História de cultura
Sede da Academia Sorocabana de Letras sofre com más condições estruturais
Imóvel histórico enfrenta falta de manutenção, problemas de acessibilidade e depende de apoio público para funcionar plenamente
A sede da Academia Sorocabana de Letras (ASL), instalada em um imóvel histórico que já abrigou a antiga Biblioteca Operária e Espírita, enfrenta dificuldades estruturais. O prédio fica na rua Comendador Oeterer, esquina com a rua Major João Elias. Já na fachada, é possível observar sinais de deterioração. As paredes apresentam pichações e não há placas ou outros elementos de identificação do imóvel.
O espaço, que integra a história cultural da cidade, teve diferentes ocupações ao longo das décadas, incluindo o funcionamento da biblioteca municipal por um período. O prédio foi destinado definitivamente à ASL em 2019, durante as comemorações dos 40 anos da instituição. No interior do imóvel, há rachaduras nas paredes e no piso. A biblioteca está localizada no andar superior, com acesso por uma escada em formato caracol, o que dificulta a circulação de idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Apesar da posse definitiva, a falta de recursos financeiros para a manutenção de um prédio antigo, situado em uma via de intenso fluxo de veículos, manteve a sede fechada por um longo período. Durante esse intervalo, as reuniões mensais da Academia passaram a ser realizadas em outros espaços, como o Sorocaba Clube.
O imóvel pertenceu a Pedro José Bento, encanador e funileiro que cedia a casa para uso comunitário. Após o falecimento do proprietário, a ASL entrou em disputa judicial e obteve a posse do local.
Somente em 2024, com recursos limitados, apoio da nova diretoria e contribuições voluntárias dos acadêmicos — tanto financeiras quanto em trabalho — foi possível reabrir parcialmente a sede para a realização das reuniões mensais. Ainda assim, o número de lugares é restrito e, em caso de presença de todos os membros, o espaço se torna insuficiente. Parte do acervo, como obras de arte e correspondências, não dispõe de local adequado para exposição ou armazenamento.
Outros equipamentos utilizados nas reuniões, como uma televisão e parte do acervo, permanecem em espaços improvisados. Segundo a diretoria, uma comissão de acadêmicos realizou recentemente a organização da biblioteca e do acervo, porém as limitações de acessibilidade impedem a abertura do espaço ao público em geral.
O presidente da ASL, Antônio Pontes, aponta a necessidade de apoio financeiro e institucional do poder público para assegurar a preservação do imóvel e a consolidação de uma sede com condições de atendimento ao público e de estímulo à produção cultural.
Mesmo com as restrições, a Academia registrou avanços nos últimos anos, como o lançamento de livros comemorativos, a realização da primeira Feira Literária Infantil da Academia Sorocabana de Letras (Fliasol) e a participação na elaboração do Projeto de Lei nº 4.776/2024, que propõe a criação do Dia Nacional do Tropeiro. Desde 2025, a ASL também integra a GIA União Cultural, iniciativa que reúne entidades tradicionais de Sorocaba com o objetivo de articular ações culturais e buscar recursos de forma conjunta.
Manutenção
A ASL é uma instituição sem fins lucrativos e afirma não dispor de recursos para realizar a reforma do imóvel. Por isso, busca apoio da sociedade civil e do poder público.
Procurada, a Prefeitura de Sorocaba informou, em nota, que “a Academia Sorocabana de Letras pode buscar apoio para a reforma do imóvel por meio de programas de incentivo à cultura e à preservação do patrimônio cultural e histórico, oferecidos por esferas municipais, estaduais ou federais”.
Segundo o governo municipal, em breve serão divulgados editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com previsão de um chamamento voltado a projetos que promovam o acesso da população aos bens e serviços culturais nos territórios e comunidades onde atuam, nos termos da Política Nacional de Cultura Viva. (Vernihu Oswaldo)
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