Saúde
Calor e férias elevam atendimentos pediátricos em UPAs e hospitais
O calor intenso, aliado ao período de férias escolares, tem provocado aumento na procura por atendimento pediátrico em unidades de pronto atendimento e hospitais da região. Quadros de vômito, diarreia, infecções, dermatites e acidentes estão entre os principais motivos que levam pais e responsáveis a buscar ajuda médica.
Na UPA do Éden, relatos de famílias confirmam esse cenário. A dona de casa Cláudiane Dias Pereira levou o filho, Davi Lucas, após o menino apresentar infecção no ouvido. Segundo ela, os sintomas começaram ainda na semana. “Ele está com o ouvido infeccionado. Acredito que foi por causa da piscina”, conta.
Casos semelhantes também foram relatados por Bruna Cardoso Martins, que aguardava atendimento para o filho Bernardo, com dor intensa no ouvido. “Ele não consegue colocar a mão no ouvido esquerdo. Acho que foi por causa da piscina também”, diz.
De acordo com o pediatra onco-hematologista André Viu, diretor clínico e médico coordenador do Pronto Atendimento de Pediatria do Hospital Gpaci, o aumento da demanda por atendimento infantil nesta época do ano é esperado, especialmente por doenças gastrointestinais. “O que realmente percebemos foi um aumento considerável das gastroenterites agudas, com vômito e diarreia”, explica o médico.
Os dados de atendimentos reforçam essa percepção. Na UPH da Zona Leste, em novembro e dezembro de 2025, os registros de virose (gastroenterite) superaram os números do mesmo período de 2024, tanto em adultos quanto em crianças. Entre os atendimentos pediátricos, os casos passaram de 108 em novembro de 2024 para 169 em novembro de 2025, e de 90 em dezembro de 2024 para 121 em dezembro de 2025.
Além das viroses, o calor também contribuiu para o aumento de problemas de pele. Os casos de dermatite em crianças cresceram em dezembro, saltando de dez registros em 2024 para 17 em 2025, condição associada à exposição prolongada ao sol, ao suor excessivo e ao contato frequente com água de piscina.
O médico alerta ainda para o crescimento das doenças infectocontagiosas durante o período de férias, favorecido pelo maior contato entre crianças fora do ambiente escolar. “Elas acabam se reunindo mais, viajando, indo à praia e convivendo em ambientes com muita gente, o que facilita a transmissão”, pontua.
Na UPA, a mãe Adriene levou o bebê Javi Miguel, que apresentava diarreia, sintomas gripais e febre havia cerca de quatro dias. “Pode ser por causa dessas ondas de calor. Hoje está mais lotado do que o normal”, relatou enquanto aguardava atendimento. Segundo o especialista, a principal forma de prevenir complicações durante o verão é manter as crianças bem hidratadas. “A criança não tem o hábito de beber água, e os pais muitas vezes não cobram isso”, orienta.
Outras recomendações incluem o uso de protetor solar, cuidados com a higiene, atenção à alimentação e evitar aglomerações quando houver crianças doentes no ambiente. (C.M.)
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