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LUTO OFICIAL

Aos 93 anos, morre Laelso Rodrigues, empresário e filantropo que deixou um legado no voluntariado

Ele será velado hoje, das 8h às 11h, no Espaço Pax. Sepultamento está previsto para sequência, no cemitério Pax

22 de Dezembro de 2025 às 22:20
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Faleceu sereno em sua residência, enquanto dormia. Não estava doente, 
apenas havia a fragilidade normal a um homem nonagenário
Faleceu sereno em sua residência, enquanto dormia. Não estava doente, apenas havia a fragilidade normal a um homem nonagenário (Crédito: ARQIVO JCS)


Laelso Rodrigues morreu ontem (22), em Sorocaba, aos 93 anos. Homem de presença marcante, dono de um sorriso cativante e de uma voz suave. Correto no trato com as pessoas e negócios, era humilde e sempre presente. Ele gostava da vida. Era um pacificador.

Visionário, teve participação importante no desenvolvimento de Sorocaba e na instituição de entidades que visam a promoção humana.

Sua longevidade e autonomia eram admiradas por todos que o cercavam. Ainda dirigia o próprio automóvel e, apesar da idade, não precisava usar óculos em nenhuma circunstância. Lúcido, tinha boa memória e vivia fazendo planos para o futuro. Não se limitava no tempo e era um entusiasta da tecnologia. Dominava a inteligência artificial (IA) e usava o recurso no celular no dia a dia. Na condição de membro da diretoria da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA) — mantenedora do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Politécnico — e presidente do Conselho Superior da Fundação Cultural Cruzeiro do Sul — mantenedora da rádio Cruzeiro FM 92,3, dava expediente diário, em contato direto com os colaboradores das duas entidades. Foi assim até sexta-feira, dia 19, quando chegou no início da tarde, conversou com todos e participou da confraternização com os colaboradores. Esses era um daqueles momentos nos quais ele mostrava o quanto gostava de pessoas.

Era muito agradável conviver com ele. Homem culto e que contava muitas história, fruto de sua experiência de vida. Chamava a todos de “meu amigo” ou “minha amiga”. Construiu uma brilhante carreira como empresário, filantropo, líder comunitário e no voluntariado.

Faleceu sereno em sua residência, enquanto dormia. Não estava doente, apenas havia a fragilidade normal a um homem nonagenário.

Laelso Rodrigues nasceu em 30 de março de 1932, em Sorocaba. Filho de Augusto Rodrigues e Hilda da Silva Rodrigues. Era viúvo de Leda Terezinha Borghesi Rodrigues, pai de Márcia Cristina e Marcos Augusto e um avó carinhoso, dedicado e orgulhoso de três netos e uma bisneta.

Começou a trabalhar com treze anos de idade como office-boy no armazém do seu Jorge Gomes e, com 19 anos, já formado em contabilidade, passou a trabalhar na Indústria de Linho Quatro Pontos como diretor financeiro. Trabalhou, também durante vários anos, no ramo de automóveis. Em 1969, ingressou na Indústria Têxtil Metidieri, onde assumiu o cargo de diretor financeiro, permanecendo até 1975. Também foi um importante executivo da Moto-Peças S.A. — Transmissões e Engrenagens, que foi a maior indústria brasileira de componentes de câmbios e diferenciais da década de 1970, com sede em Sorocaba.

Industrialização de Sorocaba

Foi a partir daí, entre 1971 e 1972, que Laelso Rodrigues começou a sua dedicação pela industrialização de Sorocaba. Trabalhou com os prefeitos José Crespo Gonzalez (gestão de 1969-1973) e Armando Pannunzio (gestão de 1973 a 1977) com foco em trazer indústrias para Sorocaba. Na gestão de Armando Pannunzio, Laelso Rodrigues presidiu o Conselho Municipal de Desenvolvimento Industrial, com o objetivo de fazer Sorocaba modernizar-se. O resultado foi o aumento do número de indústrias que escolheu a cidade para se instalar, dando origem a Zona Industrial.

Vida pública

A performance de Laelso Rodrigues no processo de industrialização de Sorocaba colocou o seu nome em maior evidência na vida pública e a eleição municipal de 1976 — onde cada partido tinha candidatos em legenda e sublegenda — foi uma demonstração disso. Laelso foi o escolhido pela Arena para disputar a eleição municipal, que aconteceria em turno único, no dia 15 de novembro daquele ano do com o objetivo de eleger o prefeito que administraria Sorocaba por um mandato de quatro anos, entre 1º de fevereiro de 1977 até 31 de janeiro de 1983.

Laelso tinha como principal adversário nas urnas José Theodoro Mendes, pelo lado do MDB. Foi uma campanha bem agitada. Porém, após a apuração, Laelso que recebeu 19.522 (21,68%), foi superado por Theodoro, que teve 46.117 (51,21%). Após a conclusão daquele pleito, Theodoro e Laelso se tornaram amigos, mostrando mais uma vez a cordialidade do homem sensato, que reconheceu a escolha do eleitor sorocabano em 1976. Theodoro foi um bom prefeito. Ele morreu em 24 de janeiro de 2020.

