Prefeito de Sorocaba
Fernando Martins: saúde será prioridade em 2026
À frente do Executivo há 52 dias, prefeito interino adota discurso cauteloso, fala sobre CPI da Saúde, nova rodoviária, marginal direita e o futuro do elefante Sandro
Há 52 dias à frente da Prefeitura de Sorocaba, Fernando Martins (PSD) começa a traçar os primeiros contornos de sua gestão em meio a um cenário político atípico. Ele assumiu o comando do Executivo em 6 de novembro, após o afastamento do prefeito Rodrigo Manga, e afirma que 2026 será marcado por uma atuação concentrada na área da saúde, apontada como principal prioridade da administração.
Em entrevista ao Cruzeiro do Sul, Fernando comentou temas sensíveis da cidade e adotou um discurso de cautela. Questionado sobre possíveis mudanças no secretariado, afirmou que eventuais trocas estão sendo analisadas caso a caso, inclusive envolvendo nomes citados na Operação Copia e Cola. Segundo ele, nenhuma decisão será tomada sem avaliação individual e respeito ao direito de defesa.
O prefeito também abordou projetos estruturais e impasses herdados da gestão anterior. Garantiu que a obra da marginal direita seguirá adiante, com recursos internacionais já assegurados, enquanto a inauguração da nova rodoviária deve sofrer novo adiamento. Entre as polêmicas, voltou a falar sobre o elefante Sandro, afirmando que a prefeitura cumprirá integralmente a decisão judicial sobre o destino do animal. Confira a entrevista completa:
Jornal Cruzeiro do Sul: Prefeito, o senhor falou sobre arrumar a equipe. Há previsão de uma reforma no secretariado? Alguma troca prevista para o ano que vem?
Fernando Martins: Estamos avaliando, caso a caso, nos organizando o máximo possível para que possamos caminhar, não em passos largos, mas em passos firmes. Vamos aproveitar esses dias de festa para trabalhar em dobro, nos organizar e resolver tudo de uma maneira que seja boa para a cidade.
JCS: Alguns secretários foram citados na Operação Copia e Cola da Polícia Federal. Há alguma definição se eles permanecem ou serão afastados?
FM: Estamos analisando caso a caso para não tomar nenhuma medida injusta. É uma situação em que a pessoa tem direito à defesa, e nós respeitamos muito isso.
JCS: Em áreas importantes como educação, saúde e segurança, existe algum plano para os primeiros meses de 2026?
FM: Vamos trabalhar com bastante carinho e dedicação na saúde. A saúde será a nossa prioridade. Vamos nos organizar bastante, envolver todos os vereadores, para que todos possam colaborar e nos ajudar a melhorar a saúde.
JCS: Há problemas com repasses, como no caso do Gpaci. Essas questões serão resolvidas rapidamente?
FM: Estamos trabalhando e atendendo todas as necessidades possíveis para que nenhuma entidade hospitalar ou da área da saúde fique desprovida.
JCS: Na educação, as escolas cívico-militares devem começar no ano que vem. Existe algum plano específico?
FM: A educação é muito complexa. Temos um novo secretário que está se organizando e estruturando o trabalho para que possamos desenvolver uma boa gestão. Estamos em fase de planejamento.
JCS: E as medidas anunciadas pelo governo Manga, como a mudança na alimentação escolar às sextas-feiras, serão mantidas?
FM: Por enquanto, esses projetos vão ser pausados. Precisamos analisar melhor e nos organizar antes de tomar qualquer decisão.
JCS: Quais são as expectativas para a eleição de 2026?
FM: Temos uma expectativa muito grande para Sorocaba. Será uma eleição com grandes candidatos. Vamos aguardar o momento certo para que os pré-candidatos se apresentem. Esperamos que Sorocaba eleja muitos representantes para a Assembleia Legislativa, Senado e Governo Federal.
JCS: O senhor acredita que permanecerá no cargo pelos 180 dias [período de afastamento do prefeito Rodrigo Manga] previstos?
FM: Estamos preparados para qualquer cenário, seja o retorno do prefeito ou a continuidade do nosso trabalho. O que for melhor para a cidade, vamos administrar da melhor forma possível.
JCS: Além da saúde, existe algum grande projeto que o senhor pretende implementar nesses primeiros meses?
FM: De imediato, sabemos que a saúde está muito carente. Vamos focar 100% nela. É uma área que nunca se resolve completamente, mas vamos trabalhar com afinco para melhorar muito.
JCS: Sobre a marginal direita e o parque linear, já existem estudos em andamento?
FM: Essas situações já estão pré-definidas. A marginal direita já tem recursos garantidos, inclusive internacionais, e a obra terá continuidade.
JCS: A questão do elefante Sandro gera debates na cidade. O senhor pretende mantê-lo em Sorocaba?
FM: Eu respeito muito essa situação e vou aguardar a decisão judicial. O que for decidido pela Justiça, nós vamos cumprir integralmente.
JCS: O recinto do animal passa por reformas?
FM: Estamos melhorando o espaço para que ele viva da melhor forma possível, sempre respeitando a decisão judicial. O Sandro é um patrimônio histórico da cidade e merece todo o cuidado.
JCS: A nova rodoviária deve ser inaugurada no prazo previsto?
FM: A obra está um pouco lenta. Acredito que será necessário adiar mais um pouco para entregar algo melhor. Não deve ser inaugurada dentro do prazo previsto.
JCS: Existe algum projeto para a antiga rodoviária?
FM: Pelo que me consta, trata-se de uma propriedade particular. Vamos respeitar isso e torcer para que seja feito um bom uso do espaço, que contribua para a cidade.
JCS: O senhor já estreitou relações com o governo estadual e as cidades da Região Metropolitana?
FM: Temos um relacionamento muito próximo tanto com o governo estadual quanto com a região. O presidente do meu partido é Gilberto Kassab, com quem tenho uma relação política sólida, o que facilita esse diálogo institucional.
JCS: O que o senhor prevê para Sorocaba em 2026?
FM: Estamos nos organizando para que a população seja cada vez melhor atendida. Faremos um trabalho sólido para que Sorocaba receba todas as melhorias possíveis. A prefeitura vai trabalhar diuturnamente pelo bem da população.
JCS: A CPI da Saúde está em andamento na Câmara. A prefeitura apoia a investigação?
FM: A CPI é importante, porque é uma forma de mostrar a realidade e permitir que as pessoas se defendam. É um instrumento democrático, sério, e deve ser respeitado.
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