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Desafios sociais

SP reduz desemprego e número de jovens ‘nem-nem’

09 de Dezembro de 2025 às 20:20
Cruzeiro do Sul [email protected]
Levantamento do IBGE aponta melhora nos indicadores sociais em nível estadual
Levantamento do IBGE aponta melhora nos indicadores sociais em nível estadual (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

A desigualdade de renda permanece como um dos principais desafios sociais da cidade de São Paulo, mesmo em um cenário de avanços no mercado de trabalho e entre os jovens. A conclusão é da Síntese de Indicadores Sociais 2024, divulgada na última quarta-feira (3) pelo IBGE. Segundo o levantamento, a capital paulista segue como a segunda mais desigual do país, atrás apenas do Recife, enquanto o estado registra o menor número de jovens que não estudam nem trabalham desde o início da série histórica, em 2012.

O IBGE destaca que não há dados disponíveis para os demais municípios paulistas além da capital. Todas as análises municipais divulgadas no estudo referem-se exclusivamente à cidade de São Paulo.

Número de jovens “nem-nem” cai ao menor nível desde 2012

O levantamento mostra também uma redução significativa no número de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham. Em 2023, esse grupo representava 16,1% da população nessa faixa etária, o equivalente a 1,6 milhão de pessoas. Em 2024, o índice caiu para 14,8%, ou 1,4 milhão de jovens — o menor percentual registrado desde 2012.

Para especialistas, a queda pode estar associada à recuperação do mercado de trabalho e à ampliação do acesso à educação, embora o IBGE ressalte que a qualidade das ocupações e a permanência escolar ainda precisam ser observadas com cautela.

Salas de aula seguem lotadas na rede pública

Na educação, São Paulo aparece entre os estados com as maiores médias de alunos por turma na rede pública. A pré-escola concentra 21,5 alunos por sala, a maior média do país, enquanto o ensino fundamental reúne 27,1 estudantes por turma. No ensino médio, são 29,3 alunos. Na rede privada, os números são significativamente menores, variando de 11 a 23 alunos, dependendo da etapa de ensino.

A disparidade sugere desafios relacionados à infraestrutura e às condições de ensino, especialmente no atendimento às crianças em idade inicial e nos anos finais do fundamental.

Desigualdade permanece elevada na capital

O índice de Gini, que mede a concentração de renda, recuou de 0,584 em 2023 para 0,561 em 2024 na cidade de São Paulo. Apesar da queda, o indicador mantém a capital na vice-liderança entre as mais desiguais do Brasil. No estado como um todo, o índice passou de 0,503 para 0,489.

Os dados mostram que a diferença entre ricos e pobres na capital permanece ampla. Entre os 40% com menores rendimentos — cerca de 2,5 milhões de pessoas —, a renda média mensal é de R$ 1.477. Já os 10% mais ricos, aproximadamente 711 mil habitantes, recebem em média R$ 21.678, valor quase quinze vezes superior.

Mercado de trabalho apresenta melhora

No estado de São Paulo, a taxa de desemprego caiu de 7,5% para 6,2% entre 2023 e 2024. A força de trabalho chegou a 25,7 milhões de pessoas, das quais 24,1 milhões estavam ocupadas e 1,6 milhão, desocupadas. O IBGE destaca ainda que a taxa de formalização alcançou 68%, superando a média nacional.

A evolução dos indicadores laborais contribuiu para o aumento do rendimento médio real. Em 2024, a renda média no estado chegou a R$ 3.884, acima da média nacional, de R$ 3.208. Na capital, o valor alcançou R$ 5.150, evidenciando tanto o dinamismo econômico da cidade quanto a forte concentração de renda.

Um retrato complexo do maior estado do país

Os resultados da Síntese de Indicadores Sociais mostram que São Paulo avança em frentes importantes, como emprego, renda e inserção de jovens no estudo e no trabalho. Ao mesmo tempo, evidenciam que a capital ainda convive com desigualdades profundas que resistem mesmo em um cenário de crescimento.
O IBGE afirma que o monitoramento contínuo desses indicadores é essencial para orientar políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades regionais e melhorar as condições de vida da população. (João Frizo)