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Doença

Sorocaba registra novos casos de hanseníase e mantém 41 pacientes em tratamento

Dados da Secretaria da Saúde indicam manutenção de pessoas em tratamento e monitoramento contínuo no município

04 de Fevereiro de 2026 às 21:00
Murilo Aguiar [email protected]
Notificações recentes reforçam ações de vigilância epidemiológica
Notificações recentes reforçam ações de vigilância epidemiológica (Crédito: ARQUIVO JCS)

O Brasil registrou 22.129 novos casos de hanseníase em 2024, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, o que mantém a doença como um ponto de atenção para o sistema público de saúde. Em Sorocaba, os registros dos últimos anos indicam a necessidade de vigilância contínua, com acompanhamento de pacientes, identificação precoce e ações voltadas à informação da população.

A Secretaria da Saúde contabilizou em 2026, até o momento, cinco novos casos. Enquanto no ano passado foram notificados 36; em 2024, foram 31, e, em 2023, foram 55. Atualmente, 41 pessoas estão em tratamento na rede municipal, incluindo pacientes diagnosticados recentemente e aqueles que seguem acompanhamento iniciado em anos anteriores, conforme protocolos do Ministério da Saúde.

Crianças

Entre os casos acompanhados pela rede pública, há registro de uma criança que está em tratamento atualmente. Em um recorte ampliado, o município informa que, nos últimos 20 anos, 74 crianças foram tratadas para hanseníase em Sorocaba, dado utilizado como indicador para ações de vigilância epidemiológica e monitoramento de contatos intradomiciliares.

Nos últimos três anos, os casos em crianças foram identificados nos bairros Aparecidinha, Fiori, Maria do Carmo e Haro. A Secretaria esclarece que a hanseníase não é caracterizada como doença de transmissão comunitária ampla. O contágio ocorre, predominantemente, por contato íntimo, próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento, geralmente no ambiente familiar, o que direciona as estratégias de busca ativa para núcleos domiciliares específicos.

Sobre a doença

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase compromete principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sinais iniciais incluem manchas na pele associadas à perda de sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao toque. A ausência de diagnóstico e tratamento oportunos pode levar a alterações neurológicas e comprometimentos funcionais.

O tratamento da hanseníase é oferecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Sorocaba, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) funcionam como porta de entrada para o diagnóstico, acompanhamento clínico e encaminhamento à Policlínica Municipal, quando indicado, seguindo diretrizes nacionais de cuidado.

No âmbito nacional, os dados consolidados referentes a 2025 ainda não foram oficialmente divulgados pelo Ministério da Saúde. O boletim epidemiológico mais recente com fechamento anual apresenta informações completas até 2024. Para 2025, há notificações parciais divulgadas por estados e municípios, além de números preliminares em levantamentos regionais, que ainda passam por processo de consolidação e validação no sistema nacional de vigilância.

Vale lembrar que, durante o mês passado, em referência à campanha “Janeiro Roxo”, a Prefeitura de Sorocaba intensificou ações de conscientização sobre a hanseníase. A programação envolveu todas as UBSs do município e incluiu orientações à população, palestras, exames clínicos, distribuição de materiais informativos, capacitação de profissionais da saúde, produção de conteúdos educativos, entrevistas em veículos locais e ações em terminais de ônibus, com foco na ampliação do conhecimento, na redução do estigma e na detecção precoce de novos casos.