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Proteção animal

Manifestantes pedem justiça por ‘Orelha‘

Sorocaba reuniu cerca de 300 pessoas em protesto no Parque Campolim

02 de Fevereiro de 2026 às 21:15
Cruzeiro do Sul [email protected]
Mobilização também reivindicou que a defesa da vida animal deve ser um compromisso coletivo
Mobilização também reivindicou que a defesa da vida animal deve ser um compromisso coletivo (Crédito: GABRIELLE CAMARGO PUSTIGLIONE)

A morte do cachorro comunitário Orelha, em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina (SC), mobilizou uma onda de manifestações em diferentes cidades do País no domingo (1º), e em Sorocaba, o ato ocorreu no Parque Campolim. A manifestação reuniu cerca de 300 participantes.

O sentimento de revolta pela brutalidade do ato contra o cãozinho é grande. O objetivo do protesto é cobrar justiça e responsabilização pelos envolvidos no episódio, além de defender a redução da maioridade penal ou, alternativamente, a aplicação de sanções mais rigorosas. A mobilização também reivindicou que a defesa da vida animal deve ser um compromisso coletivo.

Alguns manifestantes carregavam cartazes e bandeiras com mensagens de protesto, enquanto outros levaram seus próprios cães ao ato. A mobilização contou com a presença de políticos da cidade e da região, instituições de proteção animal e famílias.

A presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) de Itapetininga, Fernanda Nery, disse que “hoje, o que sinto é uma mistura de revolta e esperança. Revolta, porque a morte do Orelha foi brutal. Isso me deixa com o coração partido, mas também me impulsiona a lutar por uma mudança, para que tragédias como essa não se repitam. Não podemos deixar que o seu caso caia no esquecimento. Precisamos fazer a diferença, e é por isso que estamos unindo forças. Estamos formando uma comissão regional, já composta por 14 cidades, para dar voz aos animais que sofrem diariamente. Nosso objetivo é trabalhar por melhorias na legislação, na conscientização da população e, principalmente, para que casos como o do Orelha não fiquem impunes”, declarou a ativista da causa animal.

A morte do cão

Orelha morreu no início de janeiro, após sofrer agressões na região da cabeça em Florianópolis. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as lesões foram tão graves que o animal precisou ser submetido à eutanásia durante atendimento veterinário que buscava reverter seu quadro clínico. Quatro adolescentes são investigados por supostamente agredirem o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte.

A morte brutal causou comoção nacional. Cão comunitário, ele foi socorrido e levado a uma clínica veterinária. O cachorro teve que ser submetido à eutanásia no dia 5, em razão da gravidade dos ferimentos. Ao longo do mês de janeiro, o caso já teve muitos desdobramentos, inclusive com operação da Polícia Civil.

Ataque e polícia

O cachorro comunitário tinha cerca de 10 anos de idade e vivia na Praia Brava, onde foi atacado pelos quatro adolescentes. Muito ferido, ele foi levado para uma clínica veterinária, que o submeteu à eutanásia. Familiares dos adolescentes são suspeitos de coagir testemunhas da ação contra Orelha e atrapalhar o andamento da investigação.

Devido à enorme repercussão, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a investigar o caso. Em 26 de janeiro, foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os adolescentes e os adultos responsáveis. Foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos. A polícia também vem ouvindo várias pessoas para entender melhor como tudo aconteceu.

Quem são os adultos?

A polícia não revela nomes, mas informou que entre os parentes ligados aos jovens estão dois empresários e um advogado. Até o momento, a polícia já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens colhidas em 14 câmeras de monitoramento públicas e privadas. Um dos adolescentes parece não estar envolvido diretamente no caso, segundo as informações mais recentes da polícia. Nessa questão dos jovens, podem ser aplicadas medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Menores de 18 anos são inimputáveis perante a lei.

Outro cachorro agredido

Até o momento, não há ninguém detido pela polícia de Santa Catarina. Ninguém foi preso também, mas a polícia indiciou os familiares dos adolescentes pelo crime de coação. As autoridades também investigam um outro caso de agressão feito pelos adolescentes contra o cachorro conhecido como Caramelo. O animal conseguiu escapar dos ataques do grupo.

O que é um cão ou gato comunitário?

Embora não tenha um tutor único ou definido, o animal comunitário vive em uma determinada comunidade (rua, bairro, condomínio) e estabelece laços de afeto e manutenção com moradores ou comerciantes locais . Eles são cuidados coletivamente, recebendo alimentação, abrigo e, em alguns casos, vacinação e castração. Após a repercussão do caso Orelha, foi aprovada, em Santa Catarina, a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. Segundo o governo catarinense, o texto garante que esses animais também precisam ser protegidos pela sociedade e pelo Poder Público. (Da Redação, com informações da Agência Brasil)

 

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