Eleições
Futuro político de Sorocaba passa pela Justiça e pode chegar ao Senado
Manga continua afastado do cargo, cidade e região perdem deputados e Derrite mira o Senado
A Operação Copia e Cola, deflagrada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e pela Polícia Federal em abril e novembro deste ano, além de revelar supostos esquemas de irregularidades em contratos de gestão na área da saúde de Sorocaba, também embaralhou o futuro político do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), atualmente afastado do cargo. Em 6 de novembro, a segunda fase da operação determinou o afastamento de Manga do comando do Executivo por seis meses. Desde então, ele tentou por várias vezes obter liminar para retomar à função.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde foi instaurada em 13 de novembro e trouxe novas informações sobre a operação, que até então tramitava sob sigilo judicial. Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta irregular e organização criminosa. A CPI realizou três reuniões iniciais, voltadas à definição de documentos a serem solicitados, além das primeiras oitivas.
Em meados de dezembro, o TRF3 informou que o processo deixou de tramitar em sigilo. No mesmo período, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um quarto pedido da defesa de Manga para retorno ao cargo. O recesso do Judiciário começou em 19 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, data em que o prefeito completará dois meses afastado. A partir daí, em tese, uma nova tentativa jurídica poderá ser apresentada. Já o recesso do Legislativo, iniciado em 15 de dezembro, suspende os trabalhos da CPI até 3 de fevereiro de 2026.
O cenário aponta para um início de ano distinto para Manga, que precisará transitar por diferentes esferas dos Poderes para tentar manter sua trajetória política. Especialistas ouvidos pelo Cruzeiro do Sul explicam que o afastamento imposto pela Justiça tem natureza administrativa e processual, com o objetivo de preservar a apuração dos fatos, não implicando, por si só, inelegibilidade. Assim, o prefeito segue apto a disputar cargos eletivos em 2026.
No entanto, candidatos que ocupam cargos na administração pública — ou que atuam em empresas com contratos com o Poder Público — precisam cumprir o processo de desincompatibilização, que pode ser temporário ou definitivo. Os prazos variam de três a seis meses e são contados a partir da data do primeiro turno das eleições.
Mais de 156 milhões
São Paulo é o maior colégio eleitoral do País. No próximo pleito, mais de 33 milhões de eleitores paulistas deverão ir às urnas. Em todo o Brasil, o número de eleitores aptos supera 156 milhões, com votação prevista para 4 de outubro, no primeiro turno, e 25 de outubro, no segundo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda divulgará os números oficiais de 2026; em 2022, eram 156.454.011 eleitores.
Em 2026, o eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual (ou distrital, no caso do DF), dois senadores, governador e presidente da República. Deputados são eleitos pelo sistema proporcional, enquanto senadores, governadores e presidente seguem o sistema majoritário. Atualmente, 29 partidos possuem registro definitivo no TSE, e a legislação permite a formação de federações partidárias com atuação conjunta por, no mínimo, quatro anos.
Na Câmara dos Deputados, são 513 cadeiras; em São Paulo, 94 vagas são preenchidas pelo sistema proporcional, conforme o quociente eleitoral e partidário.
Deputados estaduais
Os deputados estaduais com base eleitoral em Sorocaba e região são Danilo Balas (PL), Vitão do Cachorrão (Republicanos) e Maria Lúcia Amary (PSDB). Edson Giriboni (União), de Itapetininga, também mantém atuação próxima. Carlos Cezar (PL) deixou o cargo no fim de novembro para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Informações extraoficiais apuradas pelo Cruzeiro do Sul indicam que o vereador sorocabano Roberto Freitas (PL) pode ser lançado como candidato para tentar preencher a vaga deixada por Cezar.
Deputados federais
Na Câmara dos Deputados, têm base na região Vitor Lippi (PSDB), Jefferson Campos (PL); Guilherme Derrite (PP) – que deixou a Secretaria de Segurança Pública para reassumir o mandato; Simone Marquetto (MDB), que anunciou a intenção de se afastar da vida eleitoral; e Missionário José Olímpio (PL), de Itu, que assumiu a vaga deixada por Eduardo Bolsonaro. Também orbitam a região Kim Kataguiri (União), com base em Salto, e Erika Hilton (PSOL), com atuação ligada à região de Itu.
A troca de partidos ocorre durante a chamada janela partidária, prevista entre março e abril.
Senadores
Em 2026, o Senado Federal renovará 54 das 81 cadeiras, em eleição majoritária simples. Cada estado elegerá dois senadores, com mandato de oito anos. Sorocaba nunca teve um representante no Senado, mas Guilherme Derrite tem afirmado publicamente que avalia disputar uma vaga.
Governadores
Serão eleitas 27 chapas, uma por estado e outra pelo Distrito Federal. A vitória em primeiro turno exige maioria absoluta dos votos válidos; caso contrário, há segundo turno. Com o aval de Jair Bolsonaro para que Flávio Bolsonaro concorra à Presidência, a tendência é que o governador Tarcísio de Freitas busque a reeleição em São Paulo.
Esse cenário interfere nas possibilidades de Rodrigo Manga. Caso Tarcísio deixasse o cargo, a disputa pelo Executivo estadual poderia se abrir. Ainda assim, o prefeito afastado também pode mirar a Câmara dos Deputados ou, em uma hipótese mais ambiciosa, o Senado.
Presidente
A eleição presidencial segue o mesmo critério de maioria absoluta. Em suas redes sociais, principal canal de comunicação, Manga costuma mencionar, em tom informal, a possibilidade de disputar diferentes cargos, inclusive o de presidente.
Tradicionalmente, janeiro marca o início das articulações partidárias. Em março, encerra-se o prazo para filiação partidária, e no início de abril termina o período para renúncia de cargos por quem pretende concorrer. Em maio, esgota-se o prazo final de filiação.
No mesmo mês, o afastamento de Manga completará os seis meses definidos pela Justiça. Com forte presença digital e grande alcance nas redes sociais, o futuro político do prefeito permanece indefinido, embora ele já sinalize ambições mais amplas.
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