Vida maçônica

Iniciou na Maçonaria em 27 de abril de 1957, pela Loja Maçônica Perseverança III, onde ocupou várias funções e também a presidência. Foi três vezes presidente da Fundação Ubaldino do Amaral (março de 1966 a novembro de 1967; novembro de 1977 a novembro de 1980; e março de 2010 a março de 2014); presidiu o Conselho Superior da Fundação Ubaldino do Amaral e a primeira diretoria da Fundação Cultural Cruzeiro do Sul, que mantém a rádio Cruzeiro FM 92,3; foi presidente por três vezes do Lar Escola Monteiro Lobato; Integrante do Conselho da Associação Protetora dos Insanos e da Vila dos Velhinhos de Sorocaba e diretor da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba. Também teve importante atuação na Fraternidade Acadêmica Perseverança III, Liga Sorocabana de Combate ao Câncer, e o Serviço de Obras Sociais, entre outras inúmeras entidades que valorizam pessoas. No dia 28 de junho de 2021, Laelso Rodrigues, recebeu o título de Embaixador da Paz, da Federação para a Paz Universal.

Antes, entre os anos de 2001e 2008, foi o Soberano Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. Nesse período defendeu a proteção da Amazônia, além de uma firme campanha “Maçonaria contra as drogas”.

Causas filatrópicas

Em 1963, o então presidente da Loja Maçônica Perseverança III (PIII), Paulo Pence Pereira tinha um objetivo definido para marcar a sua gestão, que iniciou em 1960. Ele sonhava em criar uma empresa que pudesse gerar renda para manter as entidades beneficentes assistidas pela PIII e não mais depender, apenas, de festas, almoços e jantares para obter recursos necessários na manutenção das causas assistenciais.

Para viabilizar a sua ideia, Paulo Pence Pereira sabia que somente uma pessoa seria capaz de executar a nobre missão: Laelso Rodrigues recebeu a incumbência com determinação. Ele sabia que Hélio da Silva Freitas, também membro da PIII, pretendia vender a Editora Cruzeiro do Sul S/A que pertencia à Família Freitas, assim como a rádio PRD7. Os Freitas queriam 50 milhões de cruzeiros pela rádio (moeda de 1963) e 21 milhões de cruzeiros pela Editora Cruzeiro do Sul S/A.

Após conversas com Hélio da Silva Freitas, em nome de sua família, Laelso Rodrigues escreveu um minucioso relatório endereçado a Paulo Pence Pereira e aos demais membros da PIII, favorável à compra da Editora Cruzeiro do Sul S/A.

E, assim foi feito. Vinte e um maçons, pertencentes à PIII, adquiriram, da família Freitas, as ações da Editora Cruzeiro do Sul S/A e passaram à condição de novos proprietários da empresa. Eram eles: Adail Odin de Arruda, Adonias Nóbrega de Almeida, Antônio Antunes Almeida, Antônio Novais, Benedito Freitas Dias, Domingos Puglia Neto, Francisco Sócrates de Oliveira Camargo, Hélio da Silva Freitas, Irineu Camargo Almeida, José Aleixo Irmão, Juarez Antonio Dal Pian, Juvenal Wey, Laelso Rodrigues, Levy Godoy, Luiz Garcia Duarte, Martin Affonso, Milton Rodrigues, Nelson Guilherme Guimarães Glória, Olival Wey Pires do Amaral, Paulo Breda Filho e Paulo Pence Pereira.

No dia 31 de julho de 1964, os 21 maçons que detinham as ações da Editora Cruzeiro do Sul fizeram a doação formal para a recém-fundada Fundação Ubaldino do Amaral. Até ontem, Laelso Rodrigues era o único instituidor vivo da entidade que viabilizou a partir de um sonho de Paulo Pence Pereira e que permanece firme até hoje em sua missão 61 anos depois.

Homem de família

Laelso Rodrigues foi um homem exemplar e de excelência. Fez sim história, tanto pessoal quanto institucional. Foi, sempre, alguém com uma visão à frente de seu tempo, capaz de enxergar um futuro promissor para Sorocaba e as entidades de que participou e representou, assim como apostar em propostas e pessoas. Ao longo dos anos plantou muito, muitas das vezes até mesmo sozinho, mas a colheita sempre foi coletiva.

O homem que morreu em atividade aos 93 anos dedicou sim boa parte de sua vida às causas filantrópicas — ao próximo —, mas era na família que encontrava o seu porto seguro e também novas e boas ideias.

Ao lado da esposa Leda Terezinha Rodrigues, falecida em 2012, Laelso idealizou e apoiou campanhas sociais como o Natal Solidário, que mobilizava empresários e voluntários para arrecadação de recursos e distribuição de cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade. À frente da FUA, também fortaleceu a Fundação Educacional Politécnica de Sorocaba, que ofereceu ensino gratuito a jovens de baixa renda, e a Fundação Cultural Cruzeiro do Sul, responsável pela modernização da Rádio Cruzeiro FM.

A família Rodrigues também era empreendedora. Dona Leda tinha uma excelente mão para produzir delícias em forma de comida. Dessa forma, eles fizeram fama nesse segmento em Sorocaba. Foram proprietários de empresas que serviam de refeições simples a banquetes. Os Rodrigues sabiam fazer boas festas.

Dona Leda faleceu em 12 de dezembro de 2012, um dos dias mais tristes na vida de Laelso Rodrigues. Apesar de se um homem “forte”, Laelso demostrou toda a sua humanidade nesse dia. Sentimento esse que voltou a se repetir em 26 de maio deste ano, 2025, quando perdeu o seu melhor amigo, o irmão de sangue e fé Laor Rodrigues. Os irmãos eram inseparáveis e o amor que um nutria pelo outro era contagiante. Ontem, Laelso foi se encontrar com seus dois amores, deixam tantos outros tristes. Além dos filhos Márcia e Marcos, netos e bisneta, ele deixa a irmã Laurita Rodrigues de Almeida.

Laelso Rodrigues será velado hoje (23), no Espaço Pax, das 8h às 11h. Seu sepultamento será em seguida no cemitério Pax, em Sorocaba. (Aldo Fogaça)

 

 

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