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Preços dos alimentos variam e exigem planejamento do consumidor

Mesmo produto pode ter valores muito diferentes entre supermercados ao longo do ano

14 de Janeiro de 2026 às 21:55
Cruzeiro do Sul [email protected]
Diferenças de 
valores influenciam escolhas no dia a dia das compras
Diferenças de valores influenciam escolhas no dia a dia das compras (Crédito: VERNIHU OSWALDO)

A variação nos preços dos alimentos tem se consolidada como um dos principais desafios para o orçamento das famílias sorocabanas em 2026. Levantamentos recentes do Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Sorocaba (LCSA) mostram que um mesmo produto pode apresentar diferenças expressivas de valor entre supermercados, resultado de uma combinação de fatores econômicos, sazonais e estratégicos do varejo. Em períodos como o início do ano e as férias escolares, quando o consumo dentro de casa aumenta e outras despesas se acumulam, essa oscilação se torna ainda mais perceptível para o consumidor.

Para quem mora sozinho, o impacto aparece principalmente na necessidade de rever hábitos e reduzir desperdícios. O designer gráfico Lucas Almeida afirma que precisou mudar completamente a forma como faz compras. “Antes, eu comprava tudo em um único mercado, pela praticidade. Hoje isso ficou inviável. Passei a pesquisar preços pela internet, comparar valores e dividir as compras entre supermercado e feira. Dá mais trabalho, mas o gasto mensal caiu”, relata.

Lucas conta que também passou a planejar melhor o que vai consumir ao longo da semana. “Quando eu comprava sem planejamento, acabava perdendo comida. Agora compro em menor quantidade, priorizo alimentos da estação e evito produtos muito caros naquele momento”, completa.

Segundo o economista e professor Alessandro Jordão, esse comportamento reflete uma adaptação necessária diante da grande dispersão de preços no varejo alimentar. “As variações entre supermercados decorrem de diferenças na estrutura de custos, na escala de operação, na logística e nas estratégias de precificação. Em muitos casos, a simples escolha do local da compra já representa uma economia relevante para o consumidor”, explica.

O cenário é ainda mais sensível para famílias maiores, em que o consumo é constante e difícil de reduzir. A auxiliar administrativa Mariana Santos vive com o marido e dois filhos adolescentes e diz que o planejamento passou a ser indispensável dentro de casa.

“Nas férias, os meninos ficam mais tempo em casa, fazem mais refeições e pedem mais lanches. Se a gente não se organiza, o orçamento estoura”, afirma.

Segundo Mariana, a família adotou estratégias para lidar com a instabilidade dos preços. “Montamos um cardápio semanal, evitamos desperdício e passamos a substituir produtos quando o preço sobe demais. Às vezes não dá para comprar a marca de costume, mas a gente se adapta”, diz.

De acordo com o economista, a variação de preços tem um efeito especialmente pesado sobre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação. “Quando há grande dispersão de preços, quem não consegue pesquisar ou se deslocar até supermercados mais baratos acaba pagando mais caro pelos mesmos produtos essenciais. Isso reduz o poder de compra e compromete gastos com transporte, saúde e educação”, ressalta Alessandro.

Outro fator que influencia diretamente os preços é a sazonalidade, sobretudo dos alimentos in natura. Frutas, legumes e verduras sofrem impacto do clima, dos ciclos de plantio e colheita e das perdas ao longo da cadeia logística. Em períodos de entressafra, a oferta diminui e os preços tendem a subir, o que amplia ainda mais as diferenças entre estabelecimentos.

Por isso, especialistas recomendam que o consumidor fique atento aos alimentos da estação e às possibilidades de substituição.

“Nem sempre é possível manter a mesma cesta de consumo ao longo do ano. Adaptar o cardápio é uma forma inteligente de proteger o orçamento sem comprometer a alimentação”, orienta o economista.

Para quem mora sozinho, o cuidado com o desperdício aparece como um dos principais aliados. “Hoje eu evito estocar perecíveis. Prefiro ir mais vezes ao mercado ou à feira e comprar só o necessário”, explica Lucas. Já para famílias, o desafio é equilibrar economia, variedade e qualidade nutricional. “Com criança, não dá para cortar tudo. Mas dá para equilibrar, negociar marcas e planejar melhor as refeições”, afirma Mariana.

O economista também destaca que, embora a pesquisa de preços seja uma ferramenta eficaz, ela não está igualmente ao alcance de todos. “Pesquisar preços exige tempo, acesso à informação e mobilidade. Por isso, políticas de transparência de preços e estímulo à concorrência no varejo alimentar são fundamentais para reduzir desigualdades”, conclui.

Diante desse cenário, planejamento, flexibilidade e informação se tornaram elementos centrais para enfrentar a variação nos preços dos alimentos. Ajustar hábitos de consumo, pesquisar preços e adaptar o cardápio são estratégias que ajudam a minimizar os impactos no orçamento doméstico, especialmente em um contexto de instabilidade econômica e pressão constante sobre o custo de vida.

(Murilo Aguiar)