Sorocaba
Evento encerra ciclo de capacitação voltado às mulheres do agro
A proposta foi apresentar capacitações, orientações técnicas e relatos de experiências voltados às mulheres
O terceiro módulo do programa “Mulheres: É Tempo de Colheita!” reuniu mulheres de Sorocaba e região na noite de terça-feira (10), no Sindicato Rural, encerrando o ciclo de encontros promovido pela Comissão Semeadoras do Agro, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), em parceria com o Senar e o Sebrae. A proposta foi apresentar capacitações, orientações técnicas e relatos de experiências voltados às mulheres que atuam no campo, na pecuária e em atividades ligadas à cadeia produtiva rural.
O encontro integrou a terceira etapa do programa, que anteriormente já havia passado pelos módulos “Mulheres, descubram-se no campo” e “Mulheres, é tempo de semear”. Nesta fase final, o foco esteve na aplicação prática do conhecimento adquirido, com informações sobre comercialização, gestão da produção, empreendedorismo e acesso a serviços de apoio ao produtor rural.
Participante assídua das ações promovidas pelo sindicato, a aposentada Catarina Tiseo, 65 anos, contou que já esteve presente nas três edições do evento. Integrante do Sindicato Rural há cerca de 30 anos, ela afirma que os cursos e encontros promovidos no local impactam diretamente o dia a dia de quem trabalha no agro. “É a terceira vez que eu participo. A gente acha que sabe de alguma coisa, mas quanto mais você vai, mais você aprende. Sempre tem alguma coisa nova”, relatou. Segundo Catarina, mesmo orientações pontuais já geram resultado prático. “Uma coisinha que aprende aqui já faz diferença no seu trabalho.”
A técnica de enfermagem Margarete Facioli, 59 anos, também acompanha as atividades oferecidas pelo sindicato e afirma que os aprendizados ultrapassam o espaço do evento. “As mulheres estão tomando a frente de muita coisa. Não é só o agro, é a pecuária, é tudo. A gente sempre esteve no meio disso e aprender dá mais autonomia”, disse. Ela conta que a vivência no ambiente rural refletiu nas iniciativas da própria família. “Com o sindicato, a gente aprendeu a empreender. Meu filho hoje vende ração, faz cabresto, trabalha com isso.”
Para a psicóloga Maria Edna Belo Landers, 73 anos, que participou do encontro pela segunda vez, o evento também cumpre um papel simbólico ao evidenciar a presença feminina em um setor tradicionalmente masculino. “Abre caminho para as mulheres. É um ambiente muito masculinizado e elas estão mostrando que têm capacidade. A mulher não precisa se esconder atrás de ninguém”, afirmou. Segundo ela, a autonomia feminina também passa por mudanças na dinâmica familiar. “Hoje, a responsabilidade da casa, da educação dos filhos e de trazer dinheiro é dos dois.”
Presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp, Juliana Farah explicou que o programa foi estruturado para oferecer instrumentos práticos às participantes. “A gente apresenta ferramentas e oportunidades para que elas possam sair da invisibilidade e buscar autonomia financeira. Muitas trabalham na cadeia produtiva, mas não têm essa autonomia”, declarou. Ela destacou ainda a rede de apoio formada a partir da parceria com o Sindicato Rural, o Senar e o Sebrae. “Ninguém faz nada sozinho. Aqui elas encontram orientação e capacitação.”
A consultora de agronegócios do Sebrae Sorocaba, Simone Goldman, ressaltou que o trabalho realizado vai além da motivação. “A gente leva cursos, consultorias e acompanhamento direto na propriedade rural. Mostramos como calcular custo de produção e como vender melhor, que é um dos maiores gargalos do produtor”, explicou. Segundo Simone, o atendimento do Sebrae inclui programas como o ALI Rural, em que técnicos visitam as propriedades para orientar produtores e produtoras. “Elas veem outras mulheres ocupando esse lugar e percebem que também conseguem.”
Além das palestras, o encontro também proporcionou espaço para troca de experiências entre as participantes, contato com serviços de apoio e informações sobre capacitações contínuas oferecidas pelo sindicato. A proposta, de acordo com a organização, é manter o acompanhamento das mulheres mesmo após o encerramento do ciclo de módulos.
Para quem participou, o evento funcionou como ponto de encontro entre informação técnica, vivência prática e articulação em rede. Para as organizadoras, representa mais uma etapa no processo de fortalecimento da presença feminina nas atividades do campo na região.
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