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Em falta

Prefeituras relatam atraso na entrega de remédios de alto custo

Estoque estaria regularizado, mas há problemas na distribuição dos medicamentos

19 de Janeiro de 2026 às 21:49
Thaís Verderamis [email protected]
Farmácia de Alto Custo fica no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS).
Farmácia de Alto Custo fica no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS)

Pacientes cadastrados dependem de medicação de alto custo entregues de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, no início deste ano, as prefeituras de Mairinque, Salto e São Roque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), divulgaram em suas redes sociais oficiais a falta de medicamentos. Em Sorocaba e Votorantim, a mesma situação foi relatada por pacientes que buscam medicações desde o fim do ano e não encontram nas unidades que fazem a distribuição.

A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo informou que o estoque está regularizado em Sorocaba, mas há problemas na logística para distribuição.

A Prefeitura de Mairinque divulgou nas redes sociais o aviso do atraso na entrega de alguns medicamentos. “Em razão de questões logísticas, a entrega dos medicamentos de alto custo fornecidos pela Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba sofrerá atraso”. A prefeitura também publicou o reagendamento da retirada pelos pacientes.

Segundo a Prefeitura de Salto, por meio de nota, “alguns medicamentos de alto custo são de responsabilidade de aquisição e distribuição do Governo do Estado; situação que afeta não apenas o município de Salto, mas também outros municípios”. A administração municipal de Salto afirma ainda que a Secretaria da Saúde está acompanhando a situação juntamente com os órgãos responsáveis.

Nas redes sociais, a Prefeitura de Salto divulgou que alguns medicamentos ainda estão em falta, mas que parte dos itens foi reabastecida e a farmácia está convocando os pacientes para a retirada. O aviso ressalta ainda que pelo grande número de pessoas, pode haver demora nos atendimentos.

A Prefeitura de São Roque também publicou aviso em suas redes sociais que “devido a atrasos na entrega de medicamentos de alto custo estadual ao município”, o Departamento de Saúde informa que o Centro de Saúde II realizaria a entrega ontem, mediante a previsão de entrega da Farmácia de Alto Custo de Sorocaba.

Por meio de nota, a Prefeitura de Votorantim informou que mais de mil pacientes estão aguardando a medicação. “O atraso foi devido à reestruturação de equipe da farmácia de Sorocaba e problemas logísticos com o Estado. Está previsto o recebimento de novo malote ainda neste mês de janeiro para atender os pacientes que estão aguardando.”

A previsão da entrega na cidade de Votorantim é no dia 26 de janeiro. A Prefeitura de Votorantim explica ainda que a retirada de medicação na cidade é feita com dia e horário marcado com os pacientes, a fim de diminuir o tempo de espera.

A Prefeitura de Sorocaba informou apenas que o repasse é de responsabilidade da Secretaria da Saúde de o Estado de São Paulo.

Logística

A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP) informou, por meio de nota, que o estoque de medicamentos da Farmácia de Alto Custo de Sorocaba está com o estoque regularizado. “A unidade está realizando força-tarefa para que a dispensação aos pacientes do município e para as demais cidades da região, por meio de malote, ocorra normalmente e seja estabilizada o quanto antes. Sorocaba possui aproximadamente 72 mil pacientes com cadastro ativo”, explica.

A secretaria explicou também que o atraso aconteceu por um processo licitatório que aconteceu em outubro de 2025, que acabou trocando o operador logístico. “Como em toda operação de grande porte, ajustes são adotados sempre que necessários para aprimorar fluxos, manter a regularidade do abastecimento e garantir a disponibilidade dos itens. Entre as medidas adotadas está a contratação, em caráter emergencial, de mais um operador logístico”, informa.

A SES também explica que a pasta administra a maior estrutura logística de medicamentos do País, com distribuição mensal de mais de 81 toneladas de itens farmacêuticos. Além disso, a secretaria afirma que está ciente da situação da RMS e adotando as medidas necessárias para garantir o abastecimento.

Pacientes

Pacientes que não quiseram se identificar relatam que utilizam medicamentos diários ou mensais e não encontram nas unidades. Uma das pacientes diagnosticada com artrite reumatóide, uma doença inflamatória crônica e autoimune, precisa tomar o medicamento mensalmente.

“Eu tenho que tomar uma injeção por mês. Em novembro eu não tomei, fui tomar dia 10 de dezembro, hoje é dia 12 de janeiro (quando a reportagem conversou com ela). Eu teria que ter tomado dia 10 e não tem a medicação, então é complicado”, reclama.

Segundo a paciente, a falta da medicação faz com que os sintomas retornem e a dor volte. “Imagine as outras pessoas, tem várias outras pessoas que estão voltando para trás”, conta.

Outra paciente conta que não encontrou a medicação na sua cidade de retirada, buscou em outra farmácia de alto custo e não pôde retirar o medicamento. Pelo valor dos remédios, não há como comprar, diz ela.