Otimismo
Comércio de Sorocaba espera aumento nas vendas do Dia das Crianças
Valor médio das compras deve girar em torno de R$ 100, com a maioria das aquisições concentradas entre R$ 50 e R$ 150
O Dia das Crianças se aproxima. Já é possível perceber que há algo diferente: o movimento nas ruas e as vitrines do Centro de Sorocaba são provas disso. Bonecas, carrinhos e brinquedos coloridos disputam espaço com roupas infantis e livros de colorir, enquanto pais, tios e madrinhas fazem contas rápidas entre um corredor e outro. A cena se repete a cada outubro, mas, neste ano, com um ingrediente novo: o otimismo.
De acordo com levantamento da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Athon, 61,76% dos consumidores da cidade pretendem comprar presentes neste Dia das Crianças. O número representa um avanço expressivo em relação aos 50% registrados no mesmo período de 2024. O valor médio das compras deve girar em torno de R$ 100, com a maioria das aquisições concentradas na faixa entre R$ 50 e R$ 150.
“O consumidor quer presentear, mas sem exageros. Ele quer fazer o dinheiro render”, avalia Hygor Duarte, presidente da Acso. O comportamento, segundo ele, traduz o momento de cautela do público, mas também sinaliza uma recuperação de confiança no comércio local.
Brinquedos ainda lideram, mas roupas e livros ganham espaço
Os brinquedos ainda dominam a preferência dos compradores, representando 43,9% das intenções. Em seguida, aparecem moda e acessórios (9,27%), livros (1,95%) e experiências em família (0,49%).
Por trás das estatísticas, há uma variedade de histórias e de estratégias familiares. Algumas pessoas mantêm a tradição de comprar brinquedos; outras, preferem roupas, lembranças simbólicas ou experiências que marquem o dia sem pesar no bolso.
Hora das compras
A Larissa Gabrielle Pontes Rosa, por exemplo, não tem filhos, mas faz questão de participar dessa data e presentear as sobrinhas. Ela conta que já está de olho em algumas opções. “Já pensei no que vou comprar, uns duzentos reais está bom. Criança é assim, qualquer brinquedo diverte”, comenta.
Larissa diz que pretende escolher algo que vá além do modismo. “Esses brinquedos da moda, como Bobbie Goods ou Pop It, elas já tiveram, mas não se interessaram muito. Quero dar algo que estimule o desenvolvimento, tipo jogos de montar ou bonecas diferentes, dessas que elas possam usar a criatividade.”
Enquanto isso, Maria Daguia Silva, 37 anos, vendedora, decidiu unir presente e experiência: “Comprei roupa para minha filha e vamos viajar. Ela está crescendo, tem oito anos e já não liga muito para brinquedo. Só gosta desse tal de Bobbie Goods, que está na moda. Mesmo assim, procuro dar algo educativo, como material pra pintar que ajuda a desestressar”, diz, rindo.
Maria confessa que a lista de presentes precisa caber no orçamento. “Tenho 23 sobrinhos! É bastante gente, viu? Não tem como presentear todos... Então, acabo escolhendo quem está mais perto e procuro gastar até uns cento e poucos reais por presente.”
A técnica de enfermagem Isabela Luiza Evangelista da Silva, 27, segue o mesmo raciocínio. Ainda indecisa, ela divide o tempo entre o shopping e o comércio de rua em busca de ideias. “A ideia é comprar uma roupa e um brinquedinho pro meu afilhado, mais como lembrança mesmo. Tenho outros sobrinhos, então acabo comprando coisinhas simples pra todos. Quero gastar no máximo uns R$ 100”, explica.
Isabela prefere os clássicos aos modismos. “Não pensei nesses brinquedos da moda, tipo Bobbie Goods ou Pop-It. Prefiro carrinhos ou personagens que eles gostam. É mais garantido e eles aproveitam mais.”
Brinquedos da moda dividem espaço com os clássicos
A preferência das entrevistadas confirma a percepção do comércio: produtos “da moda” continuam chamando atenção, mas dividem espaço com brinquedos tradicionais, como bonecas, carrinhos e jogos educativos.
“O consumidor está mais atento. Ele pesquisa, compara e busca algo que tenha significado, não apenas o que está bombando nas redes sociais”, comenta Hygor Duarte. “Isso é positivo, porque abre espaço para os lojistas trabalharem com variedade e criatividade.”
Compras começam on-line, mas terminam na loja
O estudo também aponta equilíbrio entre os canais de compra. As buscas por presentes começam no digital, especialmente em sites de pesquisa (19,61%) e sites de lojas (19,12%). No entanto, a compra efetiva ainda acontece, em grande parte, nas lojas físicas, com destaque para os shoppings (22,55%) e o comércio de bairro (12,25%).
“É essencial que o lojista esteja bem posicionado tanto no digital quanto no físico”, explica Duarte. “O cliente pesquisa na Internet, mas muitas vezes decide na vitrine. O contato com o produto ainda faz diferença.”
Pagamentos e oportunidades para o comércio local
O cartão de crédito, seja à vista (28,43%) ou parcelado (23,04%), continua sendo o meio de pagamento preferido, seguido pelo débito (17,16%) e pelo Pix (5,39%), que segue em crescimento tímido.
Para Duarte, esse comportamento mostra um consumidor mais planejado e seletivo. “Ele quer aproveitar promoções, mas sem perder o controle financeiro. O crédito permite flexibilidade sem comprometer demais o orçamento.”
Outro dado relevante da pesquisa é o aumento da parcela de indecisos, pessoas que ainda não sabem o que vão comprar. “Esses consumidores são uma grande oportunidade para o comércio local. Eles podem ser conquistados com campanhas criativas, vitrines temáticas e promoções segmentadas”, afirma Duarte.
Data serve como termômetro
Com a intenção de compra em alta e o valor médio de compra estável, o Dia das Crianças de 2025 deve consolidar o otimismo entre lojistas sorocabanos e servir de termômetro para as vendas de fim de ano. “É uma data que aquece o comércio e testa o comportamento do consumidor. Quem souber combinar boas ofertas, presença digital e atendimento de qualidade deve colher bons resultados até o Natal”, finaliza o presidente da Associação Comercial. (João Frizo - programa de estágio)