Legislativo
Iara e Dylan disputam presidência da CPI
Comissão deve ser instalada hoje; vereadores articulam cargos de presidente e relator antes da primeira reunião do colegiado
Os vereadores Iara Bernardi (PT) e Dylan Dantas (PL) manifestaram interesse em ocupar o cargo de presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito nº 01/2025, a CPI da Saúde. Ambos estavam entre os primeiros a assinar o pedido de abertura da comissão, ainda em abril, junto com parlamentares do PL, PT e PSOL, logo após a primeira fase da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal.
A instalação oficial da CPI da Saúde deverá ocorrer durante a sessão ordinária da manhã de hoje (13). Após a leitura do requerimento e a nomeação dos integrantes, a sessão deverá ser suspensa para a eleição da presidência e relatoria, sendo retomada logo após o processo de votação interna.
A vereadora Iara Bernardi (PT), que apresentou o pedido de criação da CPI por duas vezes, se declarou surpresa com o apoio dos demais vereadores. “Eu gostaria de ser presidente porque apresentei duas vezes o pedido de CPI, porque tenho experiência. Já participei como presidente de duas comissões, a CPI da Merenda e a CPI dos Cargos Comissionados, no governo Crespo. Na CPI da Merenda tivemos um bom relacionamento com a Polícia Federal: nós repassávamos informações e eles também repassavam informações.”
Já o vereador Dylan Dantas (PL) afirmou, em nota, que tem o apoio da bancada do PL e de outros vereadores para presidir a CPI da Saúde. “Se eleito, pretendo conduzir um trabalho sério, isento, responsável e independente. A saúde merece respeito e atenção por parte de seus representantes.”
Até as 20h de ontem (12), a candidatura à presidência de Iara Bernardi contava com as assinaturas de Izídio de Brito (PT), Fernanda Garcia (PSOL) e Rogério Marques (Agir). Já Raul Marcelo (PSOL) afirmou, por telefone, que também vai apoiar a petista.
Enquanto isso, a candidatura de Dylan Dantas reunia os apoios de Ítalo Moreira (União Brasil), Tatiane Costa (PL), Roberto Freitas (PL) e Rogério Marques (Agir). Já a candidatura de Tatiane Costa à relatoria ainda não contava com assinaturas.
A CPI foi criada após a decisão de Henri Arida (MDB), que garantiu a última assinatura necessária para atingir o número mínimo exigido. Arida afirmou que, apesar de integrar a base governista e ser amigo do prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), ouviu seus eleitores — já que a saúde é uma de suas principais bandeiras — e resolveu apoiar a criação da comissão. Segundo ele, a medida representa “uma prerrogativa da Câmara e um compromisso com a verdade”.
O gesto foi seguido por Jussara Fernandes (Republicanos), que também assinou o requerimento. “Os problemas são reais e a população merece respostas. Como vereadora, vou trabalhar para que a CPI seja conduzida com transparência e responsabilidade”, afirma.
Como funciona a instalação da CPI
1. Leitura do requerimento
Durante a sessão ordinária, o presidente da Câmara faz a leitura do documento que cria oficialmente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
2. Nomeação dos integrantes
São anunciados os vereadores que assinaram o pedido e que integrarão a comissão, geralmente de forma proporcional às bancadas partidárias.
3. Suspensão da sessão
Logo após a leitura, a sessão é suspensa para que os membros da CPI se reúnam em reservado e definam quem será o presidente e o relator do colegiado.
4. Eleição interna
A escolha dos cargos ocorre por voto entre os próprios integrantes da CPI. O presidente conduz os trabalhos, enquanto o relator tem papel central nas oitivas e na redação do relatório final.
5. Retomada da sessão
Com os cargos definidos, a sessão é retomada para o anúncio oficial da composição da CPI.
6. Início dos trabalhos
A partir da instalação, a CPI tem prazo de 90 dias, prorrogável por igual período, para investigar as denúncias, requisitar documentos, convocar depoimentos e elaborar seu relatório final, que poderá ser encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). (Da Redação)