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Saúde

Sorocaba registra 375 mil faltas em consultas médicas

Ausências somam 31% nas UBSs e 22% na Policlínica

24 de Fevereiro de 2026 às 21:00
Caroline Mendes [email protected]
Absenteísmo gera reflexos: atraso nos diagnósticos, aumento da procura por atendimento em UPAs e desorganização das agendas médicas
Absenteísmo gera reflexos: atraso nos diagnósticos, aumento da procura por atendimento em UPAs e desorganização das agendas médicas (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO/ARQUIVO JCS)

Sorocaba contabilizou, em 2025, 375.672 consultas não realizadas por ausência de pacientes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na Policlínica. Os dados, extraídos do Sistema de Gestão Pública de Saúde (SIS), apontam taxa de absenteísmo de 31% nas UBSs e 22% na Policlínica.

Nas UBSs, foram registradas 347.017 faltas ao longo do ano. Já na Policlínica, o número chegou a 28.655 ausências. Segundo a Secretaria da Saúde (SES), os percentuais consideram a base histórica consolidada até a presente data.

Em comparação com 2024, houve redução no índice de faltas nas UBSs. No ano passado, a taxa era de 34%, caindo para 31% em 2025. A Prefeitura não informou dados comparativos da Policlínica em relação ao ano anterior.

Embora não haja estimativa de impacto financeiro nas UBSs, as ausências provocam efeitos diretos na organização do sistema. Na Policlínica, onde não é possível realizar “encaixe” para ocupar horários vagos, a perda das 28.655 consultas representa aproximadamente R$ 900 mil em horas médicas não aproveitadas.

De acordo com a Secretaria da Saúde, nas UBSs parte das vagas pode ser otimizada no próprio dia, caso haja pacientes aguardando atendimento por demanda espontânea. Ainda assim, o volume de faltas impacta a produtividade e o acesso.

A pasta alerta que o absenteísmo gera reflexos a curto, médio e longo prazo. Entre as consequências imediatas estão atraso no diagnóstico de doenças agudas, aumento da procura por atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e desorganização das agendas médicas. Em prazos mais longos, pode haver descontrole de doenças crônicas, complicações na gestação e diagnóstico tardio de enfermidades como câncer de colo do útero e mama.

Especialidades com mais faltas

Nas UBSs, as especialidades com maior volume absoluto de ausências acompanham a oferta de vagas. Médico clínico lidera, com 269.913 agendamentos ofertados e taxa de absenteísmo de 28%. Em seguida aparecem: coleta de exames na atenção primária (210.740 agendamentos; 32% de faltas); médicos da Estratégia Saúde da Família (151.844; 30,7%); pediatria (130.632; 33,4%); ginecologia (123.233; 32,6%).

Proporcionalmente, enfermagem apresenta uma das maiores taxas percentuais: 42,6%, embora com menor volume total de agendamentos.

Na Policlínica, as especialidades com maior número de faltas são ortopedia e traumatologia (3.259), dermatologia (2.744), fisioterapia (2.469), pneumologia (2.194) e ginecologia e obstetrícia (1.999). Os números refletem o volume de vagas ofertadas em cada área.

Confirmação por WhatsApp

A estratégia de lembrete de consultas via WhatsApp começou em agosto de 2024, inicialmente com envio manual pelas unidades de saúde. Em setembro de 2025, a Prefeitura iniciou projeto-piloto automatizado na Policlínica, em caráter de teste e com envio em volume reduzido.

No modelo inicial, as mensagens funcionam como lembrete, e as respostas são tratadas manualmente pelas equipes. No piloto automatizado, há possibilidade de interação do paciente, mas o sistema ainda passa por validações antes de eventual ampliação.

Segundo a Secretaria, é possível verificar o status de entrega e leitura das mensagens. A ausência de confirmação, porém, não implica cancelamento automático da consulta.

A Prefeitura também realiza campanha de atualização cadastral para manter telefones e endereços atualizados, além de afixar “faltômetros” nas UBSs para divulgar mensalmente os índices de comparecimento. O tema é debatido nos conselhos locais de saúde, e há planejamento para reduzir o intervalo entre agendamento e consulta como forma de diminuir esquecimentos.

No caso de consultas especializadas, o paciente que falta sem justificativa precisa reiniciar o processo de inclusão na demanda.

Para a Secretaria da Saúde, as faltas não representam apenas horários ociosos, mas comprometem a eficiência da Atenção Primária, base do Sistema Único de Saúde (SUS), e ampliam a sobrecarga em outros níveis de atendimento.