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127ª Romaria de Aparecidinha reforça tradição secular e mobiliza Sorocaba no dia 1º de janeiro

Celebração reúne milhares de fiéis, terá esquema especial de trânsito e transporte público e marca o início do ano com fé e devoção a Nossa Senhora Aparecida

31 de Dezembro de 2025 às 11:44
Da Redação [email protected]
Fiéis durante a romaria em 2024, tradição que se repete nesta quinta em Sorocaba
Fiéis durante a romaria em 2024, tradição que se repete nesta quinta em Sorocaba (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO/ARQUIVO/JCS (14/7/2024))

A 127ª Romaria de Aparecidinha será realizada nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, em Sorocaba, reafirmando uma das mais antigas e tradicionais manifestações religiosas do interior paulista. A celebração deve reunir milhares de fiéis em um percurso de aproximadamente 16 quilômetros, entre o Santuário de Aparecidinha e a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Ponte, no Centro da cidade.

A programação tem início às 5h, com a celebração da Santa Missa no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Conceição Aparecida, conhecido como Santuário Novo, localizado na Estrada Dom José Melhado Campos, no bairro Aparecidinha. Após a missa, os romeiros seguem em procissão levando a imagem da santa até a Catedral Metropolitana, onde está prevista a celebração de encerramento por volta das 10h, presidida pelo pároco Pe. Tadeu Rocha Moraes.

O trajeto passa pelas avenidas Três de Março e Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, Rua Yashika e Avenida São Paulo. Um dos momentos mais marcantes da romaria ocorre durante a parada em frente à Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, prevista para cerca das 8h30, quando enfermos, profissionais da saúde e acompanhantes recebem a bênção da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em seguida, a caminhada prossegue pela Ponte Francisco Dell’Osso e pelas ruas XV de Novembro e São Bento, até a chegada à Catedral.

Operação especial de trânsito e ônibus extras

Para garantir a segurança dos fiéis e minimizar os impactos no trânsito, a Secretaria de Mobilidade (Semob) e a Urbes – Trânsito e Transportes prepararam uma operação especial. Agentes de trânsito acompanharão toda a procissão, realizando escolta e interdições momentâneas ao longo do trajeto, com liberação das vias logo após a passagem dos romeiros. Todos os pontos de bloqueio estarão devidamente sinalizados.

O transporte coletivo também funcionará em esquema diferenciado. O Terminal Santo Antônio será aberto a partir das 4h, com equipes operacionais posicionadas desde o início da manhã. A linha T48 – Expresso Aparecidinha contará com viagens extras às 4h10 e 4h30, saindo da Plataforma 1 – ponto “A” do Terminal Santo Antônio, com destino direto ao Santuário Novo. Ônibus reserva permanecerão de prontidão e poderão ser acionados conforme a demanda.

Durante a romaria, a partir de aproximadamente 6h30, poderão ocorrer desvios temporários de itinerário em algumas linhas, em razão das interdições viárias. Fiscais da Urbes estarão em pontos estratégicos para acompanhar a operação e garantir a regularidade, a fluidez e a qualidade do serviço prestado à população.

Tradição que atravessa séculos

A devoção em Aparecidinha remonta ao século XVIII. Em 1782, o português Antônio José da Silva, vindo de Lorena, encomendou a construção de uma capela em honra a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. No altar permanece até hoje uma pequena imagem em madeira, com apenas 13 centímetros, venerada há mais de 237 anos. O local tornou-se o atual Santuário de Aparecidinha, que recebe anualmente mais de 50 mil romeiros nas romarias de 1º de janeiro e do segundo domingo de julho.

Registros históricos indicam que a romaria já era considerada “tradicional e acostumada” em 1852, segundo o jornal O Defensor, havendo referências de sua realização desde 1804. Ao longo do século XIX, tornou-se comum levar a imagem da santa até a cidade em períodos de grandes dificuldades, como epidemias, secas e enchentes.

Durante os surtos de febre amarela, no final do século XIX, a devoção se fortaleceu ainda mais. O então pároco da Matriz Nossa Senhora da Ponte, Monsenhor João Soares do Amaral, teve papel decisivo no cuidado aos enfermos e na consolidação da romaria. Foi ele quem fixou oficialmente as datas: 1º de janeiro, com a ida da imagem à Catedral, e o segundo domingo de julho, no retorno ao Santuário — tradição mantida até os dias atuais.

Mesmo após sua morte, em 1900, o legado de Monsenhor João Soares permanece vivo. A Romaria de Aparecidinha consolidou-se como um dos maiores eventos religiosos de Sorocaba, fortalecendo a identidade histórica, cultural e espiritual da cidade. (Caroline Mendes)