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Crimes

Estupro de vulnerável cresce 20% em Sorocaba

Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP)

15 de Outubro de 2025 às 21:59
Vanessa Ferranti [email protected]
Em caso de suspeitas, para buscar orientação, o recomendado 
é procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)
Em caso de suspeitas, para buscar orientação, o recomendado é procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO (26/6/2023))

Os registros de estupros de vulneráveis em Sorocaba aumentaram 20% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP).

Nos oito primeiros meses de 2024, 132 casos foram constatados. Já de janeiro a agosto de 2025, 158 ocorrências foram registradas (uma média mensal de 19,8 casos). De janeiro a dezembro de 2024, foram contabilizados 183 registros, uma média mensal de 15,2 ocorrências desse tipo de crime. Os números de setembro deste ano ainda não foram divulgados.

O estupro de vulnerável está previsto no artigo 217-A do Código Penal e é classificado como conjunção carnal ou prática de outro ato libidinoso com menores de 14 anos. Também é considerado estupro de vulnerável quando a vítima tem alguma enfermidade ou deficiência mental.

A delegada titular da Delegacia da Mulher (DDM) de Sorocaba, Renata Zanin, avalia que as leis voltadas aos direitos das crianças e adolescentes, assim como das mulheres no contexto doméstico, são relativamente novas em comparação a outros crimes. Com isso, há uma tendência mundial de conscientização e as denúncias também aumentam. No entanto, esse não seria o único fator para o crescimento dos registros. A delegada enfatiza que os casos realmente acontecem com frequência e são preocupantes.

“Independentemente de você ter uma maior conscientização da sociedade, é extremamente preocupante, porque não é para acontecer. E a cada crime desse tipo, é algo que nós estamos mexendo com a vida dessa criança, desse adolescente, que vão com certeza levar para todas as fases da vida dele esse trauma vivenciado pela prática desse crime”, alertou Renata Zanin.

Os casos de estupros de vulnerável são crimes que geralmente ocorrem na casa de familiares, conhecidos ou em lugares bastante frequentados pela vítima, como a escola. Ou seja, normalmente ocorrem em ambientes que deveriam ser de proteção. Já os casos que envolvem criminosos desconhecidos são mais raros. “Nesses ambientes, o número é realmente infinitamente maior do que o estupro por totalmente desconhecidos e no meio da rua”, explica a delegada.

Comportamento diferente

A mudança de comportamento é o primeiro sinal que a criança e o adolescente apresentam ao serem vítimas de um crime. As mesmas atitudes são demonstradas por idosos quando sofrem abuso sexual ou algum tipo de violência, seja ela física ou psicológica. Por isso, é importante ficar atento aos detalhes.

“Recebemos denúncias de idosas que eram mais fechadas, mais debilitadas na questão da comunicação, e elas ficaram mais arredias e começaram a demonstrar uma tristeza maior, e também deixaram de comer. Então, tem que ficar atento a qualquer alteração de comportamento das crianças, de idosos, que não têm como se comunicar, e de pessoas com deficiência de uma forma geral.” Em casos de suspeita, a orientação é procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Atendimento especializado

O poder público, por meio da Secretaria da Cidadania (Secid), também oferece atendimento especializado às vítimas de violência sexual nas unidades do Centro de Referência Especializado de Assistência Social.

Segundo a pasta, a equipe presta acolhimento, suporte psicológico e orientação jurídica para quem sofre abuso. De acordo com dados da Secid, em 2024 foram registrados 472 casos envolvendo estupro e assédio sexual de vulneráveis. Já em 2025, até o momento, são 350 casos.

Há, ainda, parcerias com o Conselho Tutelar, a Delegacia de Defesa da Mulher e o Ministério Público para assegurar o cumprimento de medidas protetivas e a responsabilização dos agressores. Em algumas situações, a Secretaria da Saúde (SES) também é envolvida para garantir atendimento e acompanhamento médico.

Entre as ferramentas disponíveis está a Escuta Especializada, uma parceria entre a Prefeitura de Sorocaba e o Hospital Gpaci. Por meio do serviço, crianças e adolescentes relatam uma única vez a situação vivenciada e recebem todos os encaminhamentos necessários, sem precisar contar repetidas vezes sobre a violência sofrida ou presenciada.

De acordo com a secretaria, os casos chegam via Conselho Tutelar, mas também podem ter origem em escolas, na rede de saúde, na Delegacia de Defesa da Mulher, entre outros serviços.