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Caso Sandro

Santuário no Mato Grosso deixa de receber Elefantes

Medida foi adotada após a morte de duas elefantas africanas e vale até a conclusão dos laudos de necropsia

06 de Janeiro de 2026 às 21:00
Thaís Verderamis [email protected]
Elefante Sandro, em Sorocaba, permanece no zoológico enquanto o caso é analisado pela Justiça
Elefante Sandro, em Sorocaba, permanece no zoológico enquanto o caso é analisado pela Justiça (Crédito: THAÍS VERDERAMIS)

A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) suspendeu a autorização do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, para receber novos elefantes. A decisão foi tomada após a morte do segundo animal cinco meses depois de sua chegada ao santuário. A suspensão permanece enquanto o órgão aguarda os laudos de necropsia.

Segundo a Sema-MT, a medida é preventiva e vale até a conclusão dos exames que apuram as causas das mortes dos animais.

Em nota, o Santuário de Elefantes Brasil afirmou que “não existem elementos para concluir qualquer possibilidade de riscos sem que os laudos de necropsia sejam finalizados”. A instituição ressaltou ainda que os elefantes atualmente residentes no local são da espécie asiática e não tiveram contato com as duas elefantas africanas que morreram recentemente.

Ainda de acordo com o SEB, houve notificação por parte da Sema para que não fossem recebidos novos elefantes até o esclarecimento de alguns pontos, que, segundo o santuário, estão sendo prontamente providenciados. Apesar da suspensão, o trabalho desenvolvido em parceria com o órgão ambiental continua. “Permanecemos aptos a receber quaisquer animais da fauna local que a Sema resgata e nos encaminha, como vem sendo feito há tempos”, informou.

O santuário declarou não concordar com a decisão, mas afirmou que irá colaborar com as autoridades. “Ressaltamos que não concordamos com a decisão tomada pelo órgão ambiental, mas jamais nos furtaremos a responder a quaisquer questionamentos dos órgãos licenciadores e fiscalizadores, como a Sema-MT ou o Ibama, que também atuam em parceria com o SEB.”

O que diz o Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que acompanha o caso. Segundo o órgão, já foi realizada uma ação de fiscalização no Santuário de Elefantes Brasil.

“Na ocasião, foi identificado que o cativeiro possui área muito superior à exigida para zoológicos, além de estruturas adequadas de cambiamento e cercas suficientemente resistentes para manter os animais restritos ao local. Também foi constatada a presença de técnicos habilitados, biólogos e veterinários atuando no santuário”, informou o Ibama.

Em nota, o órgão destacou que os elefantes encaminhados ao SEB são provenientes de antigos circos, zoológicos e ecoparques, inclusive de outros países. “Boa parte desses animais é idosa, apresenta comorbidades e possui histórico delicado. Eles foram direcionados ao santuário para ter mais qualidade de vida e manejo adequado”, informou.

O Ibama afirmou ainda que não é possível determinar, neste momento, se os óbitos ocorreram em decorrência de maus-tratos ou manejo inadequado. Segundo o órgão, os casos seguem sob acompanhamento, e os laudos de necropsia estão sendo elaborados pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A previsão é que os documentos sejam concluídos em até 30 dias.

Elefantas africanas

A primeira elefanta africana a chegar ao santuário foi Pupy, em abril de 2025, transferida do ecoparque de Buenos Aires, na Argentina. Após mais de 30 anos no local de origem, com idade estimada em 35 anos pelo SEB, o animal morreu cinco meses depois de chegar ao santuário, em decorrência de complicações gastrointestinais.

Em julho, o santuário recebeu Kenya, a segunda elefanta africana, transferida do Zoológico de Mendoza, também na Argentina, com aproximadamente 45 anos. Assim como Pupy, o animal faleceu cinco meses após a chegada ao local. A causa da morte ainda aguarda confirmação por meio dos laudos de necropsia.

Caso Sandro

O caso do elefante Sandro, atualmente no Zoológico Municipal de Sorocaba “Quinzinho de Barros”, tramita na Justiça e trata da possibilidade de transferência do animal para o Santuário de Elefantes Brasil.

Após a repercussão das mortes e da suspensão da autorização do SEB para receber novos animais, a Prefeitura de Sorocaba informou que a decisão reforça a posição do município de que Sandro deve permanecer no zoológico, onde recebe os cuidados adequados.

A administração municipal informou ainda que a suspensão foi comunicada ao Tribunal de Justiça e que aguarda o julgamento do processo. “O caso aguarda julgamento em segunda instância, e o município segue confiante de que, diante desse fato novo, a decisão será revertida e favorável à permanência do elefante Sandro em Sorocaba”, informou, em nota.

A reportagem do Cruzeiro do Sul procurou o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, mas ambos estavam em recesso até ontem (6) e não responderam.