Denúncia
Homem é preso por desviar doações de menino com Duchenne
Um homem de 22 anos foi preso em Itaquaquecetuba, após investigações da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público (MP), por estelionato. A vítima é Arthur Jordão Lara, de seis anos, portador de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), morador de Sorocaba.
Após a abertura do Boletim de Ocorrência (BO), foi dado início às investigações. Segundo a Polícia Civil, o autor buscava campanhas de doações on-line em redes sociais. Em seguida, identificava os principais erros que as pessoas poderiam cometer ao digitar a chave PIX. O criminoso criava chaves com esses erros em suas contas bancárias e aguardava o equívoco dos doadores.
No caso envolvendo Arthur, o autor do crime criou duas chaves semelhantes com erro. Até o momento, foram encontrados dois valores na conta do investigado: R$ 300 e R$ 50. No entanto, o valor exato ainda está sendo apurado.
O inquérito policial foi concluído, o Ministério Público apresentou denúncia e as demais providências estão sob encargo do Poder Judiciário.
Doador alerta a família sobre o golpe
Segundo a mãe de Arthur, Natália Jordão, o golpe foi descoberto após o aviso de um doador. “Eu recebi uma mensagem no dia 3 de janeiro, de um doador de Pilar do Sul. Não o conheço. Ele me contou”, afirma.
A mensagem continha a seguinte frase: “Olha, fui fazer um PIX para o Arthur e apareceu outro nome. Sou cristão e senti de te avisar”, informou o doador.
Desconfiada de um erro, Natália tentou fazer um PIX para a conta das doações, mas, por ter a chave salva no celular, não teve problemas. Pouco tempo depois, uma conhecida do casal também tentou efetuar a doação e teve o mesmo problema, notificando Josias de Lara, pai de Arthur.
Foi quando a família começou a desconfiar de que algo podia estar errado. “Tentamos mudar a chave do Arthur e descobrimos que havia outros nomes. Imediatamente abrimos um boletim de ocorrência e eles nos ajudaram”, informou Natália.
Entenda o caso
Arthur Jordão Lara, de seis anos, é portador de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD). A doença genética e degenerativa atinge diretamente os músculos e causa deficiência da proteína distrofina, necessária para a proteção da membrana celular, o que gera fraqueza e afeta principalmente a locomoção, o sistema respiratório e o coração.
Nos Estados Unidos (EUA), foi desenvolvido um medicamento chamado Elevidys, que pode evitar a progressão da doença. A família entrou na Justiça para adquirir o medicamento. Em dezembro de 2024, recebeu liminar para a compra do remédio, que é de dose única.
No entanto, devido a alguns casos ocorridos nos EUA, o medicamento foi suspenso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde então, a família luta para arrecadar R$ 17 milhões para a compra do medicamento.
A família tem pressa: o medicamento só pode ser administrado no Brasil a crianças de até sete anos e 11 meses que ainda conseguem andar. Arthur já tem mais de seis anos e meio. (Thaís Verderamis)