Investigação
13 pessoas são denunciadas no âmbito da Operação Copia e Cola
MPF diz que caso está sob sigilo de Justiça
O Ministério Público Federal (MPF) teria denunciado 13 pessoas por supostos crimes cometidos em contratos firmados com a Prefeitura de Sorocaba (SP) na área da saúde. Entre os denunciados estão o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), a esposa dele, Sirlange Frate Maganhato, e outras 11 pessoas. As acusações incluem organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
As denúncias são resultado da Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal, que investiga o desvio de recursos públicos em contratos destinados à administração de duas unidades de saúde do município. Ela teve dois desdobramentos, em abril e novembro de 2025, sendo que, nessa última fase, Manga foi afastado do cargo por seis meses.
Segundo o MPF, os contratos envolviam inicialmente a UPA do Éden, por meio de contratação emergencial, e posteriormente a UPH da Zona Oeste, atual UPA da Zona Oeste. As apurações indicam a existência de um esquema estruturado para desviar verbas públicas por meio desses contratos.
Na denúncia, o MPF teria apontado Rodrigo Manga como figura central do esquema, afirmando que ele teria aceitado promessa ou recebido propina, além de determinar que o então secretário municipal de Saúde mantivesse contato com representantes da organização responsável pelos contratos. O órgão também sustenta que despesas pessoais do prefeito afastado teriam sido pagas por intermediários e que ele teria utilizado terceiros e dinheiro em espécie para a compra de um imóvel, com o objetivo de lavar recursos ilícitos. A procuradora responsável pelo caso pede, ainda, a perda do cargo e a inelegibilidade de Rodrigo Manga por cinco anos.
Veja quem foi citado
Além do ex-prefeito, também teriam sido citados sua esposa, Sirlange Frate Maganhato, e sua mãe, Zoraide Batista Maganhato. A defesa de Manga e Sirlange afirmou que não vai se pronunciar neste momento. Já a defesa de Zoraide não foi encontrada, mas o espaço segue aberto.
Josivaldo Batista de Souza e Simone Frate de Souza, que são cunhados de Rodrigo Manga, também teriam sido citados. A defesa foi procurada, mas, até o momento do encerramento desta reportagem, não havia se pronunciado. Josivaldo foi preso durante a segunda fase da Operação Copia e Cola e, atualmente, está usando tornozeleira eletrônica. O mesmo ocorre com Marcos Silva Mott, que também foi preso na segunda fase da operação. Sua defesa afirmou que não irá se pronunciar sobre o caso.
Teriam aparecido ainda os nomes de Rafael Pinheiro do Carmo e de sua esposa, Cláudia Cenci Guimarães, amigos de Manga que compraram uma casa para o prefeito afastado, mas só teriam informado após a conclusão do negócio. A defesa deles não foi encontrada, mas o espaço segue aberto.
Os ex-secretários Fausto Bossolo e Vinícius Rodrigues são mais dois nomes que teriam aparecido na denúncia. A defesa de Bossolo foi contatada, mas não respondeu, e Vinícius, em nota, afirmou que “causa profunda estranheza o pedido de seu indiciamento sem que sequer tenha ido depor à polícia. Tal cerceamento de defesa impediu o esclarecimento precoce de fatos básicos, como o de que não houve qualquer participação sua no processo de contratação da OS Aceni, nem tampouco na fiscalização do contrato”. Ele ainda reafirmou o desejo de depor à CPI da Saúde, que acontece na Câmara de Sorocaba.
Por fim, os donos da Iase, antiga Aceni, Paulo Korek e Sérgio Peralta, além do integrante Anderson Luiz Santana, também teriam sido citados. A defesa foi procurada, mas, até o momento do encerramento desta reportagem, não havia respondido.
O espaço segue aberto para as defesas de todos os citados.