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Alta do gás pesa no bolso do consumidor
Aumento no preço do botijão no início de 2026 pressiona o orçamento doméstico e eleva custos no comércio
As panelas estão no fogo e o preparo não termina. De repente, o motivo é descoberto: o gás acabou. O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, registrou aumento no início de 2026, pegando muitos consumidores despreparados e impactando diretamente o orçamento das famílias e de pequenos comerciantes.
Segundo a empreendedora e confeiteira Nancy Rosália Orosco Caceres, 53 anos, em casa o consumo é de um botijão a cada dois meses. “Comprei a última vez em dezembro do ano passado e paguei R$ 115”, conta. No comércio, porém, a realidade é bem diferente. Proprietária da Padaria D’Nani, Nancy afirma que o consumo chega a um botijão por dia. “Como trabalho com alimentos, compro pelo menos um botijão diariamente. Meu consumo mínimo gira entre 20 e 22 botijões por mês”, explica. Para estabelecimentos comerciais, o valor unitário é menor devido ao volume, com cada botijão custando cerca de R$ 100.
Em casa, a empreendedora e confeiteira costuma manter um botijão reserva para evitar imprevistos. Já na padaria, o uso é contínuo: são dois fogões — um doméstico e outro industrial —, além de um forno, com sete botijões mantidos como reserva. Segundo ela, o aumento do preço compromete não apenas o orçamento para a compra do gás, mas também impacta o consumidor final. “Dependendo do reajuste, é preciso repassar parte desse custo para os produtos da padaria”, comenta.
Em um cenário diferente, o promotor de vendas Edson Vinicius Vieira Santos Júnior, 34, mora sozinho e compra gás, em média, a cada quatro meses, mas também sente o impacto dos reajustes. “Mesmo assim pesa no orçamento, porque cada vez o preço sobe mais”, relata. No último botijão, Edson lembra ter pago R$ 89, valor bem abaixo do atual. “Você não espera por isso. Às vezes precisa pagar uma conta e acaba deixando outra para depois, porque sem gás não dá para ficar”, diz.
A auxiliar administrativa Priscila Bento de Oliveira, 40, também comenta que o aumento afeta o orçamento familiar. “Não é só o gás que pesa, são várias despesas ao mesmo tempo”, diz. Segundo ela, a compra é feita a cada 45 dias, e o último botijão custou R$ 130.
Aumento
Segundo o economista Paulo Ricardo de Oliveira, o aumento do gás de cozinha é resultado principalmente de dois fatores: a tributação e a forma como a Petrobras e o mercado definem os preços. Um dos principais componentes é o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual que incide sobre combustíveis, incluindo o GLP. “O ICMS é cobrado por quilo e tem valor fixo”, explica.
Para o gás de cozinha, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) definiu um valor nacional de aproximadamente R$ 1,25 por quilo. “Isso representa algo em torno de R$ 16 para um botijão de 13 quilos”, afirma o economista.
Outro fator determinante é o mercado. “Custos em alta e uma política de preços alinhada, ainda que não de forma automática, ao mercado internacional acabam chegando ao consumidor final por meio das distribuidoras e revendas, que também ampliaram suas margens nos últimos anos”, avalia Paulo.
O valor cobrado do consumidor é revisto periodicamente, em geral a cada seis meses, e pode sofrer reajustes. Conforme o economista, o imposto é embutido no preço e se distribui ao longo de toda a cadeia, até chegar ao consumidor final.
Preço
O Cruzeiro do Sul entrou em contato, na sexta-feira (16), com quatro distribuidoras de gás de cozinha. Em Sorocaba, o preço do botijão varia entre R$ 125 e R$ 135, na troca por um recipiente vazio. Já o botijão completo, incluindo o vasilhame, custa entre R$ 350 e R$ 450.