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Política

CPI da Saúde retoma trabalhos na próxima semana e deve votar novas convocações

Sessão será realizada no dia 12; antes disso, Câmara discute pedido de cassação em Comissão de Ética

03 de Fevereiro de 2026 às 20:12
Vernihu Oswaldo [email protected]
Até o momento, quatro reuniões foram realizadas: ritmo é considerado lento e gera reclamações
Até o momento, quatro reuniões foram realizadas: ritmo é considerado lento e gera reclamações (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde deve retomar os trabalhos apenas na segunda quinta-feira do mês -- dia 12 --, quando os vereadores devem apreciar e votar novas convocações para oitivas previstas para as próximas semanas. De acordo com parlamentares que acompanham a comissão, a expectativa é de que sejam convocados os chefes dos fiscais de contratos.

A sessão não será realizada na primeira semana após o recesso legislativo, em razão de um consenso entre os vereadores que decidiram agendar, para amanhã (5), uma reunião da Comissão de Ética da Câmara. Na ocasião, deverá ser analisado um pedido de cassação contra a vereadora Tatiane Costa (PL).

Segundo Cristiano Passos (Republicanos), relator da CPI da Saúde, a representação a ser analisada pela Comissão de Ética trata de uma denúncia apresentada por um munícipe. A denúncia se refere à publicação, feita por Tatiane, de uma foto em que aparece com um livro sobre Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado por tortura durante a ditadura militar. O caso foi noticiado pelo Cruzeiro do Sul em 8 de setembro de 2025.

A vereadora Tatiane Costa foi procurada para se posicionar a respeito da denúncia, mas alegou não saber do que se tratava o caso.

A CPI da Saúde

Os trabalhos da CPI da Saúde têm sido marcados por discussões intensas, especialmente em torno do pedido de parte dos vereadores para que o ex-secretário municipal da Saúde, Vinicius Rodrigues, seja ouvido. O ex-secretário, inclusive, já se manifestou tanto por meio de nota quanto em um comentário publicado nas redes sociais do vereador Izídio de Brito (PT), afirmando que deseja prestar depoimento.

Em nota enviada anteriormente, a defesa declarou: “O doutor Vinicius lamenta que as investigações da CPI da Saúde não comecem ouvindo ele e os demais secretários de Saúde, além dos verdadeiros responsáveis pelas contratações investigadas”.

Até o momento, a CPI da Saúde realizou quatro reuniões. Marcada por um ritmo considerado lento e por constantes reclamações da oposição, a comissão tem enfrentado dificuldades para avançar, mesmo após a realização das primeiras oitivas.

O cenário é agravado pelo longo intervalo entre a coleta das primeiras assinaturas para a criação da CPI e a aceitação formal do pedido pelos demais vereadores, o que só ocorreu após a segunda fase da Operação Copia e Cola.

A ação, deflagrada pela Polícia Federal em duas fases, investiga um suposto esquema de fraudes em contratos da área da saúde em Sorocaba. A primeira fase revelou indícios de superfaturamento e irregularidades em processos licitatórios, levantando suspeitas sobre o direcionamento de contratos a empresas específicas.

Já a segunda fase aprofundou as investigações, com o cumprimento de novas medidas judiciais e a ampliação do foco sobre agentes públicos e empresas envolvidas. Como resultado, o então prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) foi afastado do cargo, e o empresário Marcos Mott e o pastor Josivaldo Batista -- concunhado de Rodrigo Manga -- foram presos e, posteriormente, liberados.

Na sessão antes do recesso parlamentar, realizada em 11 de dezembro, a CPI ouviu três fiscais de contratos da prefeitura. A reunião foi a portas fechadas. Ao final, em entrevista à imprensa, o relator afirmou que os próximos convocados devem ser os chefes dos fiscais. Vereadores relataram ainda que os servidores ouvidos não possuíam treinamento técnico adequado para o desempenho da função.

As sessões da CPI também têm sido marcadas por debates acalorados e impasses na condução dos trabalhos. A terceira reunião, por exemplo, foi encerrada de forma abrupta pelo presidente da comissão, vereador Cláudio Sorocaba (PSD). Parlamentares que participaram da sessão afirmaram ter ficado confusos com a decisão, e uma proposta apresentada por Dylan Dantas (PL) sequer chegou a ser votada.

Todos os vereadores participam da CPI da Saúde, com exceção do presidente da Câmara, Luis Santos. O retorno das atividades se dá em meio a um ambiente de pressão política, dentro e fora da comissão, após meses de críticas relacionadas à lentidão dos trabalhos.