Buscar no Cruzeiro

Buscar

Mobilidade

Ruas com lajotas afundadas viram risco constante para moradores em Sorocaba

Desníveis, peças soltas e mato dificultam o trânsito e colocam pedestres e motoristas em perigo em vias da Vila Assis, Vila Jardini e Vila Carvalho

21 de Janeiro de 2026 às 21:20
Thaís Verderamis [email protected]
Rua Uruguai, na Vila Assis, é a mais íngreme das três: inclinação 
acentuada, por si só, já representa um ponto de dificuldade e perigo
Rua Uruguai, na Vila Assis, é a mais íngreme das três: inclinação acentuada, por si só, já representa um ponto de dificuldade e perigo (Crédito: THAÍS VERDERAMIS)

De carro, moto, bicicleta ou a pé, transitar por algumas vias de Sorocaba tem sido um desafio constante. As ruas Uruguai, na Vila Assis; Abolição, na Vila Jardini; e Guia Lopes, na Vila Carvalho, são pavimentadas com lajotas de concreto e apresentam problemas semelhantes: afundamentos que deixam o piso desnivelado, algumas peças soltas e mato que cresce entre elas.

A rua Uruguai, na Vila Assis, é a mais íngreme das três. A inclinação acentuada, por si só, já representa um ponto de dificuldade e perigo para moradores, motoristas e pedestres. Segundo o comerciante Antonio Sérgio Vilas Boas, 65 anos, morador do local há 31 anos, a situação se arrasta há muito tempo. “Faz tempo que isso aqui [se referindo à rua] está ruim. Já vieram várias vezes, arrumaram, mas ficou desse jeito, tudo desnivelado”, relata.

Ele alerta para os riscos constantes. “Às vezes as pedras sobem e nós mesmos temos de colocar no lugar. O mais perigoso é para motoqueiro, que desce sem conhecer a rua. Quando passam veículos pesados, acabam levantando as pedras”, explica Antonio. Ainda segundo o comerciante, as reclamações dos moradores são antigas e, apesar disso, a via nunca foi recapeada.

O aposentado Valmir Rodrigues da Silva, 78, também mora na rua e enfrenta dificuldades para se locomover. Ele utiliza bengala e teme acidentes. “Aqui está um perigo. Eu venho com carrinho de feira, vou ao mercado. Às vezes compro as coisas e não trago na mão, porque agora preciso andar de bengalinha, é uma coisa ou outra. É perigoso. Deus me livre eu tomar um tombo aqui”, desabafa.

A rua Abolição, na Vila Jardini, é uma via longa e também em subida. As lajotas de concreto apresentam os mesmos problemas de desnível e desgaste. Um trabalhador que circula frequentemente pelo local, e preferiu não se identificar, destaca os riscos para os moradores, principalmente os idosos. “Percebo que essa rua é bem desnivelada. Tem uma senhora que mora aqui e acho muito difícil para ela. O público aqui [que mora na rua] é bem idoso, é perigoso. Além disso, os carros passam pulando por causa da situação da rua”, conta.

Já a rua Guia Lopes, na Vila Carvalho, é a menos íngreme das três, mas os moradores pedem há anos a repavimentação com asfalto. Segundo relatos, todo o bairro é asfaltado, exceto essa via. A explicação recebida pelos moradores é que haveria problemas técnicos que impediriam o asfaltamento.

A moradora e aposentada Divanilda Petit, 69, afirma que as tentativas de reivindicação já foram inúmeras. “Isso faz anos. Já fizemos abaixo-assinado, tudo. Mas eles falam que não sei o que tem aqui embaixo que não pode asfaltar. Depois desistimos”, comenta.

Para ela, o modelo de pavimentação agrava os problemas. “Cria mato, é ruim. O asfalto é bem melhor para os carros passarem. Vai afundando as lajotas, fora que a gente tem de pagar para limpar esse mato. Fica tudo esburacado, afundado. É perigoso andar, tropeçar e torcer o pé.”

O aposentado Maurício Corrêa Vaz, 73, confirma a situação e a insatisfação dos moradores. “O único pedaço que não é asfaltado aqui é essa porcaria”, desabafa. Conforme ele, os danos já chegaram a causar prejuízos. “Já quebrou carro aqui. Uma pedra levantou, bateu embaixo e arrebentou o radiador. O cara ficou parado e precisou chamar resgate para buscar o carro”, lembra.

Maurício conta ainda que o filho brinca com a situação. “Ele fala: ‘pai, o senhor vai morrer, eu vou morrer, mas esse pedaço não vai asfaltar’”. Assim como outros moradores, ele afirma ter ouvido que algo na rua impede o asfaltamento.

O que diz a prefeitura?

A Prefeitura de Sorocaba foi questionada sobre os motivos para que as vias permaneçam com pavimentação de lajotas de concreto e se há impedimentos técnicos para o asfaltamento. Em nota, a administração municipal informou que a Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo) enviará uma equipe técnica às ruas mencionadas para identificar a necessidade de manutenção. Sobre o recapeamento, a prefeitura afirmou que não há previsão.

Explicação técnica

O Cruzeiro do Sul realizou duas matérias e visitou cinco ruas com pavimentação de lajotas de concreto e paralelepípedos em Sorocaba. Todas apresentam características semelhantes: vias íngremes, cercadas por ruas asfaltadas.

O engenheiro civil Franklin Carlos da Silva explica os aspectos técnicos desse tipo de pavimentação. “Em alguns lugares, ela é mantida por questões culturais, preservando a estética do local. Porém, a função técnica do pavimento rústico, seja lajota de concreto ou paralelepípedo, é a permeabilidade. Em algumas cidades, o sistema de drenagem de águas pluviais não comporta o volume de chuva. Nesse caso, se for realizada uma pavimentação asfáltica, pode haver mais pontos de alagamento”, explica.

 

 

Galeria

Confira a galeria de fotos