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Política

CPI da Saúde é encerrada após cinco sessões e gera reação da oposição na Câmara

Relatório é aprovado por maioria e será enviado ao Ministério Público Federal; vereadores criticam falta de oitivas e classificam desfecho como "abrupto"

12 de Fevereiro de 2026 às 19:20
Vernihu Oswaldo [email protected]
Com apenas dois depoimentos colhidos, comissão termina 92 dias após a abertura, sob protestos e acusações de blindagem política
Com apenas dois depoimentos colhidos, comissão termina 92 dias após a abertura, sob protestos e acusações de blindagem política (Crédito: Divulgação / Câmara de Sorocaba )

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde foi encerrada nesta quinta-feira (12), após apenas cinco sessões, sem ouvir secretários municipais e com poucas oitivas. A decisão surpreendeu vereadores e o público presente, além de gerar críticas de parlamentares da oposição. O relator da CPI, Cristiano Passos (Republicanos), apresentou para votação um relatório a ser enviado ao Ministério Público Federal. O documento foi submetido primeiro à leitura e, em seguida, à deliberação para envio, sendo aprovado pela maioria dos parlamentares.

O relatório recebeu 12 votos favoráveis e cinco contrários. Outros cinco vereadores estiveram ausentes. O relator e o presidente da CPI não votaram, e o presidente da Câmara, Pastor Luis Santos (Republicanos), não integra a comissão.

O anúncio da apresentação do relatório foi feito pelo presidente da comissão, Cláudio Sorocaba (PSD), e causou surpresa no plenário, tanto entre os vereadores quanto na audiência. A expectativa era de que fossem votadas novas oitivas. Diversos parlamentares se manifestaram, afirmando que seria um “absurdo a CPI acabar tendo feito poucos avanços”. Iara Bernardi (PT), por exemplo, considerou sem sentido “enviar ao Ministério Público documentos que ele já tem”. Já Fernanda Garcia (PSOL) chegou a entregar uma pizza ao presidente Cláudio Sorocaba, com os dizeres: “CPI da Saúde. Sabor Morte”.

A CPI, instaurada em 13 de novembro de 2025, foi encerrada 92 dias depois, tendo ouvido apenas dois fiscais de contratos e realizado cinco reuniões. O relator Cristiano Passos afirmou que “como a Polícia Federal já concluiu o inquérito e encaminhou denúncia ao Ministério Público, o relatório segue a mesma lógica, baseado nos documentos disponíveis”.

Por sua vez, o presidente da CPI, Cláudio Sorocaba, justificou a não convocação de mais pessoas dizendo: “Não adianta trazer alguém aqui que já prestou depoimento lá [na Polícia Federal] e dar um depoimento diferente aqui. Então usamos os mesmos depoimentos, que fazem parte do material que será enviado ao Ministério Público”.

Questionado se temia ser investigado pela Polícia Federal em razão do conteúdo de um áudio vazado na sessão ordinária de terça-feira (10), respondeu que “eu temo só Deus, filho. Só Deus. Sobre o áudio: vocês sabem que aquele assunto não tinha nada a ver com a CPI”.

Segundo informações da Câmara, Fernando Dini (PP) votou à distância. Porém, no início da noite o vereador divulgou uma carta aberta, na qual diz: “Informo que não estive presente na sessão. Na última terça-feira, passei por um procedimento cirúrgico previamente agendado e, nesta quinta-feira, estive à tarde de licença médica e, por isso, estive ausente e não votei na CPI que ocorreu na parte da tarde. Portanto, não participei da votação e não registrei voto. A transparência sempre pautou meu trabalho, e, por isso, faço este esclarecimento para evitar interpretações incorretas sobre minha atuação”. A assessoria de Fernando Dini confirmou que o vereador participou, à distância, das votações da manhã.

Polêmica

Dylan Dantas (PL), propositor da CPI, afirmou que não ficou satisfeito com o resultado. “Nós não ouvimos ninguém! Ouvimos alguns funcionários concursados que não agregaram nada. Encerrar dessa forma é um absurdo. Eu votei contra encerrar essa CPI, mas a maioria preferiu esse encerramento abrupto”.

Raul Marcelo (PSOL) usou palavras duras: “Esse relatório é um escárnio para a população de Sorocaba. Não representa ninguém que vive na cidade, apenas uma cúpula política completamente desconectada da realidade. É o maior escândalo de corrupção que se viu em nossa cidade, envolvendo uma série de agentes políticos”.

Iara Bernardi, uma das vereadoras que mais demonstrou surpresa com a decisão da Mesa Diretora, afirmou que os parlamentares estariam blindando o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) e acusou o prefeito afastado de interferir no andamento da Câmara. Raul fez eco à declaração de Iara e disse que irá formalizar denúncia junto ao Ministério Público Federal. Ele, Iara, Dylan e Izídio Brito (PT) pediram que seus nomes fossem retirados do relatório final da CPI.


VOTARAM A FAVOR DE ENCERRAR A CPI

Alexandre da Horta (Solidariedade)
Caio Oliveira (Republicanos)
Cícero João (Agir)
Fábio Simoa (Republicanos)
Fausto Peres (Podemos)
Fernando Dini (PP)
Henri Arida (MDB)
João Donizeti (União)
Rafael Militão (Republicanos)
Rodolfo Ganem (Podemos)
Rogério Marques (Agir)
Silvano Júnior (Republicanos)

VOTARAM CONTRA

Fernanda Garcia (PSOL)
Raul Marcelo (PSOL)
Iara Bernardi (PT)
Izídio Brito (PT)
Dylan Dantas (PL)

AUSENTES

Toninho Corredor (Agir)
Tatiane Costa (PL)
Roberto Freitas (PL)
Jussara Fernandes (Republicanos)
Ítalo Moreira (União)