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Mundo circense

Infância, sonhos e estudos sob a lona de circo

Entre risadas, trapézios e cidades que mudam, crianças crescem no picadeiro sem abrir mão da escola e do futuro

08 de Novembro de 2025 às 19:30
Gabrielle Camargo Pustiglione [email protected]
Isabella, Jonas e Bruna mostram que é possível equilibrar a vida itinerante com o compromisso dos estudos
Isabella, Jonas e Bruna mostram que é possível equilibrar a vida itinerante com o compromisso dos estudos (Crédito: ALISSON ZANELLA)



Eles nasceram e vivem no circo. O quintal é o picadeiro, o quarto é um trailer e a rotina é marcada por risadas, arte e viagens. Entre malabares, trapézios e figurinos coloridos, há também cadernos, lápis e sonhos de futuro. A alegria, sempre contagiante, faz parte da vida. Apesar de ainda pequenos e não trabalharem nas apresentações, eles vivem intensamente o mundo circense. Nos estudos, colecionam estrelinhas e elogios; nas brincadeiras, a criatividade é o maior show.

O Cruzeiro do Sul acompanhou de perto a rotina de três crianças que crescem sob a lona, mas fazem questão de manter os estudos em dia. Entre uma cidade e outra, elas frequentam aulas, participam de atividades escolares e mostram que é possível equilibrar o amor pelo circo com o compromisso com a educação.

Sonho de brilhar no picadeiro

Bruna Stankowich, 11 anos, vive em um mundo mágico, repleto de palhaços, contorcionistas e trapezistas, com muita pipoca, algodão-doce e alegria. Herdeira da tradicional família Stankowich, ela carrega no sangue a emoção de brilhar no palco e encantar o público. Ainda não atua, mas sonha com o dia em que poderá entrar em cena.

Dividindo o tempo entre brincadeiras, lazer e estudos, Bruna cursa o 7º ano do Colégio Politécnico de Sorocaba. Adora estudar, estar com os amigos e entende que, mesmo vivendo no circo, precisa se dedicar à escola. Já se acostumou com a constante mudança de cidade e encara a rotina com leveza.

Filha de trapezista e irmã de palhaço, já sabe o que quer seguir. Brinca e treina com bambolês e tecidos, sonhando com o momento em que também poderá se apresentar.

Menino da tecnologia

Com um sorriso espontâneo e olhar curioso, Jonas Henry Sepúlveda, 12 anos, esbanja esperteza e alegria. Já viajou por muitos países acompanhando a família circense, mas garante que o picadeiro não é seu destino. “Morro de vergonha, não quero ser artista”, confessa entre risadas.

Aluno do 6º ano do Colégio Politécnico, Jonas gosta especialmente das aulas de educação física, mas seus planos estão voltados à tecnologia. “Quero estudar para cuidar das áreas de iluminação, som e tecnologia do circo”, afirma, decidido.

Mesmo vivendo sob a lona, ele mostra que o futuro pode ser construído com base, disciplina e conhecimento, dentro e fora do picadeiro.

Leveza, disciplina e paixão

O trapézio é seu sonho, e ela já dá os primeiros passos para chegar lá. Isabella Rocha Pepino, 14 anos, tem a beleza e a delicadeza de uma bailarina. Com brilho nos olhos, conta que a vida no circo é normal e cheia de afazeres, como a de qualquer jovem. Adora brincar de pega-pega e jogar queimada. Para ela, tudo é diversão. “Morar em um trailer é natural. Sei que é importante manter a rotina escolar, porque estudar e valorizar os amigos que a gente faz na escola é algo para a vida toda”, afirma.

Cursando o 9º ano do Colégio Politécnico, Isabella gosta de participar das aulas e se dedica aos trabalhos escolares, com entusiasmo especial pela educação física. O circo está no sangue: sua irmã, de 20 anos, brilha no espetáculo em um dos números mais aguardados: o famoso Globo da Morte.

Cercadas por aplausos, cores e música, Bruna, Jonas e Isabella mostram que crescer no circo é viver entre sonhos e responsabilidades. Sob a lona, aprendem que o espetáculo da vida é ainda mais bonito quando o estudo também faz parte da plateia. (Gabrielle Camargo Pustiglione)