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Cerimônia

Casamento comunitário em Sorocaba realiza sonhos e reúne histórias marcadas por amor, superação e fé

Entre os objetivos estava a oficialização da união; 70 casais participaram

24 de Novembro de 2025 às 20:02
Da Redação [email protected]
|Para os casais, cerimônia gratuita representou a realização de um sonho adiado pelas dificuldades financeiras, pela falta de oportunidade ou por histórias de vida que precisaram de tempo para amadurecer
|Para os casais, cerimônia gratuita representou a realização de um sonho adiado pelas dificuldades financeiras, pela falta de oportunidade ou por histórias de vida que precisaram de tempo para amadurecer (Crédito: Lavínia Carvalho)

O casamento comunitário promovido pela Prefeitura de Sorocaba no sábado (22), no Ipanema Clube, reuniu setenta casais com trajetórias diversas, mas um mesmo objetivo: oficializar uma união construída ao longo dos anos. Para muitos deles, a cerimônia gratuita representou a realização de um sonho adiado pelas dificuldades financeiras, pela falta de oportunidade ou por histórias de vida que precisaram de tempo para amadurecer.

Entre vestidos, flores, emoção e expectativa, casais compartilharam suas experiências e mostraram como o projeto tem transformado vidas. Um dos casais “mais experientes” tem uma vida em comum há 24 anos, moram juntos desde o início da relação e são pais de três filhos de 21, 20 e 15 anos. Elen Silva e Irineu de Oliveira contam que sempre quiseram se casar, mas a realização era constantemente adiada pelas condições financeiras. “Faltava condição e oportunidade. Quando tinha condição, não tinha oportunidade; quando tinha oportunidade, não tinha condição”, relata o motorista.

No entanto, a chance surgiu quando viram uma reportagem anunciando as inscrições. “A gente fez, deu tudo certo e estamos aqui”, disseram emocionados. A oficialização, para eles, é a coroação de uma história que começou de forma inesperada: “Eu odiava ela”, ele lembra, rindo. A aproximação veio com o tempo — um olhar no trabalho, uma conversa no carro, até que a inimizade virou paixão.

Juntos, eles enfrentaram dificuldades familiares, problemas financeiros e até a perda de um dos filhos. “Somos duas pessoas diferentes aprendendo a conviver. Mas a nossa determinação e a vontade de construir uma família mantiveram tudo firme”, relatam. Para eles, o projeto é essencial para famílias que vivem realidades semelhantes. “Os valores hoje estão muito altos. Aqui é onde o sonho se realiza, principalmente para a mulher. Vestido, maquiagem, dia da noiva; tudo se torna mais acessível”, destaca Elen.

 “É uma alegria tremenda, gratidão a Deus por esse momento”

Outro casal, Simone de Fátima e Maicon de Souza, em uma parceria há três anos e morando juntos desde o início da relação, atribuem a união e o casamento à fé e às transformações pessoais vividas ao longo do relacionamento. Eles se conheceram trabalhando em uma pizzaria e construíram primeiro uma amizade. “Foi Deus que preparou. A convivência foi criando vínculo, e a gente foi se conhecendo”, conta Maicon.

Antes de iniciar o relacionamento, ele afirma que não queria mais saber de casamento devido a experiências frustradas. “Achava que não era pra mim. Mas ela me trouxe de volta para Jesus. Deus ressuscitou algo que estava morto no meu coração”, diz o pizzaiolo.

A decisão de casar surgiu naturalmente — e o casamento comunitário ofereceu a oportunidade financeira que eles não teriam. “Queria fazer uma festa individual, mas ficava entre 17 e 20 mil reais. Sem chance. Então, Deus deu essa oportunidade para gente”, explica ele. Eles descrevem o dia da cerimônia como de forte emoção. “A gente não consegue nem explicar. É uma alegria tremenda, gratidão a Deus por esse momento”, finalizam.

Sonho realizado

Já Franscisllene da Silva e Leandro Bueno estão juntos há dois anos e também moram juntos desde o início. Sem filhos, eles contam que se conheceram pelas redes sociais e começaram a namorar logo após o primeiro encontro. O sonho de casar sempre existiu — especialmente para ela. Mas, como muitas famílias, o orçamento apertado após a mudança de casa impedia qualquer planejamento de cerimônia.

“Economizamos praticamente tudo. Não tinha como gastar, e o projeto ajudou muito”, explica a atendente. Eles ficaram sabendo do evento dentro de um ônibus, quando viram o panfleto de divulgação. Ele fez a inscrição, levaram os documentos à prefeitura e, meses depois, receberam a confirmação pelo WhatsApp. “Foi uma alegria enorme”, lembram.

Sobre o grande dia, ela admite estar nervosa, “cheia de borboletas na barriga”, enquanto ele diz estar “calmo demais”. Ambos destacam a gratidão por terem participado de algo que, de outra forma, não caberia no bolso.

O casamento comunitário é mais do que uma cerimônia gratuita — é a oportunidade de concretizar um sonho que, para muitos, ficava sempre para depois. Para uns, é a realização de um plano de décadas. Para outros, a confirmação de um recomeço. E, para muitos, o primeiro passo para construir novas histórias.

O que foi necessário para participar

As inscrições puderam ser realizadas no mês de abril. Para participar do casamento comunitário, houve critérios para inscrição, foi necessário que pelo menos um dos noivos fosse morador de Sorocaba e que a soma da renda familiar não ultrapassasse três salários mínimos. Para efetivar a inscrição, os interessados tiveram que apresentar carteira de trabalho ou holerite atual, comprovante de endereço recente, documentos pessoais e certidões específicas conforme o estado civil: certidão de nascimento para solteiros; certidão de casamento com averbação do divórcio para divorciados; documentos de união estável anterior, e se houvesse; certidão de casamento e de óbito para viúvos. Também foi preciso informar o nome completo e a data de nascimento ou óbito dos pais dos noivos. Caso um dos participantes fosse menor de 18 anos, era obrigatória a presença dos pais ou responsáveis legais. (Da Redação)

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