Segurança
Região de Sorocaba registra queda de 8,3% nos estupros em outubro
Número de casos envolvendo vítimas vulneráveis continua alto e segue como principal desafio das autoridades
A Região de Sorocaba registrou uma queda de 8,3% nos casos de estupro no mês de outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública, foram 144 ocorrências em outubro de 2025, diante de 157 registradas em outubro de 2024. Embora tímida, a redução acompanha o movimento observado no interior paulista, que apresentou recuo de 5,1% nos crimes contra a dignidade sexual.
A diminuição, porém, não reduz a preocupação das autoridades. Na região Sorocaba, a maior parte das ocorrências continua concentrada nos casos de estupro de vulnerável, categoria que inclui crianças, adolescentes e pessoas incapazes de oferecer resistência. Em 2024, dos 157 registros realizados naquele mês, 131 se referiam a vítimas vulneráveis; já em outubro de 2025, esse número caiu para 125. Os estupros classificados fora dessa categoria passaram de 26 para 19 no período analisado.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher de São Paulo, Adriana Liporoni, avalia que qualquer oscilação positiva nas estatísticas já representa um avanço. Para ela, mesmo uma redução considerada pequena indica que, pelo menos em parte dos casos, o ciclo de violência foi interrompido a tempo de poupar vítimas de traumas ainda maiores. Liporoni considera que “qualquer percentual menor nas estatísticas criminais é, sim, motivo para nos dar um certo alívio”, sobretudo diante do cenário nacional, ainda marcado por números altos de crimes sexuais.
No interior paulista, os menores índices de estupro foram registrados nas regiões de Araçatuba (31), Presidente Prudente (38) e Baixada Santista (66), conforme dados do Deinter. Ao mesmo tempo, o Estado contabilizou aumento nos feminicídios, que passaram de 11 para 15 casos em outubro, o que reforça a necessidade de mecanismos capazes de atuar em diferentes frentes de proteção.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que o monitoramento constante dos registros criminais tem orientado a adoção de políticas mais eficazes de prevenção, investigação e acolhimento. Entre as iniciativas em expansão estão os serviços de atendimento especializado, como as Cabines Lilás da Polícia Militar, que funcionam com equipes exclusivamente femininas, e as Salas Lilás instaladas nos Institutos Médico-Legais, voltadas à realização de exames de corpo de delito em ambientes reservados e adequados ao acolhimento das vítimas. A ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher também faz parte da estratégia. Hoje, o Estado conta com 142 unidades, sendo 18 delas abertas 24 horas, além de estruturas de atendimento remoto para plantões em cidades que não possuem delegacia especializada.
A subnotificação ainda é um dos principais desafios enfrentados no combate aos crimes sexuais. Casos envolvendo crianças — que representam a maior parte das ocorrências em Sorocaba — dependem da atuação de familiares, escolas e serviços de saúde para serem identificados e denunciados. Por isso, a Polícia Civil reforça continuamente a importância de que qualquer suspeita seja comunicada às autoridades.
Segundo Adriana Liporoni, romper o silêncio continua sendo a etapa mais decisiva do processo. “Quando a vítima procura ajuda, conseguimos agir, investigar, proteger e evitar que outros casos aconteçam”, afirma. Mesmo com a redução registrada em Sorocaba e no interior, especialistas destacam que o enfrentamento à violência sexual exige vigilância permanente e fortalecimento contínuo das redes de apoio.