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Em Sorocaba

Terreno da antiga Villares segue sem planos de uso

A área, que tinha atividades até 2014, hoje passa por processo de descontaminação

08 de Outubro de 2025 às 21:00
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De acordo com a Cetesb, próximas etapas são o monitoramento da área, e, futuramente, o espaço poderá ser classificado como reabilitado e ter o uso autorizado
De acordo com a Cetesb, próximas etapas são o monitoramento da área, e, futuramente, o espaço poderá ser classificado como reabilitado e ter o uso autorizado (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO 01/10/2025)

Mesmo após mais de uma década de abandono, a área da antiga siderúrgica da Gerdau, em Sorocaba, segue sem planos de uso. A área, que tinha atividades até 2014, hoje passa por processo de descontaminação. Também são necessários laudos para comprovar que está apta a receber novos projetos.

Em 2023, o local foi alvo de um acordo entre a empresa e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), após ser constatado que havia um depósito clandestino abandonado. Nesse depósito estariam resíduos tóxicos, como chumbo, crômio e outros metais pesados. Em reportagem do jornal Cruzeiro do Sul, publicada em agosto de 2023, a empresa afirmou que estava demolindo estruturas remanescentes e realizando a recuperação da área.

O promotor de justiça, Jorge Alberto de Oliveira Marum, que cuida do caso afirma que a contaminação, além de afetar o solo, chegou ao rio Sorocaba, mas foi diluída na água, tornando impossível quantificar o tamanho do dano. Por isso, o MP aplicou multa de R$ 500 mil, revertida ao Fundo Municipal de Meio Ambiente para projetos ambientais. Além disso, foi firmado acordo de reflorestamento das áreas de preservação permanente existentes no imóvel, próximas ao manancial.

Posição empresa

Passados pouco mais de dois anos do início das obras, a Gerdau S. A. foi procurada e afirmou que o processo de descontaminação está em andamento, conforme planejado, e em conformidade com a determinação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A empresa, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre quais seriam os planos de uso para o local.

O que diz a Cetesb

A Cetesb informou que a área está passando por um processo de gerenciamento para reabilitação ambiental, conduzido pela Gerdau, sob acompanhamento do Departamento de Áreas Contaminadas da Cetesb. Foram removidas aproximadamente 43.500 toneladas de solo e resíduos contaminados. A área foi recomposta com solo limpo e com a dragagem dos sedimentos do fundo da antiga lagoa existente no local. As próximas etapas são o monitoramento da área para garantir que as medidas foram eficazes e suficientes. Futuramente, o espaço poderá ser classificado como reabilitado e ter o uso autorizado.

Plano diretor

A Prefeitura de Sorocaba informou que a área é de responsabilidade da empresa e que a destinação terá de ser definida por ela. No entanto, o local foi classificado como “Zona Central” no novo Plano Diretor Administrativo Territorial, o que permite a construção de espaços residenciais verticalizados, ou seja, edifícios, incentivando o uso de transporte coletivo.

Para o espaço já foram propostos diversos projetos, chegando a ser aprovada pela Câmara Municipal a desapropriação da área, por meio do projeto de lei nº 304/2014. Porém, o prefeito da época, Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), vetou a proposta sob a justificativa de que não havia orçamento para realizar a desapropriação.

Histórico

O local foi ocupado em 1938 pela Metalúrgica Nossa Senhora Aparecida, que nasceu como uma fábrica de enxadas e depois expandiu seus negócios. Posteriormente, a empresa passou por diversos grupos, como a Villares e a Sidenor. Em 1994, segundo a biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o espaço deixou de ser usado para a fabricação de aço e passou a ser uma unidade de acabamento de peças. Em 2005, foi adquirido pelo grupo Gerdau, a quem pertence até hoje. (Vernihu Oswaldo)