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Velho problema

Ônibus lotados, longas esperas e veículos que não param: usuários relatam falhas no transporte público em Sorocaba

Protocolos na Ouvidoria apontam recorrência de problemas; passageiros dizem que superlotação e retirada de articulados prejudicam deslocamentos diários

02 de Fevereiro de 2026 às 21:00
João Frizo [email protected]
Sistema opera atualmente com 357 veículos em circulação e outros 37 em reserva técnica, totalizando 394 ônibus
Sistema opera atualmente com 357 veículos em circulação e outros 37 em reserva técnica, totalizando 394 ônibus (Crédito: ?FÁBIO ROGÉRIO 30/01/2026)

Moradores de diferentes regiões de Sorocaba relatam dificuldades constantes para utilizar o transporte público municipal. Superlotação, longos intervalos entre ônibus, veículos que deixam de atender pontos e a retirada de coletivos articulados estão entre as principais queixas de usuários ouvidos pelo Cruzeiro do Sul, que também teve acesso a protocolos registrados na Ouvidoria envolvendo denúncias semelhantes desde dezembro do ano passado.

No Parque Vitória Régia, na zona norte, a situação tem impactado diretamente trabalhadores que dependem do transporte coletivo para chegar à área industrial da cidade. Moradora do bairro, Juliana Paes afirma que, diariamente, um ou dois ônibus deixam de realizar a parada já nos primeiros pontos após o Terminal Vitória Régia por estarem completamente lotados.

Segundo ela, o problema ocorre especialmente entre 6h e 6h40, horário de alta demanda por atender a região industrial. “Mesmo com o ponto cheio e as pessoas sinalizando corretamente, os ônibus seguem viagem porque já estão lotados”, relata.

Juliana também afirma que, desde o início de dezembro, os veículos articulados foram substituídos por ônibus comuns, o que teria agravado ainda mais a superlotação. “Passamos a pagar mais para ver os ônibus passarem sem atender o que foi contratado. Isso é um abandono com a população”, diz.

Denúncias formais e respostas administrativas

Além dos relatos presenciais, a usuária apresentou à reportagem registros de ao menos seis manifestações protocoladas junto à Ouvidoria, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, envolvendo denúncias por superlotação, descumprimento de itinerário, atrasos e pedido de aumento de frota.

Em uma das respostas, datada de 29 de dezembro, a Urbes - Trânsito e Transportes informa que a empresa responsável foi notificada e confirma a substituição dos ônibus articulados por veículos comuns, destacando que “pesquisas precisam ser realizadas”. Em outras manifestações, a resposta se limita a informar que as ocorrências estão sendo verificadas, com eventual adoção de medidas disciplinares.

Apesar de alguns protocolos constarem como “finalizados” no sistema, Juliana afirma que o problema persiste. “Já fiz inúmeras reclamações e nada foi resolvido. Os ônibus continuam passando direto”, afirma.

Esperas de até 50 minutos

No Terminal Santo Antônio, no Centro da cidade, a promotora de vendas Débora Fernanda da Silva Ruta, de 25 anos, conta que enfrenta esperas frequentes de 40 a 50 minutos para embarcar na linha 180 (Jardim Carandá), principalmente nos horários de pico, por volta das 8h e entre 15h e 17h.

Segundo ela, os horários informados não são cumpridos e a frota é insuficiente para a demanda. “É muito pouco ônibus, principalmente no horário de pico, e ainda mandam ônibus menor, mesmo com a fila enorme”, afirma.

Débora diz que os atrasos afetam diretamente sua rotina profissional, já que utiliza o transporte coletivo ao longo do dia por conta do trabalho. “Chego atrasada no serviço, em compromissos e até em casa. Já precisei pegar Uber muitas vezes, gastando dinheiro por causa da demora”, relata.

Redução da frota e ônibus antigos

Também usuária do transporte público, a professora Ana Paula Oliveira Azevedo, de 55 anos, afirma ter percebido piora no atendimento desde janeiro. Ela utiliza principalmente as linhas do Campolim e Vila Jardim e relata esperas médias de cerca de 40 minutos, podendo chegar a uma hora.

“Teve uma vez, perto da rodoviária, que fiquei quase uma hora esperando. Todo mundo já estava nervoso”, conta. Segundo Ana Paula, o principal problema é a redução do número de veículos em linhas com grande procura. “As linhas do Campolim e da Vila Jardim têm muita demanda, mas reduziram os ônibus e ainda colocaram veículos antigos. A gente percebe que são ônibus velhos. A passagem aumentou, mas a qualidade piorou”, afirma. Para evitar atrasos, ela diz que passou a sair mais cedo de casa.

Valores

Desde o dia 30 de janeiro novos valores passaram a vigorar para a tarifa do transporte público em Sorocaba. O Passe Social passou de R$ 4,40 para R$ 5,30, (válido todos os dias da semana). O Vale Transporte subiu de R$ 5,90 para R$ 7,10. Já o Passe Estudante deixa de contar com a gratuidade e volta a ser cobrado no valor de R$ 2,65.A Prefeitura de Sorocaba anunciou o reajuste nas tarifas do transporte coletivo e da Zona Azul no início de dezembro de 2025. Segundo o município, o aumento tem como objetivo cobrir parte dos custos operacionais dos serviços. O último reajuste das tarifas de ônibus ocorreu em janeiro de 2019.

O que diz a prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Sorocaba informou, por meio de respostas registradas na Ouvidoria, que notificou a empresa responsável pelo transporte coletivo e que está verificando as ocorrências relatadas pelos usuários, com possibilidade de adoção de medidas disciplinares.

Em nota, a Urbes afirmou ainda que, após o período de férias escolares, a programação operacional integral dos ônibus foi retomada nesta segunda-feira (2), com expectativa de reduzir os casos de alta demanda. Ainda segundo a resposta, o sistema opera atualmente com 357 veículos em circulação e outros 37 em reserva técnica, totalizando 394 ônibus. A frota, de acordo com a administração municipal, é 100% adaptada e possui idade média inferior a cinco anos, além de estar em processo de ampliação do número de veículos elétricos.

Segundo a administração pública, a operação é acompanhada diariamente, inclusive na região do Parque Vitória Régia, e que fatores como trânsito urbano, interferências viárias e manutenções podem impactar a regularidade do serviço. Ainda segundo a Urbes, há estudos permanentes para ajustes de horários, reforço de linhas e reestruturação da rede, com aplicação de medidas administrativas quando constatadas falhas recorrentes. Sobre a tarifa, a administração destacou que o valor ficou congelado por cerca de seis anos e que o sistema é subsidiado pelo município.

Prova diária de paciência

Apesar disso, usuários esperam que os problemas que envolvem ônibus lotados, longas esperas e veículos deixando de atender pontos sejam resolvidos o mais rápido possível. Enquanto aguardam soluções, passageiros dizem enfrentar dificuldades constantes para se deslocar pela cidade, especialmente em horários de maior movimento, e cobram providências efetivas para garantir um transporte público mais eficiente e de qualidade.

 

 

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