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Casos de esporotricose crescem em Sorocaba

03 de Janeiro de 2026 às 19:00
Thaís Verderamis [email protected]
Nos gatos, a esporotricose se manifesta inicialmente por feridas ou nódulos na pele
Nos gatos, a esporotricose se manifesta inicialmente por feridas ou nódulos na pele (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Os casos de esporotricose cresceram em Sorocaba ao longo dos últimos anos. Em 2025, até o momento, foram confirmados 53 casos em pessoas, um aumento de 103,8% em relação a 2024, quando foram registrados 26 casos. O crescimento é ainda mais expressivo na comparação com 2023, que contabilizou apenas cinco ocorrências, o que representa um aumento de 420% de um ano para o outro.

Entre os animais, o avanço também é significativo. Em 2025, até o mês de novembro, foram registrados 237 casos, enquanto em 2024 houve 152 notificações. Em 2023, o número foi de 49 casos. No período de 2023 a 2025, o aumento acumulado é de 383%.

A esporotricose é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para pessoas. Trata-se de uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, comum em animais, especialmente em gatos. Segundo a Divisão de Zoonoses de Sorocaba, “a infecção ocorre, principalmente, pela implantação do fungo na pele ou mucosa, por meio de traumas causados por espinhos, palha ou lascas de madeira; contato com vegetais em decomposição; ou por arranhadura ou mordedura de animais doentes, mais comumente o gato”.

De acordo com a Zoonoses, os sintomas em pessoas surgem após a entrada do fungo na pele. “A lesão inicial se assemelha a uma picada de inseto e pode evoluir para cura espontânea. Em casos mais graves, quando o fungo atinge os pulmões, podem surgir tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. Na forma pulmonar, os sintomas são semelhantes aos da tuberculose. O fungo também pode afetar ossos e articulações, causando inchaço e dor aos movimentos, semelhantes aos de uma artrite infecciosa”, informa o setor.

O desenvolvimento da doença depende de fatores individuais, como o estado imunológico da pessoa e a profundidade da lesão. O período de incubação varia de uma semana a um mês, podendo chegar a até seis meses após a infecção. Em caso de sintomas ou suspeita, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação, diagnóstico e tratamento. A esporotricose é tratável e tem cura.

Como medida de prevenção, a Divisão de Zoonoses recomenda o uso de luvas de borracha ou de raspa de couro em atividades como jardinagem, poda e plantio, além do uso de roupas que protejam o corpo e calçados fechados. Animais com lesões suspeitas devem ser levados ao médico-veterinário e, quando necessário, isolados para evitar a transmissão a outros animais ou pessoas. Também é indicado utilizar luvas ao manusear animais infectados e realizar a desinfecção de ambientes com água sanitária.

Esporotricose em animais

Nos gatos, a esporotricose se manifesta inicialmente por feridas ou nódulos na pele, principalmente na região do nariz, que podem evoluir para lesões mais extensas, conforme explica o professor titular da Universidade Paulista e médico-veterinário Carlos Henrique Maciel Brunner.

Segundo o especialista, o tratamento convencional em animais é mais complexo, pois exige a administração de medicamentos por via oral durante vários meses. Esse processo pode representar risco de infecção para tutores e profissionais envolvidos, além da possibilidade de efeitos adversos ao fígado devido ao uso prolongado de medicamentos.

Como alternativa, uma técnica chamada eletroporação vem sendo testada no tratamento da esporotricose felina. “Trabalho há muitos anos com a eletroporação, técnica que torna as células mais permeáveis. Ela é utilizada em tratamentos de tumores cutâneos e câncer de pele em animais, na chamada eletroquimioterapia. A partir disso, adaptamos o método para que os poros formados pela eletricidade eliminem os fungos, sem o uso de medicamentos”, explica Brunner.

O tratamento é realizado uma vez por mês e dispensa o uso de remédios. O estímulo elétrico cria poros temporários nas células dos animais e também nos fungos. As células do hospedeiro se regeneram, enquanto os fungos não sobrevivem.

O procedimento é feito com anestesia e reduz os riscos de contágio e de danos hepáticos associados ao tratamento medicamentoso prolongado. O estudo está em desenvolvimento em diferentes estados do país.