Economia
Início do ano exige disciplina e planejamento para pagamento de contas e despesas extra
Desafio é dobrado para quem vive no aperto; economista dá dicas para equilíbrio financeiro
O fim do ano é sinônimo de alívio para algumas famílias devido ao 13º salário. Mas em janeiro aparecem as contas, impostos e despesas imprevistas. Se algumas pessoas já estão endividadas, o início do ano guarda uma verdadeira tempestade financeira.
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), matrícula e mensalidades escolares, material escolar, compras de fim de ano no cartão de crédito, renovações de contratos e cobranças que haviam sido postergadas durante o ano se acumulam na virada do calendário. Para quem terminou dezembro no aperto, ou até limpou o nome usando o 13º, o desafio é redobrado.
O economista Paulo Ricardo de Oliveira afirma que o planejamento precisa ser feito considerando o contexto familiar. “Uma pessoa solteira tem necessidades diferentes de quem é arrimo de família”, explica.
Ele também lembra que, além das contas e impostos, existem as festividades de fim de ano que geram custos adicionais.
Dívidas
Um levantamento feito pelos Cartórios de Protesto do Estado de São Paulo entre 2021 e 2024 mostrou que a chegada do 13º salário altera de forma consistente o comportamento financeiro do cidadão sorocabano.
“O número de cancelamentos de dívidas no fim do ano é 9,1% maior que em março e 13,4% maior que em agosto (em Sorocaba). O comportamento é sempre o mesmo: quita-se agora para respirar no ano seguinte”, aponta o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB/SP).
O tabelião de protesto João Baptista de Mello e Souza Neto afirma que “o aumento histórico da quantidade de cancelamentos de protestos das pessoas físicas nos meses de dezembro e janeiro pode ser explicado por dois fatores: o aumento de recursos decorrente do 13º salário e a necessidade de estar com o nome limpo para obter crédito para novas compras”.
Mas só isso não basta. Paulo Ricardo de Oliveira destaca que o mapeamento das despesas é fundamental para que o período seja de tranquilidade. “O 13º salário é um ‘plus’. Então é necessário fazer um levantamento de todas as despesas fixas”.
Parcelar ou não parcelar?
O economista afirma que o cartão de crédito requer cuidado. “O cartão de crédito, na verdade, é um empréstimo disfarçado”, diz. Ele explica que algumas contas, como IPVA, IPTU e material escolar, podem ser parceladas, desde que com cautela e planejamento.
A melhor estratégia para garantir que o material escolar não pese tanto no orçamento é pesquisar muito: comparar preços entre papelarias e lojas de varejo, visitar diferentes estabelecimentos e analisar marcas e custo-benefício. As escolas particulares costumam divulgar suas listas com antecedência, o que permite aos pais realizar pesquisas com calma.
Em Sorocaba, os pais que tem filhos em escolas municipais não precisam se preocupar com a lista de materiais, já que, de acordo com a Secretaria da Educação de Sorocaba (Sedu) “não há lista de materiais a ser providenciada pelas famílias, uma vez que nenhum item escolar é solicitado aos pais ou responsáveis”. Os kits de materiais são adquiridos a partir de processos licitatórios, de acordo com a Prefetura de Sorocaba.
IPTU e IPVA podem ser pagos integralmente com pequenos descontos ou parcelados. Segundo Oliveira, se a pessoa tiver o valor necessário, sem prejudicar outras áreas do orçamento, aproveitar o desconto é vantajoso. No IPVA do Estado de São Paulo em 2026, por exemplo, quem pagar a totalidade adiantado terá 3% de desconto. Os valores do IPTU ainda não foram divulgados.
Viagens
Para quem pretende viajar em férias, o ideal é que a compra seja feita com antecedência. “Quem deixa para a última hora irá pagar mais caro, infelizmente”, observa Oliveira.
Para o tabelião de protesto, a prevenção passa por regras básicas. “A principal recomendação para uma boa gestão financeira é que a família escreva, no papel, um orçamento realista: entradas prováveis de dinheiro, gastos obrigatórios e margem para novos gastos conscientes”.
Diante de um início de ano tradicionalmente carregado de contas, a recomendação dos especialistas converge para o mesmo ponto: organização. Antecipar gastos, mapear despesas e evitar compras por impulso ajudam a atravessar janeiro sem comprometer o orçamento dos meses seguintes. Com planejamento, o 13º salário deixa de ser apenas um alívio momentâneo e se transforma em uma ferramenta para começar o novo ano com mais tranquilidade financeira.