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Dinheiro público

Prédio milionário permanece abandonado após condenações judiciais

Imóvel da Secretaria de Educação tem mato alto, lixo e folhas acumuladas no local

28 de Janeiro de 2026 às 21:39
Vernihu Oswaldo [email protected]
Executivo afirma que, por determinação do Ministério Público, 
o município está impedido de tomar posse do imóvel
Executivo afirma que, por determinação do Ministério Público, o município está impedido de tomar posse do imóvel (Crédito: VERNIHU OSWALDO)

Adquirido para abrigar a Secretaria da Educação e marcado por investigações e condenações judiciais por superfaturamento, o prédio localizado no bairro Campolim encontra-se hoje em estado de abandono, com mato alto e lixo acumulado visíveis da rua.

Pessoas que passavam na frente do local, e não quiseram se identificar, reclamaram do mau cheiro e da possível presença de animais, como escorpiões, ratos e baratas. Uma pessoa que passa pelo local diariamente afirmou que, em dias de chuva, um cano em frente ao prédio costuma causar alagamentos pontuais, que deixam barro e lixo na calçada quando a água baixa. O portão social do local aparenta estar com defeito, e o fechamento é feito com uma corrente.

A reportagem do Cruzeiro do Sul esteve no local no dia 22 de janeiro, e presenciou um trabalhador da empresa Estrela Engenharia entrando no imóvel. Também foram vistos carros da empresa e da prefeitura em frente ao prédio.

O Executivo foi procurado e afirmou que, por determinação do Ministério Público, o município está impedido de tomar posse do imóvel. Porém, em outro ponto da mesma resposta, afirma que o imóvel é de propriedade do município e está vinculado à Secretaria da Educação.

Ainda na mesma resposta enviada à reportagem, a administração municipal afirmou que a empresa Estrela Engenharia esteve no local exclusivamente para realizar um levantamento técnico e elaborar orçamento dos serviços necessários à manutenção do prédio. Segundo o município, não houve execução de obras ou intervenções, tampouco contratação para esse fim, tratando-se apenas de uma avaliação técnica preliminar. No momento, não há definição quanto à destinação futura do imóvel, que permanece condicionada ao desfecho das questões jurídicas em andamento.

Em relação à manutenção do local, a prefeitura se limitou a responder que adotou providências para avaliar as condições do imóvel, mas não detalhou o que será feito para manter a limpeza e a segurança do local.

A empresa também foi procurada e, em nota, afirmou que se deslocou ao local atendendo à solicitação da Secretaria Municipal de Educação para realizar uma análise técnica preliminar sobre eventuais intervenções no prédio e serviços supostamente necessários à sua manutenção, uma vez que o imóvel se encontra em estado de deterioração e sem uso.

Relembre o caso

Em 2021, a Prefeitura de Sorocaba adquiriu um novo prédio para ser a sede da Secretaria de Educação. Já em março de 2023, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público referente ao imóvel. Assim, cinco pessoas tornaram-se rés no processo, entre elas secretários, um ex-servidor e dois empresários, que mais tarde seriam condenados, conforme decisão da juíza Margarete Pellizari, em maio do mesmo ano.

A investigação foi movida pelo Grupo de Combate e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o grupo, os envolvidos agiram para superfaturar a compra do prédio, que teria sido adquirido por R$ 10,3 milhões a mais do que seu valor real.

Em janeiro de 2023, um ex-servidor da prefeitura, também envolvido no caso, disse em depoimento ao MPSP que teria sido pressionado a aceitar propina de R$ 20 mil. O dinheiro teria sido oferecido em troca de um novo laudo de avaliação de preço do prédio da Secretaria da Educação. Apesar das condenações, na mesma resposta enviada à reportagem, a Prefeitura Municipal afirmou que não reconhece qualquer superfaturamento na compra do imóvel.

 

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