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Projeto ‘Conecta Elas’ doa celulares a mulheres vítimas de violência doméstica

15 de Outubro de 2025 às 22:04
Thaís Verderamis [email protected]
Lançamento reuniu autoridades e pessoas 
envolvidas na rede de proteção às mulheres
Lançamento reuniu autoridades e pessoas envolvidas na rede de proteção às mulheres (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO (15/10/2025))

Em muitos casos de violência doméstica, o aparelho celular da vítima é retirado ou quebrado pelo agressor. Por esse motivo, o projeto “Conecta Elas” vai doar aparelhos para mulheres vítimas de violência para que possam ter acesso ao aplicativo “Protege Mulher”, da Guarda Civil Municipal (GCM).

O projeto é da Secretaria da Mulher (Semu), em parceria com as Secretarias de Desenvolvimento Econômico (Sede), da Cidadania (Secid) da, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Metareciclagem. O lançamento oficial ocorreu ontem (15), no Auditório da Biblioteca Municipal “Jorge Guilherme Senger”.

A importância do aparelho celular é garantir que as vítimas tenham acesso ao aplicativo “Protege Mulher”, da GCM, voltado para mulheres que já possuem medida protetiva contra os agressores. Por meio do aplicativo há um botão que pode ser acionado se o companheiro descumprir a medida. Assim que acionado, o aplicativo tem georeferenciamento e, com isso, uma viatura vai até o local socorrer a vítima e deter o responsável, se necessário.

Segundo o comandante da GCM, Davi Dutra, há mais de mil mulheres cadastradas no aplicativo. São em média 420 acionamentos por ano, mais de um caso por dia. Esses números são somente da GCM.

O projeto depende de doações. As pessoas que possuirem aparelhos antigos, sem uso, podem levar em um dos três pontos de coleta, na sede da OAB, localizada na rua Vinte e Oito de Outubro, 840, no Jardim do Paço; na Metareciclagem, localizada na avenida Armando Sales de Oliveira, 762, na Vila Trujillo; e, na Secretaria da Mulher, localizada na avenida Rudolf Dafferner, 65, no Alto da Boa Vista.

A doação dos aparelhos será feita pela Secretaria da Mulher ou pelo Centro de Referência da Mulher (Cerem), localizado na avenida Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 440, no Centro. “Quando a mulher chegar até a Secretaria da Mulher ou até mesmo ao Cerem, com medida protetiva, ela chega e a gente vai encaminhando, vai acompanhando. Se ela não tem o celular, ela não tem as condições nem de adquirir, nós faremos o termo de responsabilidade e a doação, sem custo nenhum”, explica a secretária da Mulher (Semu), Rosangela Perecini.

Segundo a delegada da Delegacia da Mulher (DDM), Renata Zanin, os índices de violência contra as mulheres têm crescido no Estado de São Paulo. “Infelizmente nós temos uma crescente pelos números da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Há um aumento dessas ocorrências. O que eu sempre digo, é que precisamos analisar se é mais coragem das mulheres em denunciar ou se é efetivamente um maior número de cometimento de crimes. É necessário também refletir o quanto as mulheres conseguem denunciar e se sentirem protegidas”, explica.

Ações

Além do projeto, a Semu também fez parceria com o aplicativo de corridas “Lady Driver”, um aplicativo de mulheres para mulheres, para levar as vítimas que chegarem até a Secretaria da Mulher ou a Delegacia da Mulher e não possuirem meios de se locomover de um local ao outro, ou até mesmo para casa.

Como explica a secretária Rosangela Perecini, o projeto faz parte de um pacote de ferramentas elaborado para diminuir os casos de violência doméstica. Também há projetos para evitar o aumento de casos, como o projeto “Secretaria da Mulher na Escola”, que desenvolve um trabalho de conscientização de meninas e meninos sobre o que é a violência doméstica.

Já o projeto “Mulher em Foco” é para meninas de 13 a 17 anos. São aulas de defesa pessoal, por seis meses, para a noção de consciência corporal, sobre violência e, principalmente, como se defender dos agressores.

O intuito é desenvolver uma série de ações que tenham como objetivo diminuir os casos de violência doméstica já existentes e orientar e conscientizar as novas gerações para que mais casos não aconteçam.