Ausência do tutor
Férias impulsionam procura por hotéis para pets e serviços de pet sitter
Escolha entre um modelo e outro depende do perfil do pet e do tempo de ausência do tutor
O período de férias escolares e o aumento das viagens no fim de ano têm impulsionado a procura por serviços especializados para o cuidado de animais de estimação. Entre as principais alternativas estão os hotéis para pets, que oferecem estrutura completa e convivência supervisionada, e os pet sitters, profissionais que realizam visitas domiciliares e mantêm o animal em sua própria rotina. A escolha entre um modelo e outro depende do perfil do pet, do tempo de ausência do tutor e do tipo de cuidado necessário.
O serviço de pet sitter tem atraído principalmente tutores que preferem manter o animal em casa, evitando mudanças bruscas de ambiente. Atuando de forma independente, a pet sitter Vitória Maria Nunes Vasconcelos, que iniciou na área ainda durante a graduação, relata que a atividade começou como renda extra e foi se profissionalizando com o aumento da demanda. “Hoje o atendimento é totalmente estruturado. Antes de iniciar, faço uma análise completa, com informações sobre rotina, alimentação, comportamento, uso de medicamentos e contatos de emergência”, explica. Ela atende cães de pequeno porte, gatos, aves, peixes e outros pets, sempre respeitando as particularidades de cada animal.
As visitas são organizadas por rota e os tutores recebem atualizações constantes. “Aviso os horários de chegada e saída e envio fotos e vídeos. O tutor acompanha tudo à distância”, afirma. Segundo a profissional, o trabalho vai além dos cuidados básicos. “Durante as visitas, observo o comportamento, brinco, avalio se há algo fora do normal e acompanho o bem-estar ao longo dos dias”.
O valor das visitas varia entre R$ 60 e R$ 80, de acordo com o número de animais e as necessidades específicas. Para ela, o maior desafio da profissão é a responsabilidade envolvida. “Cuidamos do animal e também da casa do cliente. É uma confiança muito grande”.
Já a pet sitter Karollaine dos Santos Moreira iniciou nas atividades por necessitar do serviço e não encontrar um profissional disponível. “Me vi precisando desse serviço quando precisava viajar ou até mesmo passar um período longe deles. Quando procurei no mercado, não encontrei muitos profissionais na área. Juntei meu amor pelos pets e meu tempo livre no momento para entrar nesse ramo”, contou.
Karollaine explica que as visitas de pet sitter ou o serviço de dog walker começam muito antes do primeiro contato com o pet em si. “Preciso entender como funciona a rotina daquele pet e de seu tutor. Inicialmente, marcamos uma pré-visita sem custo para alinhar as necessidades e cuidados. Além disso, o pet precisa me conhecer e me aprovar para cuidar dele”, detalhou.
A pet sitter enfatiza que o trabalho vai além dos cuidados básicos. “Envolve responsabilidade, conhecimento e amor pelos pets. Esse é o meu maior desafio. A confiança é um dos pontos que fazem tudo dar certo. Entendo que a pessoa deixa seu bem mais precioso comigo, abrindo a porta de sua casa por um período de necessidade e, muitas vezes, de vulnerabilidade. Isso eu levo com bastante seriedade e comprometimento. Cada casa e animal que atendo levo com bastante carinho e respeito, fazendo de mim quem eu sou. Hoje posso dizer, depois de tanta luta, que entrego um trabalho de excelência por onde passo”, finalizou.
Já os hotéis para animais seguem um modelo mais estruturado, indicado principalmente para cães sociáveis e tutores que buscam acompanhamento contínuo. Em um dos hotéis da cidade de Sorocaba, que atende exclusivamente cães, a proposta é oferecer um ambiente que estimule os instintos naturais do animal. “A ideia inicial era proporcionar um local seguro para que os tutores pudessem viajar tranquilos. Com o tempo, fomos estudando comportamento canino e aprimorando o manejo, buscando o equilíbrio emocional do cão”, explica a proprietária, Silvia Antunes Ribeiro.
A rotina diária inclui alimentação conforme orientação do tutor, interação em grupos definidos por porte e nível de energia, períodos de descanso e atividades de enriquecimento ambiental. O hotel conta com equipe de três profissionais, além de uma veterinária responsável técnica, sistema de monitoramento com câmeras e envio regular de fotos e vídeos aos tutores.
As diárias variam entre R$ 82 e R$ 92, conforme o porte do cão, podendo chegar a cerca de R$ 120 na alta temporada, como nos meses de dezembro e janeiro. Segundo Silvia, cães com comportamentos mais complexos passam por avaliação prévia e, em casos extremos, a hospedagem pode ser recusada. “A segurança e o bem-estar vêm sempre em primeiro lugar”.
Outro hotel, que também atende exclusivamente cães, oferece presença humana 24 horas por dia. A proprietária, Karla Adriana Garcia Menna, conta que a ideia surgiu da própria dificuldade em encontrar um local onde seus animais não ficassem sozinhos à noite. “Aqui os cães nunca ficam sem pessoas. Temos equipe da manhã, da tarde e da noite”, afirma. O hotel oferece hospedagem, creche, day care e até estadia permanente para cães idosos ou de tutores que já não conseguem cuidar dos animais.
Além dos cuidados básicos, o local acompanha vacinação, vermifugação e, quando necessário, leva os animais ao veterinário. “A gente conhece o comportamento de cada cachorro e percebe rapidamente quando algo não está bem”, diz Karla.
Para a advogada Claudia Marufuji, a escolha por um hotel especializado passa pela confiança e pela estrutura oferecida. “Considerei a estrutura e a segurança transmitida pela equipe. Além do hotel, também conto com uma pet sitter para as caminhadas do dia a dia”, relata.
Segundo ela, a adaptação dos animais foi tranquila. “Eles brincam, descansam e recebem um tratamento cuidadoso. O serviço vai muito além de hospedar, o que traz tranquilidade para quem está viajando”.
Outro tutor, o empresário Rafael Nogueira, que utiliza tanto hotel quanto pet sitter em diferentes situações, destaca que a decisão depende do perfil do animal. “Meu cachorro mais velho se adapta melhor ficando em casa, com visitas diárias. Já a mais nova adora interação e se dá muito bem no hotel. O importante é escolher um serviço que respeite o temperamento do pet”, afirma.
Com a alta demanda no período de férias, os profissionais alertam para a importância do planejamento. Hotéis costumam ter lotação esgotada semanas ou até meses antes, enquanto pet sitters atendem regiões específicas e têm agenda limitada.
Independentemente da escolha, especialistas reforçam que o bem-estar do animal deve ser o principal critério. Conhecer a rotina, o comportamento e as necessidades do pet é essencial para garantir que a viagem do tutor seja tranquila e que o animal também atravesse o período de férias com conforto e segurança. (Caroline Mendes)
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