III Fórum ESG
Fórum mostra força regional de práticas sustentáveis e inovação empresarial
Empresários e especialistas compartilharam experiências e soluções em sustentabilidade e responsabilidade social
Sorocaba vem se consolidando como um dos polos mais engajados na agenda ESG do interior paulista. Prova disso foi o III Fórum ESG da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), promovido pelo Ciesp Regional Sorocaba, ontem (5). Com cerca de 130 participantes — entre empresários, consultores, educadores e gestores públicos —, o evento mostrou que sustentabilidade e responsabilidade social já fazem parte do cotidiano empresarial.
Organizado pelo Núcleo de ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) do Ciesp Sorocaba, o fórum buscou estimular a troca de experiências e destacar boas práticas regionais. A programação incluiu palestras, painéis e casos de sucesso de empresas como Anhembi Morumbi, CNH, Dana, Evamo, Facens, Kanjiko, Sorocaba Refrescos, Lanxess, Unimed, VA Soluções Sustentáveis e ZF do Brasil.
Trocar experiências é o que transforma
Para o consultor Paulo Mendonça, coordenador do Núcleo de ESG, o fórum é um espaço essencial de diálogo e aprendizado.
“O objetivo é reunir práticas aplicadas por indústrias e instituições e compartilhá-las. Muitas são simples, outras sofisticadas, mas todas têm valor quando divididas”, afirmou.
Segundo ele, o desafio é mudar o mindset: “ESG começa em atitudes simples — coleta seletiva, segurança no ambiente de trabalho, cuidado com o outro. São detalhes que fazem diferença.”
Indústria engajada e metas globais
O 1º vice-diretor do Ciesp Sorocaba, Mário Kajuhico Tanigawa, destacou o amadurecimento do setor industrial em relação à agenda climática. “O auditório lotado mostra o interesse crescente das empresas. Sustentabilidade é responsabilidade de todos. Até 2050 precisamos zerar as emissões de carbono — isso exige esforço conjunto”, disse.
Tanigawa ressaltou o apoio de Senai e Fiesp na orientação às empresas e lembrou a proximidade da COP-30, que tem mobilizado o setor industrial. “Cada fórum e cada ação de conscientização são essenciais para garantir um futuro sustentável”, concluiu.
Inovação que inspira
Entre os destaques, a Poiato Recicla, especializada na reciclagem de resíduos de cigarro, apresentou uma solução que une inovação tecnológica e educação ambiental. “Falamos do pós-consumo do cigarro: criamos coletores, mídias informativas e estrutura de logística dentro das normas ambientais”, explicou o diretor Marcos Poiato.
A empresa transforma bitucas em massa celulósica limpa e sem odor, doada a entidades assistenciais e artistas, gerando renda e inclusão social. A Poiato Recicla será a única representante da RMS na COP-30, onde receberá o prêmio de primeiro lugar em inovação tecnológica concedido pelo Sest/Senat.
Sustentabilidade estratégica e rede de parcerias
O engenheiro André Vieira Dalcim, da Kanjiko, reforçou que o ESG deve ser visto como ferramenta estratégica de gestão.
“O ESG precisa ser aplicado por consciência, não por obrigação. O fórum gera conhecimento e aproxima empresas, universidades e organizações”, disse.
Na Kanjiko, o trabalho é feito em parceria com a Toyota, com foco em carbono zero e sustentabilidade da cadeia de fornecedores. A empresa também atua na área social, com projetos comunitários e campanhas solidárias.
Um movimento regional
O III Fórum ESG mostrou que a sustentabilidade é um movimento coletivo, que une indústria, educação, saúde e sociedade civil. Como resume Mendonça: “Quando vemos empresas aplicando boas práticas, dá aquele estalo — se eles conseguem, por que eu não estou fazendo também? Em Sorocaba, o ESG deixou de ser apenas uma sigla. Tornou-se prática e compromisso diário com o futuro, construído em conjunto”, finalizou. (João Frizo - programa de estágio)