimas décadas.
Para Montesino-Espartero, a entrada de empresas brasileiras na Espanha pode representar um movimento semelhante, agora no sentido inverso. Ele explicou que atuar no mercado espanhol significa, na prática, acessar o mercado da União Europeia, ampliando o alcance comercial das companhias.