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Saúde

Hábitos saudáveis são aliados para prevenir o diabetes

Dia mundial de combate à doença, na sexta-feira, alerta sobre cuidados e formas de prevenção

15 de Novembro de 2025 às 19:30
Cruzeiro do Sul [email protected]
Cerca de 90% dos diabéticos são do tipo 2, que acomete adultos a partir 
dos 35 anos
Cerca de 90% dos diabéticos são do tipo 2, que acomete adultos a partir dos 35 anos (Crédito: MARCELO CAMARGO / ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL)

Hábitos saudáveis, como exercícios físicos e alimentação equilibrada, além de acompanhamento médico, são essenciais no combate o diabetes. Na sexta-feira (14) foi celebrado o Dia Mundial do Diabetes, data que tem como objetivo lembrar a importância de orientar as pessoas sobre os cuidados e formas de prevenção da doença.

O médico endocrinologista Antônio Maestrello caracteriza o diabetes como uma condição marcada pela elevação do açúcar no sangue e destaca que existem vários tipos da doença. “Cerca de 90% dos diabéticos são do tipo 2, que apresentam resistência à ação da insulina, hormônio secretado para controlar o nível de açúcar no sangue. Ela acomete principalmente adultos a partir dos 35 anos, com obesidade, excesso de peso, hipertensão arterial, história familiar e sedentarismo”, explica.

Já o diabetes tipo 1, de acordo com Maestrello, é mais comum em crianças e na população mais jovem. “Há uma deficiência na secreção de insulina por conta de anticorpos que atuam contra as células produtoras do hormônio, causando uma deficiência muito grave logo no início do diagnóstico.”

Há também o diabetes gestacional. “Ele acomete mulheres que não eram diabéticas, mas tendem a desenvolver a enfermidade durante a gestação. Normalmente, desaparece após o parto, mas pode retornar em gestações subsequentes ou facilitar o desenvolvimento da condição no futuro”, diz o médico.

Em relação aos sintomas, o endocrinologista explica que eles podem variar. “O diabetes tipo 2, por exemplo, costuma ser assintomático e só passa a demonstrar indícios após a evolução da condição. A partir daí, os sintomas passam a ser os mesmos de um portador de diabetes tipo 1: a pessoa sente muita sede, bebe muita água, urina demais, sente muita fome e perde peso progressivamente, pois a insulina é responsável por armazenar a glicose como glicogênio no fígado ou convertê-la em gordura e calorias”, esclarece.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, em 2024 existem mais de 16 milhões de pessoas no Brasil vivendo com a doença, e o País ocupa o sexto lugar no ranking mundial de maior número de pessoas com diabetes. Apesar da alta incidência, 50% dos indivíduos não sabem que têm a doença.

Quando questionado se essa é uma ocorrência comum, o médico confirma. “Como é assintomático, a pessoa acaba não recebendo o diagnóstico. Por isso, é importante estimular as pessoas a realizarem, pelo menos uma vez por ano, exames de rotina. Essa desatenção pode causar complicações graves ao longo da vida, que incluem derrame, AVC, infarto, insuficiência renal, perda visual e até amputação de membros. O diabetes é a maior causa de amputações não relacionadas a traumas, além de infarto e cegueira”, relata.

Como o diabetes é uma doença crônica e não possui cura, o endocrinologista ressalta a importância do tratamento e de ações preventivas. “Uma glicemia para diagnóstico de diabetes é de 126, e o valor normal é até 99; então, nesse intervalo de 100 a 125 ocorre o pré-diabetes, que pode ser revertido.”

Atividade física

De acordo com o especialista, é possível diminuir a progressão do pré-diabético para diabético e retardar o aparecimento da doença por anos caso o paciente adote certos cuidados. Ele cita que uma dieta adequada, a diminuição da ingestão de açúcar, não fumar e a prática de atividade física são ações que ajudam nesse processo.

Maestrello ressalta que esses cuidados se estendem para quem já tem o diagnóstico de diabetes, e que o acompanhamento psicológico também é necessário. “O paciente precisa entender o porquê dessas ações, e o envolvimento é muito importante para assegurar a eficácia do tratamento”, destaca.

Além disso, existem vários tipos de medicação que podem ajudar a controlar a condição. “Há medicamentos via oral e injetáveis. Alguns podem ser obtidos nas farmácias populares e nas unidades básicas de saúde, mas existem também opções mais caras. Isso vai depender do perfil do paciente, e há muitas alternativas que podem se encaixar dentro das possibilidades de carga de trabalho e condições financeiras”, explica.

Mas o foco deve ser o diagnóstico precoce e a diminuição dos fatores de risco, reforça o endocrinologista. “Aumentar a conscientização sobre os sinais de alerta do diabetes e disseminar que certas condições, como ganho de peso, tabagismo e sedentarismo, aumentam a incidência da doença pode causar uma repercussão positiva nos hábitos de vida da população.”

Data

O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para reforçar a conscientização sobre a doença, principalmente para evidenciar a importância da prevenção. A celebração ocorre no aniversário de um dos co-criadores da insulina, o médico canadense Frederick Banting, que, juntamente com Charles Best, conduziu as experiências que levaram à descoberta do hormônio em 1921. (Layla de Oliveira)