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Juros

Selic em 15% mantém cautela no mercado imobiliário e expectativa de queda anima compradores

31 de Janeiro de 2026 às 20:00
Thaís Verderamis [email protected]
Mesmo com juros elevados, expectativa de redução gradual da Selic a partir do primeiro semestre reacende interesse por financiamentos imobiliários
Mesmo com juros elevados, expectativa de redução gradual da Selic a partir do primeiro semestre reacende interesse por financiamentos imobiliários (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, em 2026. A decisão impacta diretamente o mercado imobiliário, já que a taxa básica influencia todas as operações financeiras e, principalmente, o ponto-chave que define se um negócio foi vantajoso ou não: os juros.

Segundo o economista e especialista em gestão de risco e proteção financeira, Paulo Ricardo de Oliveira, “a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central, e serve de referência para praticamente todos os empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras do país”.

O que isso quer dizer, na prática? O economista simplifica: “A Selic é o ‘preço do dinheiro’ por um ano, definido pelo Banco Central, a partir do qual os bancos decidem quanto vão cobrar ou pagar em todas as outras operações”.

Além da manutenção da taxa, há expectativa de queda nos próximos meses, conforme avalia o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. “Agora, no começo do ano, como era previsto, a taxa foi mantida, mas temos uma expectativa de início de queda, ainda que muito modesta, por volta de março. Então, quem compra um imóvel financiado hoje sabe que, a partir de março ou maio, começa a pagar uma taxa de juros mais baixa na prestação. E isso é muito positivo”, explica.

Na prática, a taxa Selic exerce grande influência sobre o crédito imobiliário. Segundo o presidente do Creci-SP, uma das dificuldades mais frequentes enfrentadas por quem busca adquirir um imóvel é a comprovação de renda. Isso porque os bancos não permitem que mais de 30% da renda familiar seja comprometida com o valor da prestação. Com a variação da Selic, os juros aumentam ou diminuem, o que pode ampliar ou restringir a capacidade de compra.

Ainda assim, Viana Neto ressalta que a comprovação de renda nem sempre reflete a real capacidade de pagamento do comprador. “Há muita gente morando de aluguel porque não consegue comprovar uma renda maior, enquanto o valor do aluguel acaba sendo muito próximo e, em muitos casos, até superior ao valor de uma prestação”, observa.

De acordo com o economista Paulo Ricardo, quando a Selic está elevada, o financiamento imobiliário se torna mais caro. “Os bancos recalibram suas taxas de crédito imobiliário para cima, o que aumenta o valor das parcelas e o custo total do imóvel”, comenta.

Nesse cenário, menos famílias conseguem aprovação de crédito ou se sentem seguras para assumir um financiamento, o que reduz a procura por imóveis. Parte desse público acaba migrando para o mercado de aluguel, “especialmente a classe média, que depende fortemente de financiamento para comprar”, complementa o economista.

Já em um ciclo de queda da Selic, o movimento é inverso. “O crédito imobiliário tende a ficar mais barato, mais pessoas saem do aluguel para comprar, a demanda por imóveis aumenta e isso pode sustentar ou até elevar os preços em alguns mercados”, acrescenta Paulo Ricardo.

O mercado em Sorocaba

Assim como ocorre com a taxa Selic, o mercado imobiliário também apresenta variações sazonais. Em dezembro de 2025, por exemplo, houve queda na busca por compra e locação de casas e apartamentos.

A retração é atribuída ao recesso de fim de ano, às férias escolares e às reorganizações financeiras típicas do período. No mês, a venda de imóveis residenciais usados recuou 4,61%, enquanto as locações apresentaram queda de 18,9% em relação a novembro.

Apesar disso, o resultado não comprometeu o desempenho anual. O acumulado de 2025 terminou positivo: Sorocaba e região registraram crescimento de 70,7% nas vendas e alta de 97,2% nas locações.

Segundo o Creci-SP, diversos fatores contribuíram para esse cenário, como a forte atividade industrial da região, a geração de empregos formais, a expansão urbana planejada e a busca por imóveis com melhor custo-benefício.

O destaque para a aquisição de imóveis usados também indica um comportamento mais cauteloso por parte dos compradores, que estão mais atentos ao preço, à localização e à qualidade das construções.

 

 

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