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Sorocaba

Sorocaba faz parte de ‘corredor’ de maior geração e processamento de resíduos eletroeletrônicos

Estudo identifica cidades paulistas com alta produção e estrutura para destinação desse tipo de material

02 de Janeiro de 2026 às 20:00
Thaís Verderamis [email protected]
Economia circular propõe modelo econômico voltado à redução de desperdícios
Economia circular propõe modelo econômico voltado à redução de desperdícios (Crédito: DIVULGAÇÃO / SECOM SOROCABA)

Sorocaba integra o chamado “corredor” de São Paulo, termo usado para designar cidades que concentram alta geração de resíduos eletroeletrônicos e, ao mesmo tempo, possuem grande número de pontos de processamento desse tipo de material. As informações constam em pesquisa realizada por Mariana Ottoni, sob orientação da pesquisadora Lúcia Helena Xavier, do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Segundo Lúcia, Sorocaba, Campinas e Jundiaí compõem esse corredor no Estado. Entre os resíduos eletroeletrônicos estão lâmpadas queimadas, pilhas, baterias, celulares, impressoras, televisores, monitores e relógios, itens que exigem destinação adequada. A pesquisa também considera o tempo de vida útil desses produtos. Enquanto uma máquina de lavar permanece mais tempo em uso, aparelhos como celulares têm vida média de dois a três anos com o consumidor.

O Projeto Recupere, apresentado no VII Seminário Internacional de Resíduos Eletroeletrônicos (SIREE), realizado em 17 de outubro de 2025, no Centro de Tecnologia Mineral, no Rio de Janeiro, apontou que o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano.

Em 2024, os estudos indicaram a média de resíduos produzidos por pessoa. “São 11,4 quilos de resíduos eletroeletrônicos por brasileiro ao ano, considerando toda a população. Isso resulta em cerca de 2 milhões e 400 mil toneladas anuais. É um volume alto. O Brasil é o segundo nas Américas e o quinto no mundo nesse consumo”, explica Lúcia.

A pesquisa também detalhou o destino desses resíduos após o uso. “Foi um estudo que durou um ano, no qual mapeamos mais de 1.500 residências. Cerca de 82% dos brasileiros possuem algum eletroeletrônico em casa e não sabem onde descartar. Muitos guardam celulares, pilhas e lâmpadas em gavetas ou estoques domésticos”, afirma a pesquisadora.

Segundo Lúcia, essa constatação revela um problema relacionado à falta de informação sobre a destinação correta e o reaproveitamento dos materiais. Ao mesmo tempo, indica que esses itens não foram descartados de forma incorreta ou prejudicial ao meio ambiente.

Pesquisas que mapeiam a localização dos resíduos eletroeletrônicos não são comuns. Poucos países realizam esse tipo de levantamento. A informação se torna relevante também diante do Decreto nº 10.240, publicado em 2020, que estabelece normas para a implementação do sistema de logística reversa. A partir dele, empresas passaram a ser responsáveis pela destinação adequada de parte dos produtos que colocam no mercado.

“O Brasil tem metas estabelecidas de 2021 a 2025. Em 2025, a meta é de 17%. Quem coloca eletroeletrônico no mercado precisa recolher e dar destinação adequada, comprovando todo o processo com documentação fiscal. Isso já está sendo feito”, explica Lúcia.

De acordo com a pesquisadora, o Brasil tem se destacado no cumprimento dessas metas. “Na Europa, apenas três países conseguiram cumprir os percentuais exigidos. O Brasil vem atendendo às metas dentro desse período de cinco anos”, afirma.

As metas não são cumulativas, mas progres­sivas. Em 2021, o índice começou em 1%, passou para 3% em 2022 e aumentou gradualmente até alcançar 17% em 2025. Para 2026, os percentuais ainda estão em fase de cálculo.

Economia circular

A economia circular propõe um modelo econômico voltado à redução de desperdícios. Segundo o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Sorocaba (Uniso), Renan Angrizani de Oliveira, “a economia circular vai além da reciclagem. Nesse modelo, os materiais são aproveitados ao máximo, reduzindo o descarte”, explica.

Para que o sistema funcione, é necessária uma mudança de pensamento em toda a cadeia produtiva, desde a escolha das matérias-primas, o design e as embalagens até o reaproveitamento de subprodutos gerados durante o processo, afirma Renan.

Diferente da economia linear, “a economia circular se contrapõe ao modelo ‘extrair, produzir e descartar’. No sistema linear, o crescimento depende do uso constante de recursos naturais, que são finitos, o que eleva o risco de escassez e encarece a extração”, pontua.

Segundo o coordenador, “considerando que a maioria dos recursos utilizados na produção de eletrônicos não é renovável, é necessário priorizar ações de redução do consumo, reutilização e reparo antes do descarte”.

Lúcia também diferencia os conceitos de reuso e reciclagem. O reuso consiste em empregar um material para novos fins, como bolsas feitas com lacres de latas de alumínio ou vassouras produzidas a partir de garrafas PET.

Já a reciclagem, segundo a pesquisadora, envolve a transformação físico-química dos materiais. “É nesse processo que conseguimos recuperar metais e minerais valiosos, muitos deles considerados estratégicos”, explica.

Pontos de coleta

Em Sorocaba, há diversos locais para o recolhimento e a destinação adequada de resíduos eletroeletrônicos, especialmente pilhas, baterias e lâmpadas, que são os itens mais comuns no descarte doméstico.

Alguns estabelecimentos oferecem pontos de entrega voluntária (PEV), como o Carrefour Sorocaba, lojas Casas Bahia, o supermercado Coop da avenida Itavuvu, a Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), a loja Kalunga da avenida Dom Aguirre e a Leroy Merlin.

Para itens de maior porte ou grandes volumes, o descarte pode ser direcionado à Metareciclagem, vinculada à Prefeitura de Sorocaba. O espaço está localizado na avenida Armando Sales de Oliveira, 762, na Vila Trujillo, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. O serviço também realiza a retirada de equipamentos maiores, mediante contato pelo telefone (15) 3417-3825.

O local promove o reuso de equipamentos em condições adequadas ou encaminha os materiais às cooperativas de reciclagem da cidade para o descarte correto.

 

 

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