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Refeição fora de casa custa R$ 54,02 em Sorocaba

Pesquisa aponta alta de 9% em um ano e indica impacto no poder de compra de trabalhadores com vale-refeição

18 de Fevereiro de 2026 às 21:00
Thaís Verderamis [email protected]
Custo da refeição impacta orçamento de trabalhadores
Custo da refeição impacta orçamento de trabalhadores (Crédito: ARQUIVO JCS)

Um dos benefícios oferecidos ao trabalhador com carteira assinada, sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é o vale-refeição (VR). Trata-se de um valor creditado mensalmente, por meio de cartão, para que o colaborador possa se alimentar nos dias de trabalho.

Em Sorocaba, o preço da refeição completa fora de casa chegou a R$ 54,02, alta de 9% em relação ao ano passado.

Segundo pesquisa contratada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), a inflação nas refeições fora do lar reduz o poder de compra. O levantamento informa que o valor creditado nos vales é definido previamente pelo empregador e demonstra o impacto do custo da alimentação sobre o salário dos brasileiros, que, segundo o IBGE, estava em cerca de R$ 3,2 mil no ano passado.

De acordo com a ABBT, o reajuste do benefício não acompanha a variação dos preços. Considerando o preço médio da refeição completa no país, o valor necessário para o trabalhador se alimentar em 21 dias úteis no mês é de R$ 1.135,42, o que representa impacto de 36,4% no salário médio.

Em Sorocaba, conforme o levantamento, o prato feito (PF) custa R$ 38,92; o self-service, ou autosserviço por quilo, R$ 55,59; o prato executivo, R$ 60,36; e o à la carte, R$ 76,49. A média é de R$ 54,02.

A ABBT esclarece que o vale-refeição não é obrigatório pela CLT, tornando-se exigido apenas quando previsto em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ou acordo sindical, que definem valores mínimos e reajustes anuais.

Praça de alimentação

Em visita à praça de alimentação do Shopping Sorocaba, no Centro da cidade, os valores dos pratos seguem a média de R$ 54, com variações conforme ingredientes, tamanho e inclusão de bebida. As opções mais acessíveis são lanches ou pratos com itens como bisteca suína, linguiça, steak de frango ou hambúrguer.

Uma trabalhadora que preferiu não se identificar afirmou que recebe VR da empresa. O valor, segundo ela, não cobre a alimentação do mês. “Eu recebo R$ 29,99 por dia trabalhado, em média R$ 600 por mês”, relata. Como o benefício não é suficiente, utiliza parte do recurso para compras no supermercado e leva marmita ao trabalho. Em oito anos na empresa, afirma ter recebido, apenas, dois reajustes.

Outra colaboradora sob regime CLT também relatou que o valor não cobre as despesas mensais. “Eu recebo R$ 32 por dia, aproximadamente R$ 672 por mês. Utilizo para almoçar todos os dias, mas não é suficiente”, diz.