São Roque Prev
Liquidação do banco Master expõe risco a previdências municipais
O Instituto de Previdência dos Servidores de São Roque (São Roque Prev) investiu no banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada na terça-feira (18). A informação é do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo (MPC-SP).
Ao menos cinco institutos de previdência social de servidores municipais do Estado de São Paulo aplicaram recursos em letras financeiras emitidas pelo banco Master, segundo o MPC-SP. Institutos de Araras, Cajamar, Santa Rita D’Oeste, Santo Antônio de Posse e São Roque investiram, juntas, cerca de R$ 218 milhões em títulos de renda fixa vinculados ao banco.
Os casos de São Roque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), e de Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), são os que mais chamam atenção. Enquanto Cajamar teria destinado mais de 15% de sua carteira ao fundo, São Roque aplicou cerca de 18%.
Em nota, o São Roque Prev afirmou que adquiriu as letras financeiras do banco em 2024 seguindo todos os ritos legais e técnicos, com parecer da assessoria de investimentos, aprovação do Comitê de Investimentos e ciência e homologação pelos Conselhos Fiscal e Deliberativo, formados, obrigatoriamente, por servidores efetivos.
Os investimentos de São Roque foram concentrados ao longo de seis meses, conforme registros do Sistema de Cadastro dos Regimes Próprios de Previdência Social, e teriam ocorrido entre março e setembro de 2024.
O comunicado acrescenta: “O São Roque Prev segue monitorando o cenário econômico e adotará todas as medidas cabíveis e legais para resguardar os interesses dos servidores, reforçando seu compromisso em garantir a segurança dos recursos previdenciários, bem como em proteger o interesse do funcionário público são-roquense”.
Liquidação
Fundado em 1974, inicialmente como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários, o Master passou por expansões e alterações societárias ao longo dos anos, se transformando em um conglomerado financeiro. Desde 2022 surgiram dúvidas sobre seu modelo de atuação, especialmente porque o banco investia fortemente na captação de recursos e oferecia rentabilidades superiores às praticadas no mercado.
Em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, destinada a combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional. As investigações começaram em 2024, a pedido do Ministério Público Federal, para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
De acordo com o economista Geraldo Almeida, o banco Master operava com diversos procedimentos temerários que colocavam em risco o ecossistema econômico. Uma dessas práticas envolvia a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), títulos que representam promessa de pagamento a instituições financeiras. Segundo ele, o banco teria emitido CCBs sem lastro adequado e as revendido para outras instituições.
O economista também observa que, no caso dos fundos previdenciários — como o de São Roque — que investiram no banco, o principal risco é o de inadimplência ou perda dos valores aplicados, pois os créditos prometidos estariam baseados em operações fraudulentas.
Diferentemente de investidores pessoa física, cujos depósitos de até R$ 250 mil são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os Regimes Próprios de Previdência Social não contam com essa cobertura. Assim, a recuperação dos recursos dependerá do processo de liquidação extrajudicial conduzido pelo Banco Central, que pode se estender por vários anos.