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Solidariedade

Hidratação ganha espaço no cuidado a pacientes com câncer e motiva campanha de doação em Sorocaba

Hoje, o hospital entrega cerca de 150 unidades por dia — aproximadamente 3 mil por mês — e o estoque atual deve ser suficiente apenas até o início de março

17 de Fevereiro de 2026 às 14:28
Da Redação [email protected]
As doações podem ser feitas no Setor de Doações da Santa Casa, na rua Pedro José Senger, 98, no bairro Árvore Grande
As doações podem ser feitas no Setor de Doações da Santa Casa, na rua Pedro José Senger, 98, no bairro Árvore Grande (Crédito: Arquivo JCS)

Manter a hidratação adequada é um desafio frequente para pacientes em tratamento contra o câncer. Náuseas, alterações no paladar, vômitos e perda de apetite são alguns dos efeitos colaterais que acabam reduzindo a ingestão de líquidos e podem impactar diretamente a tolerância às terapias. Em Sorocaba, a busca por alternativas que ajudem nesse processo levou a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba a reforçar uma campanha de arrecadação de água de coco destinada a pacientes oncológicos.

A bebida é distribuída diariamente como parte do cuidado de suporte oferecido durante o tratamento. Hoje, o hospital entrega cerca de 150 unidades por dia — aproximadamente 3 mil por mês — e o estoque atual deve ser suficiente apenas até o início de março, o que motivou um novo apelo à população.

O volume acompanha a rotina intensa da unidade. Em 2025, o Hospital do Câncer realizou mais de 35 mil atendimentos oncológicos, entre eles 14.612 sessões de quimioterapia, 859 radioterapias e 886 cirurgias.

Hidratação como parte do cuidado diário

Segundo a médica oncologista clínica Dra. Bruna Carone, a água de coco é uma opção frequentemente bem aceita pelos pacientes por ser leve e conter eletrólitos naturais que ajudam na reposição hídrica.

“A água de coco contém água e eletrólitos como potássio e sódio, funcionando como um isotônico natural. Durante o tratamento oncológico, muitos pacientes têm dificuldade para manter uma hidratação adequada, e ela pode ajudar a repor líquidos de forma mais agradável e eficiente”, explica.

A especialista afirma que a hidratação adequada pode aliviar sintomas comuns durante a terapia oncológica, como fadiga, boca seca, fraqueza e episódios de náusea ou vômito.

“Ela auxilia em casos de náuseas, fadiga, fraqueza, boca seca, diarreia e vômitos, além de ajudar quando há queda de pressão causada pela desidratação”, afirma.

Impacto direto na continuidade do tratamento

De acordo com a oncologista, pacientes em quimioterapia estão entre os que apresentam maior risco de desidratação. Além do desconforto físico, o problema pode interferir diretamente na capacidade do paciente de seguir o cronograma terapêutico.

“Os tratamentos podem causar vômitos, diarreia, redução do apetite e alterações no paladar. A desidratação pode levar à queda de pressão, alterações renais, mais cansaço e pior tolerância aos ciclos de tratamento”, destaca.

A médica aponta que a hidratação influencia não apenas o bem-estar, mas também aspectos clínicos do tratamento. “Um paciente bem hidratado costuma ter menos efeitos colaterais, mais disposição, melhor funcionamento renal e maior capacidade de manter o tratamento conforme planejado.”

Complemento, não substituição

Embora ajude no conforto e na recuperação, a água de coco não faz parte do protocolo médico obrigatório. A especialista reforça que a bebida atua como apoio ao cuidado clínico.

“Ela é um complemento. Não substitui medicações ou soro quando indicados. Faz parte de um cuidado de suporte, assim como uma alimentação adequada”, explica.

Segundo a oncologista, a importância da hidratação ainda é pouco compreendida fora do ambiente hospitalar. “Muitas pessoas não sabem que a hidratação influencia diretamente na tolerância e na segurança do tratamento. Ela ajuda o organismo a metabolizar medicamentos, protege os rins, reduz complicações e melhora a qualidade de vida do paciente.”

Campanha busca manter abastecimento contínuo

A campanha de doação é reforçada periodicamente pela equipe de voluntariado da Santa Casa, sempre que há necessidade de reposição do estoque. Não há meta fixa de arrecadação — o objetivo é manter o fornecimento contínuo aos pacientes.

As doações podem ser feitas no Setor de Doações da Santa Casa, na rua Pedro José Senger, 98, no bairro Árvore Grande. A preferência é por embalagens de 200 ml, que facilitam a distribuição individual, mas também são aceitas unidades de 1 litro. (João Frizo)

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