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Educação

Familiares relatam mudanças em rotina no modelo cívico-militar

06 de Fevereiro de 2026 às 21:48
Murilo Aguiar [email protected]
Saída mais organizada e sensação de segurança são 
alguns dos temas levantados
Saída mais organizada e sensação de segurança são alguns dos temas levantados (Crédito: MURILO AGUIAR )

A primeira semana do modelo cívico-militar na Escola Estadual Professor Jorge Madureira, no Jardim Guaíba, zona norte de Sorocaba, já altera a rotina de familiares de alunos. Organização na entrada, mudanças no pátio antes das aulas e expectativa por impactos no ambiente escolar aparecem nos relatos de quem acompanha o dia a dia dos estudantes.

A unidade é uma das duas escolas estaduais de Sorocaba que iniciaram o ano letivo dentro do novo formato. A outra é a Escola Estadual Professor Lauro Sanchez. O programa integra a implantação do modelo em 100 escolas da rede paulista e prevê gestão compartilhada entre educadores civis e militares da reserva, que atuam como monitores no ambiente escolar.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc-SP), os professores seguem responsáveis pelas aulas, sem alterações na matriz curricular, no material didático ou no Projeto Político-Pedagógico, alinhados ao Currículo Paulista e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A atuação dos monitores se concentra na organização da rotina, especialmente nos horários de entrada, saída e intervalos.

O vendedor Lucas Rafael Xavier Moreira, de 21 anos, passou a buscar o irmão, Luís Gustavo aluno do 9º ano, durante as férias do trabalho e percebeu diferença na saída da escola. “A saída aqui está mais tranquila. Não fica mais bagunça aqui na frente também”, afirmou. Segundo ele, o irmão comentou em casa que aprovou a mudança. “Ele falou que gostou bastante. Não quis nem sair daqui.” A família chegou a cogitar a transferência para outra unidade, mas a decisão foi permanecer.

Lucas relatou que não participou diretamente das reuniões sobre o novo modelo, mas acredita que os pais tenham sido orientados pela escola. Para ele, o funcionamento atual atende às expectativas. “Desse jeitinho assim, ficou muito bom. Sem complicação aqui na saída.”

A professora de inglês Alexandra Batti, de 38 anos, mãe da Melissa Alexandra aluna do 8º ano, contou que a comunidade escolar foi informada sobre a mudança ainda no ano passado. “A gente tava ansioso, porque eles falaram que quando fosse começar, iam fazer uma reunião”, disse.

A filha já estudava na unidade desde o ano anterior e iniciou o ano letivo sob o novo formato. “A escola já é boa, mas acredito que vai ter mudança sim, para melhor”, afirmou. Alexandra relatou ainda que tenta a transferência do outro filho para a mesma escola. “Eu tô tentando trazer ele pra cá. Muita gente tem interesse.” Ela também relatou uma iniciativa da direção para apresentar a estrutura de segurança da escola aos responsáveis. “A diretoria me chamou pra entrar e ver como as câmeras funcionam, pra mostrar que está tudo funcionando”, contou.

O aposentado Mauro Antônio de Godói, de 57 anos, também afirmou ter sido comunicado sobre a implantação do modelo ainda no ano passado. A filha, Maria Júlia estudante do 8º ano, descreveu alterações na rotina logo no início das aulas. “Ela comentou que agora, na hora de entrar, eles vão pra quadra, cantam o hino nacional antes de ir pra aula.”

Para Mauro, a principal expectativa está relacionada à organização e à segurança. “Quanto mais seguro você sentir que o seu filho está é melhor”, declarou. Ele afirmou que a presença de monitores com histórico na área de segurança pública transmite confiança. “A gente pensa que vai ser um quartel, mas não é. Eles falaram que é totalmente diferente, que tem uma organização maior.” O aposentado também disse se sentir mais seguro com a filha na unidade.

De acordo com a Seduc-SP, o modelo cívico-militar é direcionado prioritariamente a escolas com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e localizadas em áreas de maior vulnerabilidade social.